Irkutsk, Lago Baikal e peixe defumado…a parte II da Sibéria!

Irkutsk, uma das maiores cidades da Sibéria

Vista panorâmica de Irkutsk
Vista panorâmica de Irkutsk

Depois de chegar na Sibéria por Petropavlovsk-Kamchatsky era hora de seguir caminho. Nossa próxima parada era Irkutsk, onde pegaríamos um trem rumo a China, seguindo pela Transiberiana.

Sair de Petropavlovsk-Kamchatsky não é uma tarefa simples, pois não não há ligação por terra com a cidade. Então, tivemos que voar. Olha, nosso voo era de manhã. Chegamos lá sem problemas, fizemos check-in e tinha pouco tempo para esperar o embarque.

Fomos na área de fumantes, que era bem espaçosa e onde metade das pessoas que iam viajar estavam. Era uma área espaçosa e com vista. No fim, tirando o cheiro de cigarro, era o lugar mais interessante do aeroporto.

Quando chegou nossa vez de embarcar, bem…juntou a galera toda na área de embarque e no ônibus que nos levaria até o avião. GENTE! O que era o cheiro de álcool que exalava das pessoas? (rs)

Não estou julgando não – ok, talvez um pouco -, mas era algo antes de 10h e o pessoal tava que tava. Acho que por ser uma região muito fria é cultural se esquentar com vodka! Foi peculiar…porque o cheiro era muito, muito forte….e nos acompanhou durante todo o voo….hahaha

Mas são essas peculiaridades que ficam na memória e marcam a viagem, né? O avião era tranquilo e a viagem correu bem. Algumas horas depois e estávamos em Irkutsk. 

A chegada em Irkutsk e as primeiras impressões sobre a cidade

Chegamos em Irkutsk de noite, quase na madrugada. Ao chegar no aeroporto já deu pra entender que a cidade era mais próspera que Petropavlovsk. Segundo o “The Economist” ela tem uma das economias mais estáveis da Rússia.

O local era bem mais avançado, mas nada muito melhor do que o aeroporto de Congonhas, por exemplo.

Nós ficaríamos num Airbnb e eu precisava avisar pro rapaz que já tinha chegado, já que ele não quis combinar uma hora certa. Achei uma rede Wi-Fi, mas para minha surpresa para usar o Wi-Fi por lá era preciso ter um celular local para receber um SMS com o código de acesso…e, bem, nós não tínhamos.



Também não achei nenhum telefone público para tentar ligar pro sujeito. Então, vi que na parte de cima do aeroporto tinham algumas lanchonetes, entre elas um Subway, e pensei que em alguma poderia ter um Wi-Fi aberto.

Não tinha! E foi aí que gastei todo o meu parco russo aprendido nos últimos dias. Consegui me virar e a atendente do Subway acabou “me emprestando” o número dela para receber o SMS e poder acessar o Wi-Fi! Mais uma vez a Rússia ganhando pontos em hospitalidade. <3

Consegui falar com o menino e lá fomos nós de táxi. O taxista não falava muito inglês, entendia um pouco, mas conseguimos nos acertar para dizer onde estávamos indo.

Ao passar pela cidade e chegar no apartamento notei que parecia um lugar bem mais evoluído que Petropavlovsk. O conjunto de apartamentos onde ficamos não se parecia com a Cohab russa de Petrô – se você não entendeu, dá uma olhada nesse post. Era um lugar bem mais amigável, por fora e por dentro.

O dono do lugar era novo, devia ter nem 25 anos ainda. Mas gerenciava uns apartamentos, não sei se da família ou de forma autônoma. Fato é que ele e a namorada falavam inglês e eram bem simpáticos. Foram nos receber no apartamento quase 1h da madrugada felizes e saltitantes. Nos deram algumas dicas do que fazer e depois não os vimos de novo.

O apartamento era tranquilo, não muito diferente do outro em termos de conforto e comodidades. Tudo bem ok. Nos dois casos, a maior aventura dentro do apê foi usar a máquina de lavar roupa….hahaha Mas deu tudo certo no final das contas. 😉

Depois da chegada, descansamos e nos preparamos para explorar a cidade nos dias seguintes.

Иркутск, uma cidade antiga

Fundada em 1661, Irkutsk é 42 anos mais velha que São Petesburgo e foi criada para facilitar o comércio de ouro e peles. Isto porque a cidade fica no encontro de dois rios, o Irkuta e o Angara. O primeiro deu o nome à cidade.

A cidade serviu ao longo da história de local de forte comércio entre Rússia e China. Nos anos mais recentes, do século XIX pra cá, acabou por virar um pólo cultural e científico. Por conta disso, é um dos destinos mais procurados pelos turistas que vão para Sibéria.

E não só por isso, não muito distante de Irkutsk está um dos lagos mais profundos do mundo, o Baikal. Mas falarei dele mais adiante, güenta aí! 😉



Irkutsk não é muito grande e estávamos bem localizados, então, para explorar a parte mais turística da cidade, seguimos para lá a pé mesmo. Claro, como eu sempre digo aqui pelo blog….eu gosto de andar e Edu também. (rs)

Tem bastante prédio bacana para conhecer em Irkutsk. Nós seguimos pelo centro histórico onde topamos com vários deles e depois andamos até a parte do porto que é bem ampla. De um lado está o rio e do outro a avenida com alguns prédios históricos bacanas, como é o caso da Catedral da Epifania.

A catedral de Irkutsk
A catedral de Irkutsk

Bem pelo meio dessa orla existe um enorme portal, é o Portão de Moscow. Fica localizado no penhasco mais baixo do Rio Angara e foi construído em 1811 para marcar o reinado de 10 anos do Imperador Alexandre. Ele recebe esse nome, pois marca a entrada da cidade para quem vem da parte européia da Rússia.

Portão de Moscow em Irkutsk
Portão de Moscow em Irkutsk

Andar por Irkutsk é agradável e tranquilo. Mesmo que tentássemos nos perder, é bem fácil se localizar por lá. Além disso, a cidade é plana o que torna tudo muito mais fácil. A cidade tem poucos prédios e muitas casas, a maioria é casa antiga de madeira e está mais pra lá que pra cá, como é o dessa aqui embaixo.

Tudo isso dá um charme bem peculiar à cidade. Irkutsk é intrigante. Não saberia dar um adjetivo melhor. Em outro dia descobrimos uma parte mais chiquetosa da cidade, uma espécie de Malecón que tinha diversos restaurantes chiques onde comemos uma comida típica da Geórgia bem boa chamada Khinkali. É uma espécia de trouxa de massa de macarrão gigante recheada com carne….beeeem boa! <3

Nessa parte da cidade existiam muitos restaurantes chiques, pessoas arrumadas e turistas passeando pra lá e pra cá e um enorme tabuleiro de xadrez no meio disso tudo. Bem bacana!  

Conseguimos passear bem por Irkutsk, tinham cafés bacanas, as pessoas me pediam informação na rua em russo….eu adorei cada dia que passamos lá! Mas não ficamos só na cidade.

O lago Baikal, casa do Colossus

Vista panorâmica do Lago Baikal
Vista panorâmica do Lago Baikal

Ok, se você não é muito nerd como eu, não vai entender esse título…hahaha Mas, eu cresci vendo X-Men na TV e um dos personagens era da Sibéria, exatamente do Lago Baikal.

Quem disse que Marvel não é cultura?! Bem, eu só sabia isso sobre o lago, que era a terra do Colossus e que era um dos lagos mais profundos do mundo e com o maior volume de água.

Antes de ir conhecer, resolvi pesquisar um pouco mais sobre lá. O lago Baikal era conhecido como o Mar do Norte na China Antiga. A Europa não sabia muito do lago até que houve a expansão da Rússia para a Sibéria no século XVII. O lago Baikal é cercado de montanhas e eu estava bem ansiosa para conhecer.

Pois bem, nós resolvemos explorar o sistema de transportes de Irkutsk e pegamos um micro ônibus até lá. A viagem correu tranquila e sem contratempos. Chegamos e estava um friiiiiio do caramba. Pelo menos para gente.

Como era o verão deles foi fácil ver pessoas de maiô e sunga “se refrescando” no lago, enquanto eu e Edu estávamos de casaco….hahaha A praia do lago é toda de pedra, então as pessoas não usam cangas, mas sim pequenos colchonetes para terem mais conforto. No lado oposto a água, ainda na “praia” existem várias cabanas de madeira com mesas e bancos onde as pessoas ficam sentadas comendo e bebendo. 

Andamos pela orla, que não é muito grande, e lá pro final tinha uma feira. Entramos e eis a melhor descoberta que fiz até agora na Sibéria. Além das barraquinhas de artesanatos, tinham várias barracas vendendo peixe. E muitos eram peixes defumados, vi um monte de gente comendo. Quis comer!

Peixe defumado de Irkutsk
Peixe defumado de Irkutsk

Edu não quis, então comprei um pra mim. A mulher colocou dentro de um saco, desses de compra comuns mesmo, e me deu. Nooooossa, já estou salivando só de lembrar. A cena em si não é bonita, mas como é gostoso! Esse peixe é local, chama khairus e eles fazem defumado. É muito bom!

Edu acabou experimentando e compramos mais um. Daí sentamos num lugar para tomar umas cervejas e o peixe é o acompanhamento perfeito! Além de ser super barato. Queria ter comido mais… Fica a dica, se for ao Lago Baikal, coma khairus defumado!

Ficamos por lá por algumas horas, mas como não tinha muito o que fazer, já no fim da tarde voltamos para Irkutsk. Foi um dia agradável, apesar do frio. É um lago impressionante, parece mar de tão grande e não é pra menos já que são 31 500 km².

Foi um dia agradável e uma boa forma de encerrar nossa estadia por Irkutsk e pela Sibéria. Agora era hora de seguir em frente…ou melhor, pro sul. (rs)

Programando a saída de Irkutsk para Ulaanbaatar

Perto dos monumentos e prédios mais turísticos de Irkutsk, existem placas com os nomes das paradas e linhas doe nibus e bondes, mas tudo em cirílico…hahaha Nós queríamos ir até a estação de trem para já saber da passagem pra Mongólia e vimos que daria pra chegar de bonde.

Perguntamos num café onde uma menina falava um pouco de inglês, eu gastei meu pouco russo com uma senhora numa banca de jornal e no fim, conseguimos pegar o bonde certo…e nem precisamos pegar o bonde andando, viu!? Tum Dum Tissss

Entramos, sentamos e ficamos sem saber se estávamos infringindo alguma lei, já que não tinha nenhum lugar fora ou dentro do bonde para comprar passagem, mas eis que uma senhorinha aparece cobrando os passageiros e tudo deu certo.

Estação de trem de Irkutsk
Estação de trem de Irkutsk

A estação de trem é até bonita por fora, mas é meio confusa e cheia por dentro. Demoramos a entender e achar onde era o lugar para comprar a passagem de trem para Ulaanbaatar. Quando chegamos, a vendedora não falava uma vírgula de inglês…mas demos sorte! Uma menina, coreana, estava comprando passagem para ela. Ela falava um tanto de russo – e inglês obviamente – e nos ajudou a comprar a passagem.

Ela contou que era missionária e estava viajando por conta disso. Naquele dia a missão dela de nos ajudar foi muito bem sucedida….(rs) Imagino por onde ela está hoje em dia.

Bem, com a passagem comprada, restava aguardar o dia para embarcar. Na saída da estação eu precisava ir ao banheiro e lá fui eu. E me deparei com meu primeiro “banheiro turco” da vida. Esse tipo de banheiro é um buraco no chão, não tem vaso sanitário como vemos no ocidente…parece estranho, mas é suuuuuuper prático! Principalmente pra mim que só uso vestido…hahaha

Irkutsk foi uma cidade bem bacana e simpática. As pessoas então são ainda mais bacanas! Tentavam sempre ajudar e entender o que precisávamos. <3

Deixei a Sibéria, e Irkutsk, cheia de vontade de voltar e conhecer mais. E louca para aprender russo, eu A-D-O-R-E-I o idioma. Mas agora era hora de pegar um trem e seguir para a terra de Genghis Khan…  Próxima parada: Ulaanbaatar. 




Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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