Ulaanbaatar, Ulan Bator…Eis a capital da Mongólia.

Estátua no palácio do Parlamento em Ulan Bator

A capital (peculiar) da Mongólia:
Ulaanbaatar, chegamos!

Depois de uma viagem tranquila de trem desde Irkutsk, na Sibéria, chegamos em Ulaanbaatar, ou Ulan Bator, numa manhã clara e fria. Assim que chegamos um taxista nos abordou falando um pouco de inglês, quase nada.

Conseguimos nos entender para onde estávamos indo e que precisávamos sacar dinheiro. Dentro da estação de trem tinham diversos caixas eletrônicos e consegui sacar dinheiro sem problemas.

Geralmente eu faço uma pesquisa antes de sacar, vejo em cada caixa qual é a melhor taxa para só então escolher qual caixa usar para o saque. Mas estávamos sem tempo, então não consegui fazer minha pesquisa nessa hora, mas tudo bem…mal sabia eu que ainda teria muito tempo para isso.

As primeiras impressões de Ulan Bator

Pois bem, o táxi nos levou até o lugar que ficaríamos. A estação de trem era grande e até que interessante, mas foi só começar a sair de lá para ver como Ulaanbaatar era uma cidade feia.

Veja bem, eu sou uma pessoa otimista e sempre vejo o lado bacana em situações ou lugares difíceis, mas na Mongólia foi um pouco difícil ver alguma beleza. A cidade é feia mesmo. Uma bagunça que vai desde a calçada até o meio da rua. É diferente de tudo que vimos até agora na viagem.

Petropavlovsk-Kamchatsky era mais bonita que Ulaanbaatar, ou menos feia dependendo do ponto de vista. E veja bem, a primeira é uma cidade isolada do mundo enquanto a segunda é a capital de um país! Imagina só…

Chegamos no Airbnb que eu tinha reservado numa das principais vias do bairro, a Peace Avenue. O condomínio se chamada American Denj, ou em cirílico “Америкah ДЭНЖ”. Conforme o táxi avançava pela Peace Avenue deu pra notar a contradição constante da cidade.

Na rua anterior da rua onde era o condomínio tinha um hotel super chiquetoso, o Kempinski Hotel Khan, com diárias pra mais de R$500. E então, na esquina seguinte era a rua do American Denj. Ao entrar por ela, vários prédios que me fizeram lembrar os conjuntos habitacionais populares do Brasil.

E então, ao avançar pela rua ele chega na entrada do condomínio. Que não era muito promissora…mas os prédios eram mais bem cuidados que os que vi pelo caminho. Era visivelmente um lugar de classe média.

O que não quer dizer que no geral era muito mais bonito que o entorno não. Eram alguns blocos de apartamento bem altos, passamos por uma pracinha para crianças e lá no final de tudo, era o prédio em que ficaríamos.

Para abrir a porta da entrada havia um painel de senha eletrônica. Por dentro o prédio era mais moderno que a Cohab russa de Petropavlovsk. E claro, por conta da altura, tinha elevador. Definitivamente, um lugar de classe média. Próximo a um hotel cinco estrelas e do lado de um conjunto habitacional onde claramente as pessoas não eram abastadas.

É um contraste muito grande em apenas um quarteirão. Mesmo sendo do Rio de Janeiro e vendo contrastes próximos, afinal favelas e prédios de classe média (ou média alta) ficam entrelaçados nos bairros cariocas, é diferente em Ulaanbaatar. Difícil descrever, então talvez essas imagens ajudem a entender:

Pois bem, depois desse impacto inicial era hora de conhecer o apartamento!

Como é viver em Ulaanbaatar

Quando chegamos fomos recebidos pelo Muuji, o dono do apê. Ele falava inglês muito bem, pois tinha ido estudar e trabalhar fora. Era um cara super simpático e prestativo! O apartamento era grande e tinha as principais comodidades: Wi-Fi, máquina de lavar, TV e tudo mais.

A cozinha era pequena, com um fogão elétrico, mas que atendia bem a necessidade. Muuji era um cara bem falante e deu várias dicas de coisas pela cidade, das que interessam mesmo, como pubs e comidas. (rs)

No primeiro dia tudo estava bem. Até que no segundo dia a água quente acabou!! E não é frescura, apesar de verão…tava frio! Daí lá fui eu falar com o Muuji. O que acontece é que todo verão a prefeitura troca as instalações de gás da cidade. Segundo o Muuji é uma forma de gastar dinheiro e superfaturar obras para cada um “levar o seu”. Enfim.

Eles faziam essas trocas por áreas, e não tudo de uma vez. Pois bem, calhou de estarem fazendo na área onde estávamos. O Muuji disse que o primo dele tinha um apartamento que alugava no Airbnb também onde poderíamos ficar. E lá tinha água quente.

Então, lá fomos nós. Esse condomínio era bem maior que o primeiro, mas o estilo dos prédios e apartamento era igual. O que diferenciava esse do primeiro é que ele era mais afastado e por isso tinha muitas mercearias no próprio condomínio. Bem embaixo do prédio em que estávamos tinha uma.




Não existem supermercados por lá como no Brasil. O que existem são essas mercearias. No American Denj a que tinha era do lado de fora do condomínio, mas bem na frente. E tinha uma maior do outro lado da Peace Avenue.

E bem, não tem muita carne por lá não. Eu vi umas partes estranhas de frango, os pés foi a que consegui identificar mais fácil…hahaha Como eu não consegui entender muito bem o que eram as coisas, comprei uma espécie de almôndega pra fazer com macarrão. (rs)

O Muuji estava contando que por lá eles comem uma espécie de rato, mas que é quase uma roleta russa, porque a chance é de 50/50 em morrer já que os ratos podem transmitir doenças fatais. Daí perguntei: Mas então por que comer? E ele só respondeu rindo: Porque é uma delícia! hahaha Acreditei nele.

Ele contou sobre outro prato típico e esse sim fiquei com vontade de comer (quem for vegetariano, pule pro próximo parágrafo, por favor). Por lá eles matam o cordeiro e então abrem a barriga, tiram as entranhas e colocam pedras encandecentes e costuram. E deixam o cordeiro cozinhando de dentro pra fora. Deve ser uma delícia!

Mas é comida que só se faz para os turistas atualmente. Tinha no hotel ao lado onde estávamos, mas era super caro. Um dia tenho que voltar a Ulaanbaatar só pra comer isso…e pra experimentar a bebida nacional: airag, que nada mais é que leite de égua fermentado. MUCHO LOKO! Por aí você imagina como é a galera por lá…(rs)

No nosso segundo dia nesse novo apê…BAM! A água quente também tinha acabado. Daí o Muuji disse que ia voltar no apê dele no ooooutro dia. Moral da história, ficamos uns dois dias com água gelada e voltamos pro apê do Muuji. (rs)

Pois bem, nossa ideia já não era ficar muito tempo em Ulaanbaatar, queríamos apenas conhecer a cidade e tirar nosso visto para a China…mas quem diria que seria algo tão difícil!!!

Morar em Ulaanbaatar não é fácil, mesmo para quem é classe média. Não há grandes mercados por perto, a oferta de opções de comida são mais limitadas e tem toda essa questão de manutenção das instalações durante o verão.

Antes de chegarmos até a cidade eu tinha pesquisado um pouco sobre lá e vi que Ulan Bator é a capital mais fria do mundo. Muuji confirmou que é frio PRA CACETE! Durante o inverno a cidade já chegou a atingir temperaturas de -40ºC, sem contar que não chove quase nunca por lá!

“Winter is coming” é fichinha perto do inverno mongol.

Pois bem, a grande maioria da população é pobre e nômade. Muitos saíram das áreas rurais tentando vida melhor na capital. Essas famílias se instalam em seus iurtes – uma espécie de tenda – nos morros que circundam a cidade. Esses morros são esses que dá pra ver um pouco na foto aqui embaixo:

E então, quando o inverno chega rasgando é preciso aplacar o frio. Para isso eles fazem fogueiras, queimando carvão em casa. Mas o frio é tanto, que é preciso manter o fogo constante! E a quantidade extrema de carvão queimado levanta tanta fuligem que toda essa fumaça desce para a cidade e ninguém consegue ver nada…nem os morros, muito menos um palmo adiante. Parece que a coisa é sinistra!

Por conta disso, a capital mais fria do mundo também é a capital mais poluída! Mais que Beijing. E diferente dos chineses os mongóis não usam máscaras. São mais V1D4 L0K4.

E essas características também interferem em outra questão do dia a dia: locomoção! A maioria dos carros por lá é elétrico. Em parte pela poluição, em grande parte pela economia e por último porque são carros que funcionam melhor durante o inverno.

O Edu fez um texto bem interessante, e muito mais aprofundado que o meu parágrafo, sobre essa questão dos carros elétricos por lá. Vale conferir aqui! 😉

Deu pra notar que a vida por lá não é fácil, né? Talvez uma das coisas mais “fáceis” é se locomover. A cidade é plana e andamos bastante a pé. Claro, há muito engarrafamento, mas não é difícil conseguir um táxi por lá. Isso porque qualquer carro é táxi! Isso mesmo que você leu.

Uber lá tem a menor chance (rs). Imagine que você está na rua e precisa ir pra estação de trem, só levantar o braço, o carro para e pergunta pra onde você está indo, se ele estiver indo pro mesmo lado, ele te leva. Daí você vê quanto o taxímetro estava quando entrou, quanto está na saída e paga 4.000 tugriks por quilômetro rodado, simples assim!

Dessa forma, qualquer pessoa descola um $$$. Claro, teve gente que não entendia pra onde estávamos indo, mas no geral, a gente se virou bem. Existe serviço de táxi e usamos em dias que tínhamos horário marcado, mas no geral nos viramos com o Uber raiz! (rs)

O que fazer e ver em Ulan Bator

Bem, estávamos na capital do país! Então, saímos alguns dias para explorar a cidade. Uma das atrações turísticas mais famosa por lá é a estátua de Genghis Khan que fica longe, longe à beça. E pra chegar lá tem que pagar pacote com alguma agência de turismo…enfim, parecia uma baita armadilha de turista.

Nem eu, nem Edu nos animamos de ir até lá conhecer. Mas se você tiver curiosidade sobre como é essa estátua, você pode ver um pouco nesse vídeo aqui:

Sei que parece bobagem, estar no país e não ir a certo ponto turístico, mas a gente é assim mesmo…(rs) Ainda mais depois da decepção que foi a MItad Del Mundo, no Equador.

Pois bem, quando o Muuji estava nos levando de uma apê pro outro, vimos um pouco da cidade e passamos pela parte mais central onde um prédio enorme e super diferente chamou nossa atenção. Era o prédio do parlamento!

Então no nosso primeiro dia de passeio para desbravar a cidade queríamos logo ir lá. E seguimos a pé até a Genghis Square onde o Parlamento está. O prédio do Parlamento é muito loko, diferente de tudo que vi até agora, e não podia ser diferente já que a própria cidade é diferente de tudo que vi até agora.



A Genghis Square é grande, mas nada comparado ao Zócalo da Cidade do México. É uma praça ampla com um prédio muito imponente. E o mais interessante é que o prédio do Parlamento é algo eclético. Tem concreto, pedra sabão, vidro…ao olhar, é muito difícil dizer de que época é. No meio do prédio há uma enorme escultura do próprio Genghis Khan, sentado olhando para a praça. Ao lado dele, de guarda um pouco mais a frente, dois cavaleiros/soldados estão montados a cavalo. São esculturas tão bonitas quanto a do próprio Genghis Khan.

A praça estava bem movimentada. Tinha lido um relato em outro site dizendo que Ulaanbaatar era violenta, que era normal assaltos a turistas…mas não me passou nada. E não vi nada também.

Andamos bastante por essa parte do centro, mas é só sair da quadra da Genghis Square que o contraste de Ulan Bator volta a ferir os olhos.

No geral é uma cidade que se nota ser bem sofrida, as pessoas não são tão simpáticas quanto em outros locais do mundo e acho que é justamente pela cidade ser áspera. Isso influencia os habitantes, não tem como.

Pois bem, para esse post não ficar quilométrico, guardo uma história de intrigas, aventura, ação e romance para o próximo post: Como foi tirar o visto da China em Ulaanbaatar!

Vejo você semana que vem. 😉




Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

4 Comments

  1. Ulan Bator a capitalzona do país de topografia invocada, ora extremamente nivelada ora imponentemente elevada em maciços e contrafortes dispostos suaves em vales e vastidões que enlevam corações. É que a magnitude de Deus assenhoreando nossa pequenez nos confunde no desenho imenso da superfície variadíssima do planeta onde provisórios fomos colocados. Se assim, colados e presos ao solo de um imenso globo ficamos extasiados, quanto mais não ficaremos quando desprendidos navegaremos na eternidade de terceiros Céus para cujas visões os humildes outrora incorporados serão contemplados…:)

  2. Estou na região de Dornod province, leste Mongólia perto da China e da Russia. Os padrões são incomuns, o nivelado sem fim, uma só paisagem 360°. Magnífica a coisa. Vegetação rasteira não fechada inarredavelmente a mesma alternada entre o verde e o cinza de presença única e absoluta açambarcando a vastidão. Solo silto arenoso mais arenoso que siltoso. Os caminhos implantados o são pelos pneus que simplesmente sulcam o solo e mudam para rotas paralelas conforme se aprofundam. Não se vê nada ao derredor sendo que o nada é o tudo soberano e magnífico…:)

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