Tirando o visto para China em Ulaanbaatar

Pois bem, estávamos em Ulaanbaatar e a princípio não ficaríamos muito tempo na cidade só o tempo necessário para tirar o visto para China. Mal sabíamos que teríamos uma pequena via crucis pela frente.

Então, resolvi fazer esse post dedicado só para essa história. Não porque eu quero causar ou dar uma de coitadinha, mas acho que é útil para quem tiver a mesma ideia que a gente já poder ir se preparando. 😉

Bora parar de enrolação e seguir para essa história de amor, ódio, aventura, suspense, drama AND comédia. (rs)

Como proceder para tirar o visto da China fora do Brasil

Talvez você não saiba, eu por exemplo não sabia até começar a viagem, que é possível tirar o visto da China fora do Brasil. A gente tinha cogitado tirar em Nova York , mas na Embaixada disseram que seria preciso ter a passagem, hospedagem e tudo mais em mãos.

E como não tínhamos uma previsão certa de quando chegaríamos por lá, decidimos deixar o processo para quando estivéssemos em Ulaanbaatar.

Para tirar o visto de turista você vai precisar comprovar que está indo para o país a passeio. Para isso é preciso ter passagem de saída comprovada, hospedagem confirmada para os três primeiros dias em Beijing (no nosso caso era lá que chegaríamos), o passaporte e uma carta convite de alguém da China.

Pois bem, tendo isso em vista, lá fui eu atrás dos paranauê pra poder fazer o pedido do visto. Nós sairíamos de trem. E compramos a passagem direto na estação de Ulanbator. Isso foi fácil.

O que não contávamos é que só tinha passagem pra mais de duas semanas adiante. O mau agouro começou por aí já….hahaha

Bem, eu pesquisei algumas agências de viagem que já estavam habituadas a ajudar quem ia pedir visto para China. Achei uma e mandei e-mail enquanto ainda estava na Sibéria. A moça respondeu e disse que poderia fazer o trâmite de passagem e hotel. E fiquei de passar lá quando chegássemos no país.

E foi o que fizemos. Como eu disse em outro post, a capital da Mongólia não é um lugar muito bonito. Nós seguimos para a agência de viagens, andamos um pouco, nos perdemos um tantinho e finalmente achamos o prédio. Um prédio velho e feio que parecia fachada de bordel. (rs)

Chegando lá conversamos com a moça e dissemos que não conseguimos passagem de trem para os dias seguintes, ela conseguiu então duas passagens para a sexta feira de outras semana, isso era uma quarta-feira. Ok, era o que tínhamos!

Além disso, ela reservou um hotel em Beijing e nos deu a carta convite, que foi emitida pela agência parceira deles na China. Só não tínhamos mesmo era a passagem da volta. Até porque sairíamos de Beijing para Shanghai e de lá não tínhamos mais planos.

Então, com tudo resolvido com a agência de viagens, saímos andando pela rua pensando em como resolver essa questão. Passamos por algumas agências de passagem aérea. Entramos, Edu conversou com as vendedoras e ninguém quis nos dar apenas uma reserva, queriam mesmo era vender a passagem de volta.

Já no fim das esperanças, vi uma agência de uma cia. aérea de lá e falei pro Edu que ia entrar e tentar. Ele desacreditou que eu conseguiria já que até então só tinha dado azar. 15 minutos depois, saí com duas reservas de passagem de Beijing para São Paulo. (rs)

Uhu!!!

Com todos os documentos resolvidos, só faltava tirar nossa foto para o visto e imprimir o formulário de requerimento preenchido (não pode ser a mão!!!). Nós caminhamos mais um tanto e descobrimos um shopping que mais parecia uma Macy’s versão mongol. Lá tiramos nosso foto e consegui imprimir os formulários! Pronto, agora era “só” ir pra Embaixada da China.

Na Embaixada da China: cada um por si!

Quando estávamos na agência de viagens a moça disse que era bom a gente chegar na Embaixada bem cedo, porque eles tinham uma cota de atendimento por dia. E eram 15 para estrangeiros e uns 45 para os mongóis.

A Embaixada abria 09h e só atendia até 12h00, mas nos aconselharam chegar lá às 06h. E foi o que fizemos. Quando chegamos lá tentamos achar onde era a entrada, e não era no portão principal. Também não tinha nenhuma indicação, mas deveríamos ir para uma porta na lateral do prédio.

Quando chegamos já tinha um pessoal por lá. Aqui vale explicar que China está para a Mongólia como o Estados Unidos está para o México. Ou seja, muitos estudantes migram para a China em busca de escolas e cursos melhores.

E pelo que entendi, a galera que estava lá era para isso. Parecia que tinha um despachante com eles que tentava organizar o pessoal. Até então, só eu e Edu éramos os estrangeiros por lá.

Era de manhã cedo e mesmo sendo o verão mongol, estava um friiiiiio que pelo amor de Genghis Khan! Principalmente porque onde estávamos era sombra…(rs) No sol, láááááááá na esquina, era menos pior. Mas não dava pra ficar lá senão perderíamos o lugar na fila.

Depois de mais uma hora lá parados (parados não, tremendo no frio) esperando dar a hora de abrirem as portas de esperança, chega um casal de estrangeiros. Americanos, mais precisamente. Papo vai, papo vem e do lado de lá da porta começa a se aglomerar uma galera, até onde entendemos, a maioria era estudante.

E então chegaram mais alguns gringos. Um cara do Texas que era casado com uma mongol e ia renovar o visto de turista, o casal de viajantes, um indiano que não falava muito e mais alguns gatos pingados. .

O tempo passando e quando foi chegando a hora de abrir a porta da imigração, um fuzuê começou a se formar na frente da porta. Um cara que ficou conversando com a gente desde cedo tentou furar a fila e entrar na nossa frente, tinha uma mulher russa que chegou uns 15 minutos antes de abrir a porta e tentou furar a fila na cara dura. Como ela sabia falar o idioma, ficava tentando convencer o guarda de deixar ela passar na frente. Aí quem tava na fila dos estrangeiros ficou reclamando e começou uma baderna.

Do outro lado os nativos também estavam se amontoando e em poucos minutos a porta da Embaixada parecia uma cena pós apocalíptica com todo mundo se amontoando e falando ao mesmo tempo…e num idioma que eu não entendia nada! (rs) 

– Me deixa entrar!!!!!!

O guarda começou então a distribuir senhas para o pessoal nativo do outro lado da porta, e aí distribui senha para os estrangeiros. Pegamos a nossa e ficamos lá esperando. Depois de uma organização bem desorganizada deles, entramos. A russa? Conseguiu entrar…

E aí começou a segunda batalha!

Por dentro da Embaixada: os pequenos poderes

Quando entramos os guardinhas separaram o pessoal em filas, mandaram a gente pro último guichê e alguns dos outros estrangeiros ficaram no primeiro. Era uma área bem pequena com uns quatro guichês e uma mesa no meio cheia de formulário de requerimento.

Ficamos lá pacientemente esperando nossa vez. Na outra fila o casal de estrangeiros foi atendido mais rápido. E o funcionário da Embaixada encrencou porque eles tinham uma carimbo de viagem pela Turquia.

O funcionário queria saber se a viagem que fizeram para Turquia era apenas turística mesmo. Isso porque o governo chinês estava em uma treta política com o governo turco. Resumo da ópera, eles tiveram que sair da Embaixada para acessar as redes sociais e imprimir fotos da viagem que tinham feito para Turquia! o.O

Como não havíamos passado pela Turquia ainda, nem nos incomodamos com isso. Um dos rapazes na nossa frente teve o mesmo problema do casal. E então, depois de um boooom tempo e de nativos furando a nossa fila, fomos atendidos.

Quando chegou nossa vez, entregamos nossa senha e mostrei para a funcionária todos os documentos que tinha separado. E aí a lenga, lenga começou. Ela pegou tudo (e tinha separado tudo que estava listado no site da Embaixada) e aí solta um: Mas cadê a cópia do passaporte??

Questionei, mas não teve jeito. Então, saímos pra ir atrás de um lugar pra tirar xerox. Claro, tinha um bem perto da Embaixada. E conseguir uma xerox era batalha campal! Mas conseguimos.

Voltamos e o guardinha nos deixou entrar. E tudo de novo. Entramos na fila, entregamos os papéis…”Cadê a cópia da passagem??” Eu falei que ela podia ficar com aquela, mas não teve jeito.

Dessa vez, Edu ficou lá e eu saí pra ir tirar cópia. Resumo da ópera, tive que sair umas três vezes. Na última vez em que voltei a tal russa que tava causando na fila lá fora começou a causar lá dentro. E então, quando chegou de novo a nossa vez, a atendente perguntou: “Onde está a senha de vocês?”.

Falamos que entregamos a senha logo no primeiro atendimento (e ela sabia disso), mas ela disse que tínhamos que ter outra senha, mas o guarda não deu outra senha quando retornei, mas ela disse que tínhamos que ter e ainda fingiu que não demos senha no primeiro atendimento, Edu se exaltando falando que a senha tava ali do lado dela, ela fingindo que não sabia…conclusão, a atendente disse que não ia atender mais nenhum estrangeiro naquele dia!!! Tínhamos nós e mais umas três pessoas ainda pra ser atendidas.

Aí tentamos conversar, bateu o desespero, a atendente não arredou a decisão e fomos todos colocados pra fora pelo guarda. Isso era sexta-feira…nos disseram para voltar na segunda. E ali achamos que tudo estaria perdido.

“Você está chorando?”

Voltamos para casa derrotados e tivemos um fim de semana de expectativas e desânimo. Só nos restava esperar chegar a segunda-feira. A impressão que fiquei depois desse episódio era que a atendente tinha pelo poder de fazer o que queria. Como tinham muito nativos para atender, ela simplesmente não quis mais atender os estrangeiros e perder tempo.

Também acho que ela ficou puta da vida com a mulher russa e todo mundo pagou o pato. Nós já tínhamos comprado a passagem e estávamos já pensando num plano B caso não o visto não saísse. Edu estava pessimista, mas eu sempre sou otimista! E foi nesse misto de expectativas que seguimos para Embaixada de novo na segunda-feira.

Round 2: Fight! De volta à Embaixada

Na segunda de manhã bem cedo, seguimos para a Embaixada. Frio, sono e mal humor nos acompanhavam. Quando digo frio, é frio mesmo, pois estava 2C! E isso é o VERÃO deles, hein! hahaha

Bem, vimos alguns rostos familiares na fila e muitas pessoas novas. Três russos gente fina estavam por lá e ficamos conversando.

A baderna de tentarem furar fila se repetiu tal qual na sexta-feira. A gente já estava ligado e assim que o cara começou a distribuir senhas eu peguei uma e Edu pegou outra, por garantia. Uma inglesa ficou chiando dizendo que pegamos duas senhas, mas que estávamos juntos (sendo que ela chegou 15 minutos antes do portão abrir) e isso tava errado…nem demos ouvidos.

Senha para entrar na embaixada da China
My precious!!!

O portão finalmente abriu e lá fomos nós. Quando entramos eu queria escapar da atendente da sexta, mas nos colocaram na fila dela. Acho que ela devia ter o melhor inglês, por isso os estrangeiros eram atendidos por ela.

Quando chegou nossa vez e as pernas já estavam tremendo, ela olha pra mim toda simpática reconhecendo a gente, pergunta que horas chegamos, se estava muito cheio lá fora, pega os papéis, mal olha e diz que nosso visto ficaria pronta na sexta, a tempo de viajarmos no sábado!

Foi coisa de menos de 5 minutos de atendimento e tava tudo resolvido! Nem parecia a mesma mulher. Ficamos de cara. hahahaha E super aliviados. Quando chegou a sexta-feira, fomos a pé mesmo pra Embaixada, pois o horário para buscar não precisava ser cedo.

Pegamos nossos passaportes com o visto e resolvemos celebrar! Paramos em um bar meio pub e pedimos cerveja, mas naquele dia era proibido vender bebidas alcoólicas! hahaha Edu comemorou com um milkshake de banana e eu com um chá. (rs)

Tomando um milkshake de bana
No primeiro dia do mês é proibido vender bebida alcoólica na Mongólia! O lance foi comemorar com milkshake mesmo…(rs)

O visto que pegamos era para uma entrada no país e poderíamos ficar por 30 dias. Existe a possibilidade de conseguir vistos mais longos e com entradas múltiplas, mas não tínhamos necessidade para essa viagem de agora.

E depois de toda essa saga, era hora de seguir para a China! E, claro, aproveitar a viagem na Transiberiana! Mas isso é história para o próximo post. 😉

Próxima parada:  Beijing !

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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