Viajando de trem da Mongólia para China

Viajando pela Transiberiana (parte II):
desde Ulaanbaatar até Beijing

Trem da Mongólia para China

Viajar de trem é definitivamente minha forma favorita de viajar. Geralmente os trens passam por paisagens em que o ônibus não tem acesso e o avião então nem se fala, né? E viajar pela Transiberiana (pelo menos por alguns trechos dela) não decepcionou!

Até então nós já tínhamos viajado de trem pelos Andes, depois pegamos um trem da praia até o deserto mexicano, andamos pra lá e prá cá de trem nos Estados Unidos…e chegamos em Ulaanbaatar por uma parte da Transiberiana!

Agora era hora de entrar na China (depois de toda saga para tirar o visto) de trem! E lá fomos nós…e não fomos sós. #spoiler Então, senta que lá vem história…ou quase (rs).

Um pouco sobre a Transiberiana

Bem, como eu não sabia muito bem a história dessa ferrovia antes de começar a viagem, achei que poderia ser útil trazer aqui pra você, já que não falei muito dela no post da viagem de Irkutsk para Ulan Bator. =)

A Transiberiana, ou Транссибирская магистраль em russo, é a linha de trem que liga a parte européia da Rússia com o extremo oriente russo. E nessa ligação a linha passa pela Mongólia e China.

Mapa da Transiberiana

É a estrada de ferro mais antiga da Rússia e a maior do mundo! Ela foi construída entre 1891 e 1916 e no começo era uma rota para as cargas e exportações russas. Hoje a Transiberiana ainda responde por 30% das exportações do país.

O transporte de passageiros só aconteceu em 1916 quando a ponte sobre o rio Amur foi concluída.

A construção de uma ferrovia dessa dimensão foi importantíssima para o Império Russo. Prova disso é o fato de que o príncipe Nikolái Aleksándrovitch, por incumbência do tsar Aleksandr III, esteve presente na missa celebrada para o lançamento das bases da ferrovia.

A Transiberiana tem mais de 9.000 km e corta 8 fusos horários diferentes!! Quem quiser fazer o trajeto de ponta a ponta vai levar alguns dias no trem… Uma das coisas legais de saber é que o que geralmente conhecemos como Transiberiana, são na verdade três grandes trajetos diferentes.

Oficialmente, a Transiberiana começa em Yaroslavl, que fica em Moscou. Quando chega em Irkutsk, já na Sibéria, o trajeto de divide em dois. Um dos braços do trajeto é a Transiberiana que segue até Vladivostok. O outro braço é a Transmanchuriana, que segue até Beijing.

Há ainda mais um braço da Transiberiana que sai de Irkutsk para Beijing passando pela Mongólia. E foi esse trecho que pegamos e que vou contar nesse post. 😉 

Algumas horas entre desertos, trilhos e camelos

Nossa viagem começou pela manhã. Seriam 28 horas pela frente. Mas pra gente isso é tranquilo! Quando compramos a passagem, só tinha disponível na parte de cima da cabine, ou seja, imaginamos que não iríamos viajar sozinhos, como foi no trem de Irkutsk para Ulaanbaatar.

E estávamos certos. Quando chegamos na cabine, havia uma mulher mais velha e um rapaz. Imaginei que eram parentes, já que conversavam alegremente. Depois vi que estava certa, eram mãe e filho.

E nesse caso, para nós restavam duas opções, ficar na cama em cima, ou passeando pelo vagão. Eu fiquei mais tempo na cabine, Edu ficou mais tempo do lado de fora.

Pela janela da Transiberiana

Conversei com os dois locais que estavam na cabine. O menino falava um pouco de inglês e me contou que a mãe dele tinha negócios na China e ele estava indo junto para ajudá-la.

O trem segue devagar e por isso dá pra conversar, botar a leitura em dia ou só dormir. (rs) Fiz um pouco de tudo. Papeei um tanto com mãe e filho da cabine, ela era uma mulher super simpática! Quis me dar chá, biscoito…(rs)

Ele contou várias coisas da vida dele e me explicou algo curioso. Notamos que os mongóis se cumprimentam com um aperto de mão quando esbarram no pé um do outro. Ele disse que isso é para mostrar que foi um esbarrão sem querer e não correr o risco de arrumar briga! hahahaha

Durante a viagem o trem passa pelo deserto de Gobi…e então estava eu deitada lá lendo na minha caminha quando o Edu me avisa: olha lá os camelos!!! E eu vi camelos correndo soltos pelo deserto em plena viagem de trem entre a Mongólia e a China…(rs) Pena que nao deu tempo de eu fotografar, o registro desse momento tá só aqui na minha memória. 

Acho que em termos de paisagem, a viagem não é exatamente estonteante. Mas tem seus pontos interessantes, como poder ver camelos! =)  

E aí a viagem foi passando e a fome foi aparecendo. Como no outro trem a gente se ferrou com comida e passou fome, dessa vez eu fiz um monte de sanduíches, comprei uns belisquetes e conseguimos nos virar bem. Ironicamente, nesse trem tinha um bom vagão restaurante…(rs)

Então a noite foi caindo e nós estávamos cada vez mais perto da fronteira. Edu já sabia, mas eu não: a largura dos eixos dos trilhos da Mongólia é diferente do da China. O que isso significa? Que quando o trem chega na fronteira ele para para “trocar o pneu”. (rs)

Quando já era madrugada chegamos na fronteira. O trem parou e o trabalho começou. Enquanto as pessoas ainda estavam a bordo a equipe do trem trabalhava a todo vapor. #TumDumTisss

O que eles fazem é usar uma espécie de macaco mecânico para suspender o trem e então trocar a bitola dos vagões, para poder então conseguir usar os trilhos chineses. Depois eu descobri que essa diferença na largura é proposital. O governo chinês fez os trilhos de largura diferente para que o país não pudesse ser invadido por um trem estrangeiro!!!

Depois desse trabalho que dura umas duas horas mais ou menos, chegamos na fronteira. A estação da fronteira era bonitinha até, mas sem muito a oferecer. Lanchonetes fechadas e uma fiiiila enorme no banheiro. Mas tudo bem, teríamos tempo.

Todo o processo de carimbar e verificar os passaportes é como no trem anterior que pegamos, passa um agente recolhendo os passaportes e formulários preenchidos (esses formulários as comissárias de bordo que dão pra gente) e depois eles devolvem.

Tem a vistoria da cabine como na outra vez e a única diferença é que o processo é mais lento. Mas também acredito que é porque o trem estava muito mais cheio que o que pegamos de Irkutsk para Ulaanbaatar. A maioria dos passageiros eram estudantes indo tentar uma vida melhor na China.

Depois que fomos liberados, não restou muito a ser feito. Todos deitaram, eu li um pouco e logo caí no sono com o embalo do trem. Estava um pouco frio, mas nada insuportável. Consegui dormir bem e sonhar com camelos…(rs)

Quando acordei, já estávamos chegando em Beijing. Eu já gosto de viajar de trem e acho que não teve uma viagem sequer até agora que eu não tenha curtido. Essa não foi diferente. Não teve grandes emoções nem muita paisagem exótica, mas viajar de trem é enfrentar o tédio.

Foi uma boa viagem! Acho que não aproveitei melhor a viagem pela barreira do idioma. Mas quem sabe um dia a gente não refaz a Transiberiana e meu russo já está afiado, além de um pouco de mongol e mandarim? (rs) #SonharNãoCustaNada

E agora? Agora era hora de conhecer o país mais populoso do mundo! China, chegamos. 😉

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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