Venezuela, fronteiras fechadas e um dia a pão e água
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Venezuela, fronteiras fechadas e um dia a pão e água

Venezuela, fronteiras fechadas e um dia a pão e água

Venezuela é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem sentido algum. Pelo menos isso é o que é o que percebi da Venezuela na semana em que permanecemos por lá.

Estávamos em Medellín uma tarde tomando cerveja e numa TV estava passando um slideshow de vários lugares turísticos pelo mundo. Daí passou uma fotos incríveis de uma floresta de relâmpagos e embaixo o nome da cidade: Catatumbo.

Na hora passei a mão no celular e fui ver onde ficava isso. E pra minha (pra nossa) surpresa, ficava na Venezuela. No Lago de Maracaibo existe esse fenômeno em que durante mais de 300 dias do ano relampeja por mais de 8h no dia, às vezes dá pra ver à luz do dia, mas o mais comum é a noite.

É uma questão metereológica-físico-química que faz isso. Existem umas casas de palafita no lago de onde dá pra se observar o fenômeno sem risco algum. Como o Edu já queria ir na Venezuela ver a situação de lá e eu achei esses relâmpagos de Catatumbo sensacionais, lá fomos nós.

Eis o percurso que nós fizemos e vou explicar parte por parte no post. Não quis dividir por cidade, porque acho que perderia o sentido e você vai entender o por quê.

A caminho da Venezuela: na rodoviária de Maicao

Saímos de Barranquilla de ônibus e seguimos até a última cidade mais ao norte que faz fronteira com o país: Maicao. De lá seguiríamos para Maracaibo, já no lado da Venezuela, atravessando a fronteira de Paragachón.

Quando estávamos em Cartagena, conhecemos um casal venezuelano de Caracas que saíram de lá e foram trabalhar na Colômbia. Perguntamos como estavam as coisas e ela disse que em Caracas realmente não estava boa. Ela era gerente de vendas de uma rede de fast-food e agora estava como garçonete em Cartagena.

Mas estava mais feliz e tranquila. Ela se mudou pra cidade com o marido, que é o pizzaiolo do mesmo estabelecimento onde ela trabalha. Ela disse que a qualidade de vida e sossego que estava tendo em Cartagena compensava tudo.

Daí perguntamos como ela tinha vindo, por qual fronteira passou. Ela disse que a que está sendo mais usada é a que faz fronteira mais ao sul, entre Cúcuta (lado colombiano) e San Antonio del Tachira (lado venezuelano).

Perguntamos da fronteira de Paraguachón, mais ao norte e ela disse que até onde sabia estava fechada desde Agosto de 2016 (isso era final de Novembro) e que as travessias acabavam sendo feitas por trochas, que é um caminho ilegal contornando os postos oficias de entrada.

Então, chegou o momento de decidirmos pra que fronteira ir. E por uma questão de tempo de viagem e de planos (nossa ideia era deixar os raios de Catatumbo pro fim), nós decidimos ir pra Maicao e ver qual que era.

Homem na janela de ônibus a caminho de Maracaibo

Pegamos um ônibus em Barranquilla, passamos por Santa Marta (a parte de praias que vale a pena você visitar) e chegamos enfim em Maicao. Descemos do ônibus e já tinha um pessoal oferecendo ida pra Maracaibo. Como estávamos com fome, resolvemos almoçar e decidir se iríamos pra Maracaibo direto ou dormir em Maicao.

A cidade é muito feia e não tava nem um pouco afim de ficar por lá, Edu concordou. Ela foi atrás de ver ônibus para Maracaibo e quando ele volta, me diz que como a fronteira está fechada, não passa ônibus. Mas poderíamos ir de táxi.

E era a nossa única opção. Como não queria dormir lá mesmo, foi o que fizemos. Mas para isso teríamos que trocar nossos pesos.

Fazer câmbio na Venezuela é ilegal, só em bancos ou casas de câmbio é possível. Isso porque o câmbio oficial do governo é $1 (um dólar) por 678 bolívares (a moeda venezuelana). Mas o câmbio negro pode trocar $1 por até 1900 bolívares. Com isso, a moeda de lá têm sofrido muito, já que a maioria não vai usar o câmbio oficial.

Como precisávamos de dinheiro pra pagar o táxi, acabamos fazendo o câmbio ilegal mesmo. Os caras nos levaram para uma salinha escondida e lá fizemos a troca. 200 mil pesos renderam 154 mil bolívares. Ou seja, um pouco melhor do que o câmbio oficial, mas nada como esse preço absurdo que falei acima.

E aí vem a primeira parte curiosa. As notas mais altas de bolívar são as de 100 bolívares. Ou seja, para nos dar 154 mil bolívares eles nos deram paquetes (pacotes, bolos de nota mesmo, sabe?) e mais paquetes de notas. Cerca de mais de 1500 bilhetes de notas de 100 e algumas de 50 bolívares.

Enchemos a mochila do Edu e a minha bolsa de mão. Eles já têm organizado os bolos separados por 10 mil bolívares, para facilitar as transações. É algo surreal! Bem, pegamos nossos bolívares e seguimos para o táxi…e aí começa de fato a nossa aventura venezuelana.

Um ford Conquistador, uma trocha e três bachaqueras

Carros antigos estacionados na rodoviária na Venezuela
Esses são os carros antigos que circulam pela Venezuela, e esses até que estão bem de boas.

Muitos termos diferentes num título só? Guentaí que você já vai saber o que é cada um.

O táxi que pegamos não era assim uma Brastemp…tava mais praquela geladeira velhona que você herda de algum parente e ela mal gela uma maça. O táxis venezuelanos são carros americanos da década de 80. Aquelas banheiras enormes que são maior do que o qualquer  banheiro que já ficamos nessa viagem…rs

Mas não são carros vintage, são velhos mesmo! Detonados. O que acontece é que eles são muito baratos para comprar e o tanque tem espaço para 95 litros de gasolina. E a gasolina na Venezuela é a mais barata da América! Um litro no posto custa 1 bolívar, se você lembra do câmbio oficial de que um dólar é 678 bolívares, então já deu pra entender o quão barato é encher um tanque de um carro desses.

Além disso, como a Venezeula faz fronteira com o país que tem a gasolina mais cara (não, não é o Brasil) esses caras acabam contrabandeando gasolina. Um litro de gasolina na Colômbia pode chegar até R$6 reais.

Então, na verdade, quase todo venezuelano (ao menos todos com os quais falamos) já contrabandeou gasolina.

E lá estávamos nós num Ford Conquistador 85, um carro que era maior que meu primeiro apartamento em São Paulo. Serião! rs Na frente estava o Oscar (o motorista), Edu e eu. E atrás três mulheres que chegaram em Maicao no mesmo ônibus que a gente.

A nossa “passagem” custou 15 mil bolívares para cada um. Quando pagamos com nossos bolinhos de dinheiro reparamos que ele foi separando pequenos bolos de dinheiro pelo painel, no corta-sol, embaixo do banco e tudo que é lugar.

E lá fomos nós. Até chegar a fronteira em Paraguachón ainda era luz do dia. Ele chegou até a fronteira, nós deixou lá com uma das mulheres que também precisaria fazer o processo de migração. Ele disse que acompanharmos ela que ele nos encontraria do outro lado da fronteira.

Fizemos o processo de saída, entrada, encontramos a mulher lá do outro lado e aí fomos esperar o Oscar. Como a fronteira está fechada para carros, nós atravessamos a pé e o Oscar passou pela trocha. Depois de atravessar a fronteira de fato, ficamos no meio da estrada esperando o carro aparecer.

Todos fazem isso e é uma questão de confiança bem grande, porque a gente deixa tudo na mala do carro, né? No fim ele apareceu bem na hora em que chegamos em frente a saída da trocha. Ufa!

Daí ele pegou a estrada e lá fomos nós rumo a Maracaibo. Acelera, anda 500m e para. Um posto policial. Oscar para, fala com o militar do post, discretamente passa um dos bolos de dinheiro cuidadosamente separado e segue viagem.

Acelera, anda mais 500 metros e para de novo. Outro posto e dessa vez o Oscar precisa abrir a mala e nós mostramos nosso passaporte. Mais um bolo de dinheiro sumiu do painel do carro. E assim foi por um bom trecho.

A noite já tinha caído, não havia luz na estrada, mas o asfalto era bom. Na nossa frente carros, pick-ups e caminhonetes com pessoas penduradas pelo lado de fora, no teto, apinhadas dentro do carro. Parecia cena de refugiados. Mas segundo o Oscar era apenas mais um dia comum e eles iriam viajar daquele jeito por mais 2 ou 3 horas até Maracaibo.

O Oscar era gente boa, mas mano do céu…dirigia da forma mais louca que já vi. Imagine você sentado no banco da frente, numa estrada escura e sem sinalização…de repente você vê um vulto se aproximando e há poucos metros o Oscar desvia porque era um caminhão todo apagado. E foi assim a viagem toda.

Ele fazia ultrapassagens dignas de GTA. Simplesmente jogava o carro para a esquerda e salve-se quem puder. Se vinha carro em outra direção, o outro que desviasse (e desviaram muitos) pelo acostamento que nada mais era do que um monte de terra.

Depois de um tempo, Oscar para num restaurante-tenda-boteco no meio da estrada para comer um prato de respeito! Quando estávamos chegando mais para esse lado, vi várias crianças e adolescentes com um pedaço de mangueira e um funil na ponta, sacudindo pra lá e pra cá.

Oscar parou e logo veio um desses meninos. Ele colocou a mangueira no tanque e pelo funil, abasteceu com gasolina. Como não existem postos de gasolina entre a fronteira e Maracaibo (pois é), as pessoas compram gasolina em Maracaibo e vão vender na estrada.

Em meio a isso tudo, descobrimos que as três mulheres do banco de trás eram bachaqueras. Ou seja, eram contrabandistas de alimento. Na Venezeula é crime contrabandear alimentos, sujeito a pena de 5 anos de prisão. E nós lá no meio. Se algo acontecesse, até explicar que focinho de porco não é tomada…

Mas a questão é que elas fazem esse trajeto com certa frequência, uma fazia quase toda semana. Daí também entendi que os bolos de dinheiro que o Oscar ia passando era também por conta desse contrabando.

Maracaibo, o Palácio do Governo e o câmbio ilegal

Depois de tudo isso, chegamos em Maracaibo. Parecia uma rodoviária fantasma. Poucas luzes, um ou outro ônibus estacionado…o Oscar achou um táxi pra gente e lá fomos nós.

Nós não tínhamos fechado hotel pelo simples que não aparecem hotéis listados nos sites especializados. Então, nossa saída foi buscar “Hotel+Maracaibo” no Google e anotar os que pareciam mais bacanas.

Acabou que ficamos no primeiro que tínhamos escolhido. O hotel ficava num bairro mais nobre, pelo que entendemos. Chegamos por lá perto de 20h e as ruas estavam vazias. Parecia que ninguém estava morando por lá.

O hotel era bacana. Preço justo e com café da manhã incluído. Perguntamos onde poderíamos jantar por perto. O rapaz da recepção disse que sair aquela hora era perigoso, que teríamos que andar muito para achar um local aberto e com isso estaríamos expostos a assaltos.

Nossa sorte é que existia um restaurante no hotel e foi por lá que fizemos todas as refeições. Por sinal, um hamburger deeeeesse tamanho com fritas (super gostoso) saiu por R$12,50. O restaurante tinha uma entrada pela rua e por isso era movimentado.

Teve um dia que tava rolando uma confraternização de trabalho com direito a karaokê. rs

Saímos para passear pelo centro. Chegamos até a praça onde tem a Catedral e de lá andamos por todos os lados. Ao lado da catedral existem três prédios circulares enormes que descobrimos que eram conjuntos habitacionais.

Seriam o equivalente ao que nós chamamos de “pombal”, só que ao extremo.

Em frente a Catedral existe uma praça-parque bem bonita e no final dela um monumento enorme.

De lá seguimos caminhando e fomos parar num outra parte do centro, no largo onde existe um teatro antigo e ao lado, o Palácio do Governo. Claro, lá fomos nós visitar. A visita é gratuita e existe uma guia no local.

Lá vimos uma exposição de artistas locais sobre a história do país, muitas pinturas e algumas esculturas. Também vimos uma exposição dedicada ao Chavéz, mostrando toda a sua trajetória, missões etc.

O que mais me chamou atenção nesse Palácio foi a escada principal. Ela era em forma de cruz, mas a parte principal flutuava sem ter um apoio. Bem bonita. Fora isso, o piso original foi restaurado e quase todo o resto do Palácio é original.

Escada principal do Palácio do Governo em Maracaibo

Além disso, visitamos o antigo Mercado Municipal que hoje serve de centro cultural. Bem na entrada uma instalação do Jesús Soto recebe os visitantes. Ele é o artista mais consagrado da Venezuela. Fiquei feliz de poder ver isso. Além dessa instalação haviam outras exposições (essas temporárias) de artistas contemporâneos do país e uma folclórica sobre as figuras do Carnaval de Coro.

Nesse dia do passeio passamos por um centro comercial+shopping e tentamos sacar dinheiro em todos os caixas que tinha por lá. Não conseguimos em nenhum! Alguns pediam os dois primeiros números do passaporte. Tentamos e nada.

Voltamos pro hotel já quase sem dim dim e perguntamos para o rapaz da recepção se ele sabia onde poderíamos fazer câmbio. Ele disse que infelizmente, àquela hora, em nenhum lugar. Mas ele disse que veria uma outra solução.

Notas de bolívares, dinheiro da Venezuela

Depois de algum tempo ele disse que um rapaz iria fazer o câmbio para a gente. E depois de uma hora, chegou o tal rapaz e trocou nossos pesos. De novo, esse câmbio é ilegal. Mas a verdade é que é algo que já está tão naturalizado que todos parecem já saber e fazer vista grossa.

Trocamos o dinheiro no meio do restaurante, um pouco na miúda, mas nem tanto.

Aqui ao lado está uma foto que mostra parte desses bolos de dinheiro aberto. Essa quantidade gigante de dinheiro não equivale nem a R$10. E isso era uma pequena parte do que tínhamos que carregar. Para sair pra jantar era difícil levar os paquetes de notas nos bolsos.

Enfim, Maracaibo foi uma boa recepção e estávamos com uma primeira impressão até que não tão negativa do país. Ponderamos o que iríamos fazer e decidimos ir pra Coro, uma cidade que tem um centro histórico que é Patrimônio Mundial da UNESCO.

Coro, ou como ficamos alguns dias sem banho de verdade

Saímos de Maracaibo de ônibus rumo a Coro. Pegamos o ônibus de manhã e lá fomos nós. Os ônibus da Venezuela são um caso a parte. No Peru os ônibus todos passavam filmes, na Colômbia alguns passavam filme, outros música, mas no geral eram mais tranquilos.

Na Venezuela, não importa o horário, tempo de viagem ou trajeto…você ouvirá música em bom e alto som durante toda a viagem.

Pode ser às 3h, às 11h ou às 21h. E se a viagem durar duas horas ou vinte quarto horas, cada minuto será preenchido por uma música. Depois de um tempo é cansativo, mas dentre as centenas de músicas que ouvimos, uma delas chamou nossa atenção.

O bom de viajar com o Edu é que ele presta atenção nessas coisas também! hahahha Eis a pérola que embalou parte de nossa viagem até Coro e está aqui me acompanhando enquanto escrevo esse post:

Mas nem tudo foi só coisas boas. Em uma parte da viagem os militares pararam o ônibus e revistaram o pessoal. Daí ele perguntou pro senhor que estava atrás da gente: Por que você comprou esse saco de arroz? Pra quem é? De onde você vem, pra onde você vai?

E o cara explicando que era pra família dele. Nossa, isso me revirou o estômago. Isso não é uma forma digna de se viver…

Chegamos na cidade. Mais uma vez com alguns nomes de hotel anotados, já que pelos sites especializados, nada aparecia. Acabamos ficando em um que não estava a lista e que o taxista indicou como um dos melhores perto do centro histórico.

De fato, na porta estava como quatro estrelas. O quarto era bem simples, uma TV de tubo na mesa, uma cama de casal padrão, um ar condicionado antigo. E no banheiro, bem...fui eu tomar banho e não saía água. Falamos com a menina da recepção e ela nos disse que o caminhão pipa que abastece o hotel teve um problema, mas que deveria ter água no dia seguinte.

Por fim, nossos dias por lá foram old school, tomando banho de cuia e dando descarga com balde também. Mas a questão da água em Coro não é tanto política ou econômica, é que a cidade fica numa parte desértica no país e isso é normal de acontecer por lá.

Edu estava um pouco abismado e perguntou para a menina da recepção: Mas vocês vivem assim? E ela respondeu com calma que sim. A vida lá era desse jeito mesmo. Pra nós que estamos de passagem já é uma situação desconfortável, imagina pra quem vive lá. Enfim. =/

Ficamos 2 noites. No nosso segundo dia saímos pra conhecer o centro histórico, que era umas 2 quadras do hotel.

O centro histórico é bem bonitinho, mas é a mesma influência espanhola que você vai ver/já viu no resto da América do Sul. Talvez um pouco mais simplória, por assim dizer. Em outros cidade existem prédios e arquiteturas mais suntuosas, lá é mais simples mesmo.

Acabamos indo em um museu de arte contemporânea com trabalhos de artistas locais. Bem bacana! =)

E então, no nosso último dia, um pouco antes de sairmos pra pegar o ônibus, a gente foi num padaria em frente ao hotel comprar uma coca-cola. Estamos ali no balcão pagando e vemos atrás da moça um jornal do dia com a manchete que dizia que Maduro (presidente da Venezuela) deu um prazo de 72h para acabar com a vigência das notas de 100 bolívares.

Ou seja, dali 72h as notas de 100 bolívares não valeriam mais. Pedimos pra ver o jornal e a menina disse que se quiséssemos ler, teríamos que pagar. Não foi nada grosseiro, só mostra como para eles qualquer pequena coisa tem seu valor, já que o país está nessa baita crise.

A questão é que com a desvalorização da moeda, os valores são pagos em bolos de notas de 100 bolívares, que é o valor mais alto que tem. Todo mundo usa as notas de 100 e em alguns casos notas de 50 bolívares. As mais baixas são raras de serem vistas, que são as de 20, 10, 5 e 2.

E nem preciso dizer, todo o dinheiro que a gente tinha era em notas de 100 bolívares. Segundo a matéria, as pessoas deveriam ir aos bancos depositar as notas de 100 bolívares que tinham nas suas contas (que não era o nosso caso, pois não temos conta na Venezuela) e que ao fim das 72h iriam circular as novas notas de 500 bolívares.

Ficamos ali com o c* na mão, mas decidimos manter o plano e seguir para Mérida, de onde iríamos ver os relâmpagos de Catatumbo. E lá fomos nós com o que tínhamos no bolso.

Guichês de venda da Rodoviária de Coro

Chegamos na rodoviária no horário de almoço, então a maioria dos guichês estava fechada, como dá pra ver na foto. Mas além disso, o que acontece é que quase nenhum funciona de fato como guichê de venda de passagens, a maioria hoje em dia está fazendo câmbio (ilegal).

Apesar de todo esse cenário problemático, existe Wi-Fi na rodoviária de Coro. E deu atá pra atualizar a família e os amigos que estávamos bem.

Os ônibus entre essas cidades é muito barato, então para isso nós tínhamos dinheiro suficiente. Então, em mais algumas horas (e muitas outras músicas) chegaríamos em Mérida.

Mérida, um dia a pão e água e a fronteira fechada

Mérida….bem….foi onde deu Mérida! rs Já chegamos na cidade e posso dizer que achei bem feia. Não é preconceito nem nada, a cidade é feia mesmo. E parece que dessa forma espelha um tanto da situação atual.

Mais uma vez, não tínhamos um hotel fechado. Paramos em dois antes de nos decidirmos por um terceiro. Chegamos na cidade eram umas 07h e o check-in no hotel era só às 12h, mas o gerente foi muito gente boa e nos deixou entrar antes sem cobrar nada a mais por isso.

Obviamente o hotel não aceitava cartão. Na verdade aceitava todas as bandeiras, menos a que tínhamos (que era Dinners). Então, pagamos no dinheiro mesmo.

Daí lá fomos nós explorar a cidade. Que não tinha muito a ser explorada. Tentamos ver os passeios para ver os relâmpagos de Catatumbo e descobrimos que o dinheiro que tínhamos não daria.

Ainda nos restava 200 mil pesos colombianos que não tínhamos trocado. E o restante que tínhamos eram em sua maioria notas de 100 bolívares. Aí que toda a mérida se deu.

Vários estabelecimentos já não estavam querendo aceitar as notas de 100. Os bancos tinham filas quilométricas para quem ia depositar o seu dinheiro ou trocar por notas novas. Só que as notas novas ainda não estavam em circulação.

O que acontecia então? As notas de 100 eram trocadas pelas de 50. Ou seja, se você precisa de 10 notas de 100 para pagar algo de 1000 bolívares, agora você precisaria de 20 notas de 50 bolívares.

É muito comum ver na rua as pessoas contando dinheiro, bolos e mais bolos. E muitos contam pela quantidade de notas, não pelo valor. Por exemplo, tal coisa são 30 notas de 100 e não 3000 bolívares. Surreal!

Foi simplesmente insano, porque o Maduro resolveu tirar as notas de 100 de jogo, quando na verdade não tinha as novas notas em circulação. Foi uma loucura. E nessas, nós estávamos com poucas notas em posse. Já tínhamos pago dois dias de hotel, até aí tudo bem. Mas não havia café da manhã incluído nem nada.

Então, estávamos meio que na roça. Não conseguimos sacar dinheiro em local nenhum e ninguém queria trocar nossos pesos colombianos. No primeiro dia até que conseguimos nos virar de boa, no segundo já não tínhamos mais dinheiro e tudo que tínhamos deu apenas para pagar um pão para cada um e uma água. E esse foi nosso café+almoço+jantar.




Tentamos descobrir como faríamos para ter dinheiro e descobrimos o Moneygram, que recebe e envia dinheiro para o exterior. Vimos como era o processo e no desespero falei com a minha irmã (valeu pela força, Raquel…<3) que estava de férias pra ver se ela conseguia ir numa Moneygram que tinha lá na Tijuca.

Por sorte ela estava bem perto e foi lá, preencheu o papel, sacou o dinheiro e na hora do vamô vê, o cara da Moneygram do Rio disse que não estava fazendo transferência para a Venezuela por questões políticas. Daí, só no dia seguinte daria pra ir em outra pelo horário.

Quando era a manhã do dia seguinte o Edu voltou na Moneygram que ficava no aeroporto da cidade. O aeroporto de lá é algo pequeno, não teria como pegarmos um voo, por exemplo.

Ele falou com outra mulher dessa vez (ele tinha ido anteriormente pra ver como era o processo para receber o dinheiro do Brasil) e explicou que a minha irmã tinha tentado transferir o dinheiro no dia seguinte, mas que não tinha dado certo por conta do que o cara falou.

Daí a mulher disse que estava recebendo normalmente e imprimiu uma lista com umas 10 páginas de endereços da Moneygram no Rio onde a gente poderia tentar de novo. Mas aí ela sai da cabine e fala pra ele: Olha, não sei se você sabe, mas o Maduro fechou as fronteiras por 72h.

Maduro é chegado em prazos de 72h….

Eu não estava junto, mas imagino que a cara do Edu estava tão ruim que a mulher (que sabia de toda a nossa situação) falou:  Não se desespera. Eu tenho uma tia que tem casa aqui em Maracaibo, mas que não mora aqui. Ela não está no apartamento nem vem tão cedo pra cá. Vocês podem ficar por lá o tempo que for preciso até que tudo se resolva .

Uma santa, né? E ela se chama Maria, casada com um mecânico que se chama…JESUS!!!

Bem, Edu volta pro hotel (vale frisar que do hotel até a Moneygram era um chão…com direito a muita ladeira) e me conta a situação. Nessas eu fui falar com a minha irmã, com um amigo do Rio e com um de São Paulo. Pra ver quem poderia ir naquele exato momento até uma Moneygram. Todo se prontiificaram, mas minha irmã precisaria de uma hora e meu amigo do Rio disse que era só avisar que ele iria até o Centro.

Isso porque era nossa última diária no hotel, eram 10h30 e só poderíamos ficar lá até 12h. E foi então que Edu conseguiu falar com o cunhado dele (João!!!! \o/) que estava saindo pra almoçar na Vila Olímpia naquele exato minuto e disse que podia ir direto.

No meio disso tudo o Wi-Fi do hotel ficava indo e voltando, então o suspense era terrível. Ele foi na primeira e disseram que não estavam enviando dinheiro pra Venezuela por questão políticas. O Wi-Fi cai, não temos notícias…de repente, chega uma imagem pelo WhatsApp….ele CONSEGUIU!!! Na segunda que ele foi fizeram sem problemas.

Ele nos mandou $200. Mas ainda não estávamos tranquilos, porque vai que não rolasse sacar… então fizemos nossas mochilas, deixamos no hotel e lá fomos nós pra Moneygram. Maria já estava lá nos esperando e conseguimos sacar! Vitória!!!! A taxa de câmbio era a oficial, então era 678 bolívares por 1 dólar.

Mesmo assim, eram bolos e mais bolos de notas de 50. E a Maria ainda foi gente boa de trocar as últimas notas de 100 que tínhamos, umas quatro só.

Mais aliviados, fomos almoçar com ela e resolvemos propor ficar na casa da tia dela, mas pelo menos pagando. Ela relutou, disse que não devíamos gastar o dinheiro, mas no fim conseguimos convencê-la.

Voltamos pro hotel, ficamos lá mais um noite pra poder terminar um trabalho, já que na casa da tia da Maria não tinha internet, e no dia seguinte 13h encontramos com ela perto da Moneygram. Por fim o apartamento da tia dela era mais ou menos perto dessa avenida do aeroporto (onde fica a Moneygram). Fomos até a oficina onde o Jesus (marido da Maria) trabalhava e eles nos levaram de carro até lá.

Sério…os venezuelanos são pessoas sensacionais! <3

Combinamos que no dia seguinte (que seria o dia em que tecnicamente a fronteira seria reaberta) iríamos pegar o ônibus pra fronteira e ver se conseguiríamos sair.

Então a Maria diz que tem um primo que mora na cidade próxima da fronteira e que é taxista. E que ela ia falar com ele para ele nos buscar num ponto da estrada e nos levar até lá. Nos despedimos e combinamos que no dia seguinte de manhã estaríamos prontos. O ônibus saía 07h.

Tudo certo, nos instalamos no apartamento que era muito bacana e saímos pra comer. E então vimos que aquela parte da cidade era bem mais bacana. Avenidas largas, vários cafés bacanas…e PADARIAS! Estilo as nossas padarias maiores em que no fundo tem um restaurante, sabe?

Comemos beeeem! Tomamos café mais perto de casa e dormimos pro dia seguinte.

Às 06h Maria já estava lá nos esperando. A rodoviária (que foi onde desembarcamos) ficava na mesma avenida do apartamento. Andamos uns 15 minutos e chegamos lá. Compramos o ônibus, Maria nos levou para pagar uma taxa de saída, nos colocou no ônibus e disse que falou com o primo dela. Ele iria nos esperar em Copa De Oro e nos levaria até a fronteira.

Ela avisou o motorista onde iríamos descer, nos despedimos e lá fomos nós. Me arrependo de não ter tirado uma foto com ela. Ela foi muito, muito gente boa conosco. Não fosse por ela, nem sei como seria.

A fronteira e por fim, o retorno pra Colômbia

O ônibus atrasou e nosso medo do primo da Maria não estar nos aguardando aumentou. Mas então, o motorista finalmente chegou no ponto que iríamos descer e ele estava lá nos esperando há quase uma hora.

O que acontece é que o ônibus ia pra San Critóbal e se seguíssemos até lá, teríamos que pegar outro ônibus até a fronteira. Seguimos pra fronteira, no caminho paramos pra comer e gastar nossos últimos bolívares e então, chegamos na fronteira.

O primo da Maria nos deixou lá e seguiu seu rumo. Ele era muito bacana, mas tinha horas que falava tão rápido que eu não conseguia entender nada do que ele estava falando. rs

Bem, ao chegar na fronteira, a rua estava fechada com uma daquelas placas gigantes de metal, havia um tanque de conter multidões (daquele com um jato d’água em cima) e muito arama farpado.

Uma multidão de gente desordenada e muitos oferecendo táxi para atravessar por trocha. Mas nesse pedaço, seria muito perigoso fazer a travessia assim.

Daí fomos lá falar com os militares e eles disseram que às 15h a fronteira seria reaberta. Dissemos que éramos brasileiros e eles disseram que não teríamos problema. Explicou que a fila dali era pra mulheres e a fila lá na outra ponta era pra homens. Então, nos separamos.

O que aconteceu é que o Maduro disse que as máfias colombianas e brasileiras estavam interferindo na moeda e fazendo ela se desvalorizar, lembra do lance do contrabando de gasolina? Então… E como ele cortou as notas de 100, ele resolveu fechar as fronteiras pra que as notas não circulassem entre os países.

Estava lá na fila, conversando com uma colombiana e ela contou que em Agosto foi a mesma coisa, quando de repente o militar lá da frente grita: “Brasil, Brasil!!”… eu saí correndo, virei a esquina e puxei o Edu que tava conversando com uns caras (depois ele conta a versão dele dessa parte).

E então, cruzamos por fim a fronteira. Quando chegamos em Cúcuta, suados, cansados e estressados…Edu não quis pensar duas vezes. Pegamos um táxi até o aeroporto de Cúcuta e de lá seguimos de avião pra Bogotá.

Vale dizer que tínhamos uma passagem de avião pro Brasil no dia 19 de dezembro e só conseguimos sair da Venezuela já no dia 16. Então se não tivesse dado certo, teríamos perdido essa passagem.

No fim, a Venezuela foi a parte mais agitada dessa viagem.

Dá pra perceber que o país está numa crise terrível, mas não dá pra ter certeza se as pessoas estão a favor ou contra o governo. Muitas se dizem contra, mas até aí pode ser de falarem isso por sermos estrangeiros.

No fim não vimos os relâmpagos de Catatumbo, fica pra próxima (se houver). É um país sofrido, mas com um povo muito amável. Uma pena que esteja tão mal administrado.

Depois que conseguimos sair, vi as notícias e o Maduro acabou prorrogando o uso das notas de 100 porque as novas ainda não estavam prontas e também fechou as fronteiras até dia 02 de janeiro de 2017. Muitas pessoas não conseguiram sair.

No fim de tudo, nós tivemos muita sorte por lá. É uma pena saber que o que passamos por alguns dias é o cotidiano de uma população inteira. Achei muita falta de respeito com o povo ele cortar as notas de 100 bolívares do nada, sem ter estrutura para substituí-las. Enfim.

E essa foi a nossa passagem por lá. Virgemaria escrevi pacas, mas é que era muita coisa mesmo pra contar.

Próxima parada: Bogotá!



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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

20 Comments

  1. Yriz Soares

    Tô aqui passada até agora minina… A Mérida podia ter sido muito maior hein?!?! Se o lance é viver como locais, nessa os locais estão beeem f* nussinhora! E a Venezuela tem uns locais tão lindos, mas com essa confusão tá fora da lista por tempo indeterminado total. Parabéns pela narrativa Margot <3

    21 de Fevereiro de 2017 Responder
    • Margareth Furtado

      Nossa, nem me fale! Eu acho que a gente deu muita, muita, muita sorte!
      E sim, tem muita coisa linda na Venezuela..além desse relâmpagos, têm praias caribenhas que parecem incríveis. Pretendo voltar, agora é torcer pra melhorar daqui uns anos… =/

      24 de Fevereiro de 2017 Responder
  2. Giulia Sampogna

    Que loucura essa sua passagem pela Venezuela. Imagino que confuso ter que ficar contando bolos de dinheiro. Credo. Uma pena que o país esteja assim. Ótimo post!

    24 de Fevereiro de 2017 Responder
    • Margareth Furtado

      Obrigada pelo comentário, Giulia. =)
      Pois é, ainda mais eu que sou carioca e tenho mó pé atrás de contar dinheiro na rua…rs
      Mas por lá é super natural.

      24 de Fevereiro de 2017 Responder
  3. Paula

    Que perrengue! Que bom que pelo menos as pessoas te ajudaram, a Maria e o primo terminaram salvado um pouco, que situação complicada, espero que as coisas melhorem na Venezuela.

    24 de Fevereiro de 2017 Responder
    • Margareth Furtado

      Pois é, Paula. Não fosse a Maria nem sei como ia ser. As pessoas são realmente incríveis. Espero que melhore por lá, é um país com muito potencial.

      24 de Fevereiro de 2017 Responder
  4. Analuiza

    oi Margareth… tem muitos países nesse mundão que tenho vontade de conhecer, ver de perto, mas sempre observo a situação política e, em casos como a Venezuela (saiu da minha lista faz tempo), com tanta instabilidade e um governante que sempre muda as regras ao seu bel prazer, me fazem desistir completamente. Vocês viveram uma aventura digna de nota, mas eu te pergunto: fora o fato de ter percebido um povo amável e hospitaleiro, o que valeu dessa viagem à Venezuela? Vocês fariam/farão algo parecido novamente?! beijos

    24 de Fevereiro de 2017 Responder
    • Margareth Furtado

      Olá, Analuiza. =)
      Nós sabíamos que ir a Venezuela não seria fácil e nem turístico. Os relâmpagos de Catatumbo acabaram sendo mais uma desculpa do que uma meta.
      Queríamos ver de perto a situação. Ver o que os jornais não mostram, sabe? Acho que foi uma experiência super válida. Triste por saber que o cotidiano do povo é muito sofrido, mas enriquecedora ao ver a força desse mesmo povo. Acho que valeu a pena por ver outras realidades que não a que estamos acostumados, isso pra mim é a melhor parte em uma viagem.
      Espero que eles melhorem e voltaria sim um dia para ver como as coisas mudaram. Tenho muita vontade de visitar todos os países da África, os “tãos” (Cazaquistão etc). Se as situações de segurança não estiverem complicadas quando chegarmos a esses lugares, com certeza visitaremos.

      24 de Fevereiro de 2017 Responder
      • Analuiza

        Obrigada por sua resposta Margareth… Era justamente isso que despertou a minha curiosidade, saber o que se tira de uma viagem a um país com tamanha instabilidade política e com tanto perrengue decorrente disso. Eu também gosto de ver uma cultura de dentro, como outros povos vivem, mas confesso que meu senso de aventura é bem limitado, uma vez que países com esse sistema venezuelano (arbitrário e injusto) me repelem. De qualquer forma, quero finalizar dizendo que gostei muito de ler sobre tudo o que vocês vivenciaram. Obrigada por compartilhar conosco! bjus Ana

        24 de Fevereiro de 2017 Responder
  5. Dayana

    Ahahaha, que perrengaço!!! kkkk mas o melhor foi a piada do Mérida! Ri muito aqui. Desculpa, sei que foi desgraça, mas pelo menos rendeu histórias boas para contar. 🙂

    24 de Fevereiro de 2017 Responder
    • Margareth Furtado

      hahaha Pode rir, botei a piada pra dar uma aliviada nos perrengues mesmo.
      Rendeu mesmo muitas histórias. Pena que o que são só histórias por aqui, pra quem vive lá é um cotidiano puxado e sofrido…

      24 de Fevereiro de 2017 Responder
  6. Christian Gutierrez

    Nossa que perrengue, muita dó de um país tem muito ficar assim por causa de maus politicos.

    24 de Fevereiro de 2017 Responder
    • Margareth Furtado

      Pois é, lastimável mesmo. Muita pena da população. =/
      Mas mesmo assim, eles seguem firmes e se mantém esperançosos. Essa foi uma grande lição da visita por lá.

      24 de Fevereiro de 2017 Responder
  7. Paula

    Caramba, que aventura! Mas olha, eu não sei se teria a sua coragem de ir para a Venezuela nesse momento… mas deve ser interessante mesmo ver o outro lado da história. Parabéns pelo post!

    24 de Fevereiro de 2017 Responder
  8. Margareth Furtado

    Você está se sentindo mais ou menos como eu estava por lá. rs
    Obrigada pelo carinho, Fábio. Saudades. =)

    24 de Fevereiro de 2017 Responder
  9. Martinha Andersen

    Que post mais incrível.. uma verdadeira aventura.. um perrengue atrás do outro. E ao mesmo tempo, é triste (mas necessário) saber o que a população passou. =)

    25 de Fevereiro de 2017 Responder
  10. Dilson Neto

    La gente venezolana es CHÉVERE! País que, apesar de belezas naturais incríveis, é muito pouco divulgado e tão depreciado pela mídia brasileira. Passei uns dias em Caracas e nos arredores no final do ano passado. Fizeram o CAOS nos meus ouvidos, mas achei tão perigoso quanto Recife, Belém ou RJ (ou até menos). O problema na Venezuela (NÃO VOU FALAR APENAS DE TEORIA DA CONSPIRAÇÃO) é bem além de Maduro (que faz umas porcarias como esse prazo ridículo para a troca da nota de 100). A oposição venezuelana é apoiada por grandes produtores alimentícios que promovem boicote na produção além de contrabando para a Colômbia (sem falar que foram encontrados vários galpões com alimentos apodrecendo) e com certeza tem mãos gingas por trás (A Venezuela produz quase a mesma quantidade de petróleo que o Brasil… e olha o tamanho do país). Prometi (depois de alguns dias) que evitaria falar sobre política, mas depois de algumas cubas sempre voltávamos a esse assunto. Não absorvi discursos extremistas de nenhum dos lados. Mas… enfim… Nem os Chavistas estão satisfeito com Maduro (Na casa da galera você vê foto de Chavez do lado de Jesus Cristo). Em Caracas as pessoas são bem vaidosas e festivas. Fora da capital a galera é mais simples e ainda mais acolhedoras <3. Uma dica: não deixe pra comprar voos nacionais em cima da hora (Voar na Venezuela é bem mais barato que viajar de onibus no Brasil). Outra dica: não deixem de conhecer a Venezuela (seja com partido A ou B no poder). De Manaus há uma empresa chamada Avior que é bem em conta. Apesar dessa briga política (amiginhos, não vamos jogar pedra no país vizinho que o da gente tá cada dia pior por briga política), conheça Mérida, Gran Sabana, Puerto Ordaz, Margarita, Caracas, Los Roques, etc. Conhecer a Venezuela nesse caos político foi a melhor experiência da minha vida.

    18 de Março de 2017 Responder
    • Margareth Furtado

      Muito bacana seu comentário, Dilson. Acabei não indo pra Caracas por questão de tempo, mas quero voltar. Foi uma experiência única que não troco por nada esses dias que passei por lá no meio do “agito” todo.

      19 de Março de 2017 Responder
  11. Carol Duque

    Parabéns pelo post! Super detalhado e com informações muito úteis. Pelo visto vc passou por poucas e boas, mas o bom de viajar é viver historias e aprender. Continue com seu belo trabalho, pois a gente percebe na forma que você escreve o carinho e a dedicação com que faz.

    2 de Maio de 2017 Responder
    • Margareth Furtado

      Obrigada pela visita, Carol. =)
      Sim, viajar é antes de tudo viver os locais, né? E com isso as histórias são inevitáveis. Apesar de todo o “perrengue” da Venezuela, guardo um grande carinho pelo país e torço para que eles tenham um futuro melhor pela frente.

      Obrigada pelo elogio, fico muito feliz em ouvir isso, adoro escrever as histórias da viagem aqui no blog. <3

      2 de Maio de 2017 Responder

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