As linhas de Nasca
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As linhas de Nasca

As incríveis linhas de Nasca

Eu sempre fico um pouco revoltada com o senso comum de que as civilizações antigas eram “menos evoluídas” ou mais limitadas do que nós hoje em dia.

Eu comentei sobre o aqueduto em Machu Picchu, lembra? E as ilhas flutuantes de Puno? Dois grande ótimos exemplos de engenharia peruana, o primeiro dos incas, o segundo dos uros. Os incas são um exemplo incrível de  uma civilização antiga muito bem evoluída.

E quando penso em todas aquelas pirâmides e trabalhos manuais egípcios então…. Sei que têm gente que acha que essas coisas eram alienígenas, mas acho que é subestimar muito os nossos antepassados.

Bem, outra prova de como a civilização inca era interessantíssima, são as linhas de Nasca. Mas Margot, quê que são as linhas de Nasca?

No meio do deserto de Nasca estão localizados alguns desenhos que os incas fizeram. Mas não são desenhos simples, são desenhos de proporções gigantestas. A simplificação das linhas é incrível. Muitos artistas modernos (Picasso por exemplo) beberam das águas da pintura inca e seus cerâmicas. E os desenhos incas são rusticamente modernos.

São linhas que parecem simples, mas que criam animais no meio do deserto de metros e metros de extensão. Tem o macaco, a baleia, o colibri, o cachorro e ainda…o “astronauta”, uma figura humana que parece estar acenando.

Como as figuras são enormes, só é possível vê-las do alto. E para isso existe um pequeno aeroporto que funciona apenas para os aviões que sobrevoam as linhas. As linhas foram tombadas como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1994.

Como chegar em Nasca

Nasca fica ao sul do país e para chegar lá não tem muito mistério, busão. Foi como nós fizemos e como a maioria faz. Saímos de Arequipa e seguimos direto pra lá. A viagem é de boas, mas não muito rápida. Na verdade, quase todos os trechos no Peru demoram mais do que deveriam. Isso porque as estradas lá fazem diversos zig zags ou saem cortando por dentro de cidades…enfim. rs

A diastância entre Arequipa e Nasca é de 568 Km. Esse trecho fizemos em umas 09h30. Saímos na noite do dia anterior e chegamos por volta de 06h da manhã.

Para viajar pelo Peru a melhor opção é a Cruz del Sur. Praticamente todos os trechos que fizemos foi com eles e os íonibus são muito confortáveis e novos. As passagens variam de 60 a 115 soles. Isso depende do tipo de poltrona. Tem uns leitos super high-tech que eu iria amar ter nos busões SP-Rio no meu tempo de “ponte aérea”…rs

Nós viajamos num intermidiário, semi-leito, que custou 100 soles. Foi bem tranquilo.

Uma coisa que me dei conta que não tinha comentado em nenhum outro post ainda é sobre as “busomoças”. São as aeromoças da estrada. No ônibus da Cruz del Sur, mas pelo que perguntei tem em todos do país, existem esses funcionários que fazem o serviço de bordo. Isso porque eles não entregam um lanchinho embalado como nos busões-leito que tem no Brasil, rola uma janta mesmo. E você escolhe o que quer comer quando compra a passagem (frango, carne etc).

Em alguns trechos eram mulheres e em outro trecho foi um rapaz que fazia o serviço. Todos muito simpáticos. A moça desse trecho era super animada e quando descobriu que éramos do Brasil, pediu para ensinarmos algumas palavras em português. =)

A chegada em Nasca pela Cruz del Sur é na garagem deles, não na rodoviária da cidade. Nós já tínhamos comprado a passagem para o voo em Arequipa e estava combinado que um rapaz nos buscaria lá e nos levaria para o local dos voos.

Como nós chegamos mais cedo do que o previsto, esperamos um pouco por lá até que o rapaz apareceu. Ele passou na casa de um cara que era o responsável pelos voos da companhia que compramos. Dessa garagem até o local dos voos foi uns 30, 40 minutos de carro.

Quem espera sempre alcança

Aeroparacas: tem que esperar muuuuito, mas vale a pena.
Aeroparacas: tem que esperar muuuuito, mas vale a pena.

Já digo que é um bocado estressante, mas vale a pena. Nós compramos o voo com antecedência em Arequipa e chegamos lá junto com o cara responsável da Aeroparacas. O Edu já tinha feito esse passeio e ele disse que essa era a linha que tinha mais voos ao longo do dia.

Nós chegamos às 07h por lá. O cara guardou nossas mochilas, nos pesou (fiquei feliz de estar com o mesmo peso de quando saí do Brasil…uhuuuu) e disse que era só aguardar abrirem a pista e ele nos chamaria.

Nós pagamos 120 dólares e ainda teríamos uma taxa de voo de 50 soles que deveriam ser pagas no dia do voo. E foi o que fizemos.

O local do aeroporto é um espaço grande com diversos bancos e os balcões das companhias aéreas espelhados ao redor. Sentamos em um banco e ficamos aguardando. Nas TVs espalhadas pelos locais passava repetidamente um documentário da Discovery sobre as linhas de Nasca.

Quando nós chegamos o lugar estava vazio, tinha praticamente nós dois (eu e Edu) o cara da Aeroparacas e uns gatos pingados chegando. Esperamos, esperamos…a pista finalmente foi aberta.

Alguns ónibus e vans de excursão chegaram, o lugar começou a ficar cheio. Uma, duas, três horas se passaram e nada de nos chamarem. As pessoas que chegaram bem depois já estavam indo fazer o passeio.

Um senhor, estrangeiro como a gente, estava lá vendo se conseguiria voar. No dia anterior muitos voos foram cancelados por conta do vento. Os aviões são pequenos, o maior carrega umas oito pessoas. Por isso os voos começam a sair bem cedo, pois no começo da tarde já começa a ventar muito e aí fica complicado fazer o passeio.

Parece que alguns anos atrás rolou um acidente com um avião por conta dos ventos e eles ficaram mais rigorosos.

Bem, esse senhor que estava por lá não conseguiu certeza de voar naquele dia e resolveu ir embora e tentar de novo no dia seguinte. Mas a gente não podia fazer isso. Por que, você me pergunta? Porque já tínhamos uma passagem comprada pra Lima que saía às 16h. Afinal de contas, já estávamos com o voo comprado, chegamos lá 07h da manhã…daria tempo de sobra, né?

Então….

Quando era por volta do meio dia, falamos com o cara da Aeroparacas, daí ele disse que estavam saindo muitas pessoas em grupos que não tinham conseguido viajar no dia anterior e que logo seria nossa vez. E nunca chegava a nossa vez. E a hora ia passando. Quando eram quase 13h, ele “emitiu” nossos bilhetes. Disse que iríamos viajar num avião que teria só nós dois.

E o tempo ia passando e aquele mesmo vídeo passando na TV…e nada de nos chamarem…e um monte de gente no lugar, não tínhamos mais onde sentar…porque é assim: foi na roça perdeu a carroça! Se você levantar pra ir ao banheiro ou falar com alguém, PIMBA! Danô-se. rs

Bem, depois de muuuuuito esperar, quando eram umas 14h, finalmente nos chamaram e fomos lá pra salinha esperar nossa vez. Parece que esse é o esquema. O Edu falou que da outra vez que ele fez o passeio, foi a mesma coisa. Horas e horas de espera.

Quando ele falou isso, já fiquei meio preparada. Só que ao mesmo tempo, como tínhamos comprado com antecedência, pensei que não seria tanta espera. A verdade é que o cara saiu passando um monte de gente na nossa frente. Enfim. Vá preparado pra tomar um chá de cadeira…rs

São só 30 minutos de voo (você pode fazer um mais completo que dura uns 45 minutos), mas vale a pena.

Por fim, as linhas de Nasca

Os aviões são bem pequenos. E de fato nós voamos sozinhos, como o cara prometeu. Como o avião é pequeno e lá em cima venta consideravelmente, vai balançar. Algumas pessoas mais sensíveis passam mal e eles já deixam uns sacos de vômito separados.

O copiloto do nosso voo era super novo. O piloto também. Bateu aquela pulga: Mas você sabe mesmo pilotar essa negócio? Mas é só porque eu não sou muto chegada em altura. rs

Como eu disse o voo dura uns 30 minutos e esse que pegamos faz os principais desenhos: a baleia, os trapézios e trapezóides, o astronauta, o macaco, o cachorro, o beija-flor, a aranha, o condor, a árvore, o alcatraz, o pelicano, o papagaio e as mãos. Nessa ordem.

Tirar fotos desse momento é perda de tempo. Primeiro porque não vão ficar melhor dos que você encontra na internet, segundo que é tão rápido que se você perde tempo tirando foto, acaba perdendo o momento. E acredite, você vai querer aproveitar cada instante.

Eu fiz umas fotos que ficaram bem “ok” só para poder vir contar pra você como foi essa experiência, mas algumas delas eu peguei em sites da internet mesmo (que liberam a imagem para uso livre).

Vamos ver então desenho por desenho? =)

No final do voo ganhamos um “certificado” dizendo que nós fizemos o voo pelas linhas de Nasca. Durante o voo o copiloto vai falando de cada desenho e o piloto faz duas voltas, assim dá pra ver os desenhos tanto se você sentar na janela esquerda ou na direita.

As teorias, os mitos e verdades sobre a linha de Nasca

Muitos estudiosos (geólogos, antropólogos etc) tentam desvendar o mistério das linhas de Nasca. As teorias envolvendo os desenhos são muitas. Alguns falam dos tais deuses astronautas e que na verdade a civilização Nasca tinha recebido umas visitas extraterrestres.

Os geólogos dizem que as linhas datam de 200 e 700 A.C. As linhas são formadas por desenhos rasos feitos no chão. Eles tiravam as pedras escuras e com isso a parte de baixo clara do chão aparecia, dessa forma a linha surgia e poderia ser vista do alto. As linhas têm no máximo uns 6 centímetros de profundidade.

Como os desenhos têm metros e mais metros de comprimento, alguns estudiosos dizem que eles foram feitos para que o deuses em que a civilização Nasca acreditava, pudessem ver lá do céu. Muitas são as teorias sobre as linhas, mas a maioria converge que devem ter um fundo religioso.

Outros falam de algo que eu tinha pensado enquanto fiquei vi o documentário da sala de espera (umas 105 vezes): que as linhas podiam ser uma espécie de mapeamento celeste.

Acho que no final pode ser um pouco de tudo isso ao mesmo tempo. rs Os triângulos apontam para onde tinha um antigo santuário deles. Vai vendo….tem muito caroço nesse angu aí. rs

Como as linhas estão no meio deserto e o clima é bem seco e com poucos ventos na altura do chão, os desenhos ficaram preservados por todos esses anos. A rodovia Panamericana passa bem no meio do deserto e está próxima a alguns dos desenhos: o alcatraz, a árvore e as mãos. E não existe nenhuma barreira entre a rodovia e as linhas desenhadas.

Perguntei pro piloto se alguém poderia simplesmente sair caminhando até as linhas e ele disse que volta e meia alguém simplesmente sai da rodovia e vai caminhando por lá. Mesmo assim, elas ainda estão muito bem preservadas.

Eu achei uma experiência incrível. Se você está planejando uma viagem para o Peru, vale muito a pena incluir as linhas no roteiro. A logomarca do governo inclusive usa as linhas de Nasca como inspiração, o “P” é o rabo do macaco. =)

Próxima parada: Mâncora! A primeira praia no Oceano Pacífico em que estive na vida. <3

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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