A tríplice fronteira do Brasil
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A tríplice fronteira do Brasil

A tríplice fronteira:
Tabatinga, Letícia e Santa Rosa

A tríplice fronteira é formada por Tabatinga (Brasil), Leticia (Colômbia) e Santa Rosa (Peru). Então a viagem de barco chegou até a tríplice fronteira e nós saímos oficialmente do Brasil. =) Não viu o post da viagem de barco ainda? Dá uma olhada aqui.

Nós chegamos no porto de Tabatinga e eu já tinha separado um lugar pelo Airbnb pra ficar em Leticia.

O que separa a “fronteira” entre Tabatinga e Leticia é uma rua, uma avenida principal: “Daqui pra trás é Brasil, daqui pra frente é Colômbia.”

A fronteira
Aqui Leticia, ali Tabatinga.

Chegamos à noite, pegamos o táxi no porto e lá fomos nós pra Leticia. Então não tenho muito o que dizer de Tabatinga porque conhecemos basicamente o porto e a Polícia Federal onde fizemos a saída do Brasil.

Leticia: um lugar difícil de se achar

Tinha reservado um Airbnb e como sempre faço, tirei um print da tela do endereço pra poder falar pro motorista. O motorista do nosso táxi era brasileiro, então falar o endereço foi fácil….já ele saber onde fica ou a gente achar que foi osso! hahahaha

O que acontece é que a organização urbana na Colômbia funciona bem diferente do que estamos acostumados. Não existe nome de rua normal, eles meio que se guiam pelos pontos cardeais.

O endereço que tínhamos era Calle 5A-79 Carrera 9 Apartamento 03 (exatamente assim). Aí eu te pergunto: parece um endereço super completo, certo? E se você jogar esse endereço no Google Maps ele acha ou não acha? Valendooooo…. rs

Pois bem, o taxista não sabia onde ficava, o mapa não mostrava nada e ninguém pra quem perguntávamos sabia nos dizer onde era a tal Calle 5 (e paramos várias vezes pra perguntar…rs). Paramos numa vendinha e os caras não sabiam muito bem, aí uma mulher perguntou se eu tinha o telefone da dona do apartamento que ela podia ligar (pessoa gente fina)…mas aí que o milagre aconteceu, mesmo sem rede quando cliquei dentro do app a parte de “Como chegar” apareceu uma referência de um correio…PRONTO! Aí todo mundo sabia….rs É difícil de se achar em Letcia. hahaha

O que parece é que os endereços de nada funcionam, o que realmente serve de guia por lá são as referências. “Tal lugar é na rua do hospital etc”. Imagino como a galera do correio deve sofrer…hahaha

Quando descobrimos onde era o endereço, voltamos pro táxi e…..o táxi pifou! hahahaha O táxi simplesmente morreu e não pegava. Nossa sorte é que a rua estava bem perto de onde tínhamos parado, então foi colocar a mochila e andar até lá.

Chegamos e fomos recebidos pelo Andrés, gente finíssima, vizinho e amigo da dona do apê. Quando entramos parecia tudo bem, mas aí o Andrés falou algo que dava a entender que a menina morava no quarto em frente ao nosso (que ele nos mostrou), mas no Airbnb dizia que era o lugar todo…

Deixamos as coisas no apê, tomamos banho e o Andrés nos levou pra jantar num restaurante/boteco/do lado de fora da casa da dona que tinha uma comida mó boa e barata! Lá comi meu primeiro “Lomo Saltado” que é basicamente carne em tiras com batatas fritas e uma salsa (molho) picante.  Pra acompanhar, uma cerveja colombiana: Aquiles.

Lomo saltado é muito amor…tava bom pácacete. <3 A cerveja? Ah, igual às nossas…rs

Quando voltamos do jantar, descobrimos que no fim o apartamento era mesmo compartilhado, mas tava tranquilo até porque ficamos lá 2 noites só. A dona do apê era bem gente boa e falava português já que viveu 8 anos no Brasil….adivinha só o que ela fez por lá? Estudou Artes na UFRJ. =)

O paraíso das Tuk Tuks

Leticia é uma cidade pequena, simpática (apesar de meio confusa) e onde descobri meu novo amor (desculpa, Edu…): as Tuk Tuk! <3

Ok, ok…alguns pensam que elas são uma praga, mas eu fiquei apaixonada pelas Tuk Tuk. Pra quem não sabe, Tuk Tuk é aquele transporte asiático feito a partir de uma moto, mas que no fim é um triciclo. Isso aqui ó:

Tuk Tuk? É chiclete?
Uma Tuk Tuk nascendo.

A partir de Leticia o reinado das Tuk Tuks começou. Elas não são produzidas no país, são asiáticas. Mas pelo que descobrimos, podem custar um pouco mais que uma moto, pelo menos a dos modelos mais baratos. Mas não quer dizer que seja um transporte super barato de manter, pra ela rodar bem é preciso trocar o óleo toda semana.

Mas enfim, eu sei que achei as Tuk Tuk uma graça…pra mim é a versão “fusca” de uma moto…hahaha
Quando ficar mais velha, ao invés de ser a “Velha Louca dos Gatos”, serei a “Velha Louca da Tuk Tuk”. Me aguardem!! hehehehe

Em Leticia elas competem com as motos e os carros, mas acho que o que mais tem em Letícia meeeeesmo é moto e em segundo lugar Tuk Tuk. A impressão é que tem mais moto e Tuk Tuk que gente. Olha só:

Tuk Tuks de Letícia
As ruas de Letícia.

Bem, Tuk Tuk não é táxi, então não tem taxímetro (na verdade mais pra frente descobri que nem no Peru tem taxímetro, mas isso fico pro post de Lima) então o valor da corrida é na base da negociação: você diz pra onde vai, o motorista diz o valor e você concorda ou negocia se achar que está caro (no caso de já ter ido pra algum lugar e saber o valor).

No geral as corridas são muito baratas, muito! A moeda de lá é o peso colombiano e a cotação é quase 1 pra 800 (um real pra 800 pesos). Chegamos só com os nossos reais e alguns dólares que estavam nos acompanhando desde a saída de São Paulo.

Na parte principal da cidade (a cidade é bem pequena e fizemos tudo a pé) existem alguns bancos (BBVA etc), mas ainda estávamos na dúvida de como fazer com questão de grana: sacar e pagar taxa mais IOF?, fazer câmbio?

Por fim optamos por fazer câmbio de uma parte dos dólares que tínhamos, mas a casa de câmbio que tinha na cidade era bem malandra e com umas taxas meio bléh. Enfim, acontece.

Numa noite que estávamos lá, com fome, com preguiça e pensando no que comer…decidimos voltar no lugar onde o Andrés tinha nos levado. Nos perdemos um pouco e depois de um tempo achamos! Chegando lá tinham coisas diferentes e tinha umas bolas.

Perguntamos o que era e o rapaz disse que era tacacho, uma bola feita com plátanos e trocitos. Nem sabia bem o que era e já pedi um…rs

Cá está:

Tacacho!
Tacacho: é feio, mas é uma delícia.

É bonito? Não. É gostoso? D-E-M-A-I-S. Pra mim, pelo menos. rs

Isso é basicamente uma bola de banana e bacon. Eles assam a banana (plátano) na brasa, depois eles amassam, fazem uma massa onde juntam o bacon (trocitos) e deixam na brasa de novo. É uma coisa de louco, sério.

Eu perguntei em algum lugar que não me lembro mais o que significava tacacho e uma senhora me disse que era um nome quechua (a língua indígena antiga dos povos Inca) que significava algo como macerado. Parece que é uma invenção da parte amazônica do Peru, mas que o país todo já incorporou no cardápio nacional.

Outra coisa muito curiosa em Leticia é uma praça que tem na parte central. Nessa praça existem milhares de loros (papagaios) habitando as árvores. Eles fazem um barulho super alto que faz lembrar até barulho de chuva e ficam voando de lá pra cá. Quando fomos lá estava de noite e eu estava sem câmera nem celular e não voltamos lá depois, mas consegui achar um vídeo que mostra muito bem como é esse espetáculo:

Dahora, né? Leticia foi uma agradável surpresa. A internet não funcionava muito bem no apartamento em que estávamos e quando precisamos resolver uma questão de banco, fomos até uma lanhouse onde tinha internet por satélite. Foi um bom começo de “pé fora do Brasil”.

Santa Rosa: o c* do mundo

Santa Rosa é essa ilha que fica 15 mins de barco de Leticia…e é o fim do mundo.

Santa Rosa não tá no mapa
Tabatinga, Leticia…cadê Santa Rosa?

Pra você ter ideia, olha só esse print do Google Maps: tem Tabatinha, Leticia…e Santa Rosa nem está aparecendo com o nome. Se você jogar “Santa Rosa, Peru” no Google Maps ele acha e marca, mas não aparece como padrão.

Santa Rosa
Olha ela aí!

A gente teve que ir pra Santa Rosa pra poder pegar o barco pra Iquitos e como os barquinhos que levavam de Leticia pra lá paravam bem cedo e nossa saída pra Iquitos era de madrugada, passamos algumas horas por lá.

Não tem muito o que dizer. Na verdade, como eu não tinha pesquisado nada sobre Leticia (estou tentando não fazer spoiler pra mim mesma com esses tipos de lugares pra chegar nua de referências e julgamentos) eu achava que Leticia seria como vi que é Santa Rosa.

Mas no fim Leticia é mais desenvolvida. Santa Rosa é um pequeno vilarejo que tem uma rua só. Nessa rua existem as casas, os bares/restaurantes etc. E é isso.

Santa Rosa
Eis Santa Rosa.

É um lugar muito simples. Na verdade, diria que é um lugar muito pobre mesmo. Tem alguns hotéis, o que indica que pelo menos ainda entra algum dinheiro de quem vai pegar barco pra Iquitos. Mas enquanto estávamos lá, vimos só umas três pessoas que eram turistas.

De um lado as crianças jogam uma espécie de futebol na lama, do outro uma boate com uma pintura gigante de uma mulher enrolada numa serpente.

Fizemos nosso processo de entrada no Peru, achamos um hotel que parecia ser o mais tranquilo e nos custou 30 soles pelo pernoite. No quarto tinha um gafanhoto sem vergonha que ficou perturbando a noite toda…rs

O banheiro era bem “rústico” e ficava fora do quarto.

Jantamos num restaurante próximo (eu aproveitei e comi tacacho de novo) e na madrugada seguimos pra Iquitos. Apesar de ser só uma rua, as Tuk Tuks estavam lá, só que um pouco diferentes. Em Leticia as Tuk Tuk tinham portinhas, tinham uma traseira mais bacana. Em Santa Rosa eram todas abertas, com no máximo um teto.

Assim como em Leticia, o esquema é combinar antes com o motorista o preço da corrida.

Chegamos em Santa Rosa com alguns pesos, alguns dólares e poucos reais. Trocamos numa loja de rua mesmo para poder pagar o hotel e jantar e o real gastamos na nossa última cerveja no Brasil, em Tabatinga. rs

E assim foi a passagem pela tríplice fronteira.

É interessante observar como são três locais próximos, mas bem distintos. Tabatinga é uma cidade que tem a Polícia Federal e duas faculdades (parece que têm umas praias bacanas por lá também).

Leticia tem uma faculdade, muitos cassinos (MUITOS) e muito agito. Fomos de Leticia pra Tabatinga de Tuk Tuk, voltamos a pé porque em Tabatinga não tem Tuk Tuk e você só vai conseguir pegar se alguma estiver voltando pra Leticia.

Santa Rosa parece estar à margem de tudo isso. Um lugar que parece ser a mesma coisa há muitos anos e que segue a vida indo e vindo numa única rua.

É interessante escrever depois de já ter passado por lá há um tempo e fazer essas comparações com as memórias. Por fim, posso dizer que valeu muito essa experiência de estar na Tríplice Fronteira. =)

Próxima parada: Iquitos!



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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

02 Comments

  1. Luclecio

    Muito bom seu relato. Em Santa Rosa nao tem nada pra se ver? Tipo, se eu querer fazer um bate volta de tabatinga pra la. Outra coisa, em caso de nao querer adentrar nos dois paises, apenas visitar essas duas cidades fronteiriças, precisa processo de entrada nos países ou pode circular entre elas tranquilamente? Agradeço desde ja a atenção

    16 de setembro de 2017 Responder
    • Margot

      Olá, Luclecio. Obrigada pelo comentário. =)
      Santa Rosa é bem peculiar, é interessante ver a pequena cidade, mas não há de fato muito o que se ver. É uma rua com algumas boates, restaurantes e um lugar ou outro que servem de pousada. Você verá os locais jogando bola, vendendo frutas…é interessante.
      É bem perto de Tabatinga, o barco até lá não leva nem 10 minutos. Mas fiquei atento, os barqueiros param de fazer o trajeto entre as duas cidades por volta de 18h (na época em que fui era isso, pode já ter mudado), então se você estver em Santa Rosa depois desse horário, terá que dormir por lá. Se você quiser circular pelas três cidades sem carimbar a saída, não há problema. Ninguém vai pedir para você um documento ou passaporte para verificar. =)
      Espero que a resposta tenha ajudado.

      16 de setembro de 2017 Responder

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