Belém não é para fracos. E não desaponta corajosos.
Brasil Gastronomia

Belém não é para fracos. E não desaponta corajosos.

Belém não é para os fracos…

Escutei de algumas amigas que deveria tomar muito cuidado em Belém, que a cidade estava muito perigosa. Fui pra cidade com esses alertas na cabeça, mas bem desencanada.

Certa vez ouvi que “Segurança é uma questão de sensação“…e hoje em dia acho que entendo bem o que isso de fato significa. Já tinha fechado uma pousada que achei bacana no bairro do Reduto e apesar dos alertas de uma das amigas sobre o bairro, resolvemos ver como seria o primeiro dia e qualquer coisa era só mudar de lugar.

Como você já deve saber, nós chegamos de barco. Foi a primeira viagem de barco de algumas que virão pela frente e por isso nem vou falar muito dela agora, quero fazer um super-post-recheado só sobre viajar de barco. Mas posso adiantar e dar spoiler de que foi bem divertido. \o/

Mas a foto de capa desse post (a que aparece na home do blog) é uma foto da viagem de barco….hihihi

Bem, como eu disse ficamos nessa pousada (bem bacana mesmo! Quem estiver pensando em passar por Belém e quiser dar uma olhada, só clicar aqui) que é um casa bem grande, com quartos confortáveis e uma cozinha que usei de boas. O bairro era bem perto de tudo e fizemos tudo a pé. Como eu tinha recebido esse alerta das meninas, saí sem nada muito chamativo (mas isso eu tenho feito durante toda a viagem Males de carioca.) e com o celular no bolso, como de costume.

Perto da pousada estava a Estação das Docas e lá fomos nós pra conhecer (na verdade pra eu conhecer, porque Edu já conhecia). Todos que me falaram de Belém, falaram muito bem de lá e minha expectativa não foi subestimada…rs

É um espaço muito bonito, na beira do Rio do Guajará que funcionava como o porto. Ao lado da estação ainda existe o porto, com todos aqueles galpões meio antigos com cara de abandonados que acho lindo…rs

A Estação das Docas é basicamente um lugar para ir almoçar, jantar, tomar uma cerveja…essas coisas. Na parte de cima de cada galpão (são uns três ou quatro desses galpões) tem uma (um palco suspenso, que se movimenta sobre as cabeças das pessoas sobre trilhos) pista suspensa com um palco, onde fica tocando uma banda. Não cheguei a ver esse “evento”, mas parece ser interessante.

Almoçamos num restaurante bacana, mas o que levo de lembrança de lá é o sorvete de Taperebá e Castanha do Pará! MELDELSDOCÉU…é divino. A Cairu é uma marca de sorvetes de lá e tem os sabores mais legais com frutas e sabores locais. Fui embora com vontade de ter experimentado outros, mas aí eu estaria uma mini-bola-de-sorvete porque faz dias que não me exercito…rs

O melhor do Pará é de longe a comida…e de perto é melhor ainda. rs

Como na pousada não tinha como lavar a roupa, tivemos que catar uma lavanderia. Achei algumas e o Edu resolveu ir lá já que ele tava mais de boa de trabalho do que eu (mas isso custou caaaaaro, literalmente….rs #piadainternaqueexplicareiembreve) e a tal lavanderia (nunca use a Quality) ficava num bairro ao lado do nosso, o Nazaré.

Quando a gente foi buscar as roupas, passamos por uns restaurantes bacaninhas e ficamos de butuca pra voltar lá depois. E voltamos.

Num dia à noite, saímos pra jantar e depois paramos numa doceria/cafeteria super charmosa chamada Doceria da Tia Maria e a moça que nos atendeu era suuuuper simpática. Contou da história da doceria, que é uma casa antiga e que o dono comprou, restaurou e preservou. É muito gostoso pedir um café, uma fatia de bolo (que é GI-GAN-TE) e sentar na janela pra ver a rua. =) Essa mesma senhora nos disse que o melhor Tacacá de Belém era o da Dona Maria (outra Maria…rs) que ficava em frente ao Colégio Nazaré. E nessa começou nossa curta e pequena saga pelo Tacacá da Dona Maria.

Uma noite saímos atrás do Tacacá, mas a Dona Maria não estava mais lá. Aproveitamos e fomos até a Igreja da Nossa Senhor de Nazaré. Bem bonita. Quando estávamos tirando uma foto, um senhor (que estava no casamento que rolava na ocasião) veio contar que lá no frontão (aquela parte triangular que fica no topo da igreja e remete à arquitetura neoclássica) se reparássemos bem tinham três homens de terno no meio da cena bíblica…e tinha mesmo…rs

Parece que eram senhores que colocaram dinheiro na restauração da igreja e fizeram questão que fossem retratados lá. Pena que como saí sem câmera, não consegui pegar esse detalhe. =/

Mas, esse pequeno desencontro com a Dona Maria não nos impediu de voltar outro dia, mais cedo, e finalmente provar o Tacacá…e é bom! O Tacacá é um caldo com várias coisas, uma delas é o jambu. E por conta do jambu a boca fica formigando…rs Então além de gostoso ainda é divertido. UI! O Tacacá da Dona Maria fica bem em frente ao Colégio Nazaré. Ela chega com a barraca dela às 16h e quando acaba o Tacacá ela vai embora, então o lance é chegar cedo. 😉

Como você deve ter notado, Belém foi um ótimo lugar pra compensar todas as saladas que comi no jantar até chegar lá….rs

Mas nem tudo foi divertido. Aproveitamos um sábado e saímos pra almoçar no Cambu, uma pequena ilha onde têm vários restaurantes. Vi que muitos indicavam o “Saldosa Maloca” e é pra lá que a gente foi. Pra chegar é só pegar uma voadora (aquelas lanchas pequenas e rapidinhas) e em menos de 10 minutos você tá do outro lado.

A comida estava boa, a cerveja gelada (e lá eles tomam em taça, vá entender) e voltamos tranquilamente no fim da tarde. Quando chegamos de volta ao outro lado, pegamos um táxi…estamos no táxi e 2 minutos depois…tentaram parar o táxi porque um homem tinha sido baleado, ali em plena calçada. O taxista não parou e alguns metros mais a frente, onde tinha um posto da polícia ele avisou sobre o ocorrido. Não sei o que aconteceu depois disso e no dia seguinte não vi nenhuma notícia falando sobre isso. =/

No dia depois desse fato, saímos pra resolver algumas coisas e num rua perto da pousada uma menina me perguntou se eu sabia onde ficava tal associação (Papa alguma coisa). Eu disse que não morava lá, mas como  nós tínhamos passado por lugar com um nome parecido alguns dias antes, tentamos ajudá-la a achar. E foi mais de meia hora perguntando de casa em casa na rua onde era a tal associação…até que uma das portas abriu e era um abrigo para jovens.

A mulher que falou conosco muito a contragosto disse que a Gabriela (a menina em questão, que parecia uma menina pelo porte franzino, mas tem seus 26 anos de idade) tinha assinado e saído do abrigo no dia anterior e onde ela estava querendo ir era outro lugar. Então, a Gabriela nos contou que no dia anterior ela estava no abrigo e estava com uma sensação muito ruim e que algo pesado estava sobre ela e então ela resolveu ir embora pra casa onde a família ficava e lá chegando a irmã de 16 anos tinha falecido no dia anterior.

E agora ela voltou porque estava procurando o outro abrigo onde o filho dela de 6 meses estava. Conseguimos o endereço exato do abrigo masculino onde o filho dela estava e como não era tão longe, fomos com ela a pé. Gabriela tem 26 anos, lê, morava na rua e há alguns meses recolheram ela e o filho dela.

No caminho paramos pra comer, deixamos ela com um lanche e o que tínhamos no bolso que não era muito. Ela não era uma menina perdida ou que aparentava tem algum problema mental. Ela parecia uma menina que não se ajustou ao abrigo e que para ela era melhor ficar na rua.

Para chegar ao abrigo onde estava o filho ela andou por mais de 2 horas desde a casa onde a família mora, mas como ela explicou a família não é uma família unida e por isso ela não ficava com eles…e como o emprego estava difícil ela ainda não sabia como conseguiria ter o filho de volta.

Não darei nenhum tom dramático aqui. A história da Gabriela é triste, muito, e sei que como ela existem muitas outras e o que me deixa tocada ainda hoje escrevendo o post tantos dias depois é pensar que a Gabriela possivelmente não é a menina-mulher-de-26-anos em pior situação em Belém. Torço muito para que ela tenha conseguido ver o filho naquele dia.

Apesar desses dois fatos tristes, Belém não foi uma cidade ruim. Eu gostei de Belém (diferente do Edu), não me senti insegura…mas pelos bairros que passamos em comparação ao bairro de Nazaré que é um bairro nobre, percebe-se que como tantos outros lugares da parte de cima do Brasil, há um abismo muito grande entre a elite a grande massa. É diferente do impacto que foi a chegada em Maceió, mas não deixa de ser triste imaginar todas as Gabrielas que o turismo (e a maioria da galera no Brasil) não vê.

Próxima parada (para dar um respiro): Alter do Chão.

 

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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