Os passos de Jack Kerouac pela Cidade do México
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Os passos de Jack Kerouac pela Cidade do México

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O que acontece quando morre a esperança?
Pequeno documentário sobre os passos de Jack Kerouac

Uma das histórias de amor mais tristes e malucas da literatura do século 20 se passou na Cidade do México: a do escritor beat norte-americano Jack Kerouac pela prostituta mexicana Esperanza Villanueva.

O México sempre pareceu um lugar ideal para os beatniks – onde a aplicação relativa das leis, a beleza das paisagens e o carpe diem dos costumes permitia que todos aqueles escritores, nascidos sob regras rígidas de religião e ética capitalista, pudessem dar vazão a todos os seus desejos e impulsos.

Por isso, quando William Burroughs foi preso em Nova Orleans por posse de drogas, o México era a opção natural de fuga. Burroughs já vivera no Marrocos (também fugindo da lei), mas foi no México que ele se sentiu mais aclimatado.

Assim que Burroughs chegou à Cidade do México, em 1956 (ele já estivera na cidade antes; foi lá que em 1951, ele assassinara acidentalmente sua esposa), Jack Kerouac foi encontrá-lo.

Jack Kerouac e seu amigo sentados no sofá

Biógrafos alegam que a verdadeira intenção de Kerouac era abrir um centro budista na capital mexicana, mas seja qual fosse, nada saiu como planejado: na casa de Burroughs, Kerouac conhece uma prostituta índia, viciada em morfina: Esperanza Villanueva.

O que se segue é uma história de amor, vício e frustração: impedido de realizar seu desejo por Esperanza, Kerouac volta aos Estados Unidos, alguns meses depois, para encontrar o isolamento que o budismo exige. Enquanto isso, Esperanza se afunda mais nas drogas, graças a Bill Garner, vizinho de Kerouac, que apresenta a ela barbitúricos.

Nas montanhas ao norte dos Estados Unidos, Kerouac sente saudades de Esperanza e, levado pelo desejo, volta ao México em 1957 para reencontrá-la. A Esperanza que ele revê é uma pálida sombra de sua própria memória: a beleza índia da mexicana exaurida pela droga, sua própria condição física é débil e seu estado mental é agressivo/passivo.

Kerouac ainda tenta uma aproximação, mas frustrado, compreende que não há jeito. Ele volta para sua Nova York, ainda em 1957, para encontrar fama e dinheiro com o lançamento de “On the Road”.

Como bom autor, Kerouac eternizou esta passagem de sua vida em uma pequena novela, chamada “Tristessa”, em que a Cidade do México é tão personagem do livro quanto Esperanza ou o próprio Kerouac. O autor parece sugerir que nada daquilo poderia ter acontecido em outro lugar senão a capital mexicana – e ele mostra porque, indicando bairros e avenidas por onde a ação transcorre.

Munidos de equipamentos (poucos) e coragem (muita), refizemos os passos de Kerouac pelo centro da Cidade do México, retratados em “Tristessa”. O resultado está no vídeo abaixo, que traduz o itinerário descrito no livro em imagens e história. Limitações técnicas e criativas à parte, esperamos que a Cidade do México possa se reconhecer em nosso vídeo assim como se reconheceu nas páginas de Kerouac.

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Cidade histórica

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    Edu

    Escritor, tradutor, viajante - apenas um homem atrás de uma grande mulher.

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    23 Comments

    1. Marcia Mexico

      Adorei!

      18 de abril de 2017 Responder
    2. Aline DP

      Nossa, q história triste. Se não fosse real poderia dizer q se tratava de mais um “drama mexicano”. 🙁

      27 de abril de 2017 Responder
    3. Mariana Bueno

      Adorei conhecer mais dessa história! E adorei também a ideia de refazer os passos do escritor. Dá outro significado para a viagem, né?

      27 de abril de 2017 Responder
      • Margareth Furtado

        Oi, Mariana.
        Pois é, refazer os passos dele realmente foi uma experiência que deu outro significado pra viagem. =)
        Que bom que gostou. Obrigada pela visita.

        3 de maio de 2017 Responder
    4. Michela Borges Nunes

      Muito bom o documentário. Gostei muito quando mostrava locais antigos e atuais. Forma interessante de viajar… na história, no livro, no local. Parabéns!

      27 de abril de 2017 Responder
      • Margareth Furtado

        Obrigada, Michela. <3
        Sim, imaginar a diferença do que ele viu na época e do que vimos no nosso passeio foi uma experiência bem interessante.

        3 de maio de 2017 Responder
    5. Alessandra Fratus

      Geeente, que ótima ideia! Amei de paixão. Não conhecia essa história apesar de ser fã da obra do Kerouac. Muito legal esse post!!

      27 de abril de 2017 Responder
      • Margareth Furtado

        Obrigada pelo comentário, Alessandra. =)
        Em breve faremos outro documentário nessa pegada literária…rs

        3 de maio de 2017 Responder
    6. Gabi Pizzato

      Keroac e suas doidices. Só li o ‘On the road’ e também achei ótima a ideia do vídeo!

      27 de abril de 2017 Responder
      • Margareth Furtado

        Obrigada, Gabi. =)

        On The Road é o mais conhecido mesmo, né? Esse é um livro “menor” por assim dizer. Mas essa parte dela perambulando pela cidade é algo que vale a leitura…e valeu o documentário. <3

        3 de maio de 2017 Responder
    7. Camila Lisboa

      Eu li o On the road e adorei! Fica agora na lista o Tristessa para inspirar essa viagem a cidade do Mexico 🙁

      28 de abril de 2017 Responder
      • Camila Lisboa

        Ops 🙂

        28 de abril de 2017 Responder
      • Margareth Furtado

        Camila, não vou mentir e dizer que o livro é fenomenal…não é o melhor dele. Mas só essa parte do trejato dele pela cidade vale a leitura. =)

        3 de maio de 2017 Responder
    8. Cleber Yamamoto

      É tão bom viajar, conhecer a cultura e as histórias de cada local. Poxa, que história triste de Jack Kerouac.

      28 de abril de 2017 Responder
    9. Luciana Rodrigues

      Cara! Esse post é literalmente uma viagem. Eu li On the Road há muitos anos e agora fiquei com uma baita vontade de ler Tristessa. Post inspirador demais. Parabéns!

      30 de abril de 2017 Responder
      • Margareth Furtado

        Oi, Luciana. Tudo bem?
        Sim, acho que “On The Road” é o grande livro dele, né?
        Esse não é excelente, mas a história em si e a forma de como ele relata esse trajeto pela cidade vale a leitura. =)

        3 de maio de 2017 Responder
    10. VaneZa NarciSo

      Não conhecia nada desta história. Simplesmente vcs estão de parabéns.
      Ah, ganharam mais um inscrito no canal Youtube. Abraços!

      30 de abril de 2017 Responder
      • Margareth Furtado

        Oi, VaneZa. =)
        Obrigada pelo elogio e bem-vinda ao canal! o/
        Em breve faremos outros vídeos “literários” como esse.

        Beijos

        3 de maio de 2017 Responder
    11. Edson Amorina Jr

      Excelente post! Não conheço muito da vida e da obra de Kerouac, mas fica bastante instigado por esse roteiro.

      1 de maio de 2017 Responder
      • Margareth Furtado

        Obrigada pela visita, Edson. =)
        Ele ficou mais conhecido pelo “On The Road” e esse nem é um livro excelente, mas essa parte em que ele volta a pé pela cidade chama a atenção. Por isso decidimos refazer. =)

        3 de maio de 2017 Responder

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