O Palacio Bellas Artes, uma pérola no centro da Cidade do México
México

O Palacio Bellas Artes, uma pérola no centro da Cidade do México

Quando a tradição e modernidade se encontram na Cidade do México

Não canso de dizer que a Cidade do México é uma metrópole incrível. A arte e cultura do México, e de sua capital, é um dos maiores atrativos do país.

E depois de falar dos principais museus ligados a Frida Kahlo e Diego Rivera, chegou a hora de apresentar outras casas de arte na cidade.

São lugares tão interessantes que mereciam um post só pra eles, e cá estamos. \o/

O Palácio das Belas Artes: uma pérola do centro da CDMX

Cúpula do Palácio das Belas Artes
Cúpula do Palácio das Belas Artes

O Palacio Bellas Artes fica localizado na Av. Juaréz e era o principal local de apresentações de ópera da cidade.

Por fora a arquitetura em estilo Beaux-Arts, o estilo arquitetônico de Paris – pra quem é do Rio de Janeiro o Teatro Municipal é uma ótima referência desse estilo – , chama atenção já de longe, e isso também porque foi usado muito mármore de Carrara na parte externa do edifício.

E então, quando se entra no prédio, há um contraste incrível detalhes modernas desde a escadaria até os murais de Diego Rivera, José Clemente Orozco, Rufino Tamayo.

Nós chegamos por lá numa tarde de sol incrível, e antes da nossa visita rolou até uma entrevista na rua! Dois meninos pararam a gente e entrevistaram o Edu, em inglês, para algum trabalho de escola.

Voltando ao Palácio. No começo do Século XX o então presidente do México, Porfírio Díaz, encarregou o arquiteto Adamo Boari de construir o novo Teatro Nacional. A obra fez parte dos festejos do Centenário da Independência do México.

Na primeira fase da construção, de 1904 a 1912, as fundações e exterior do edifício foram feitas. O arquiteto seguiu o padrão Art Noveau usando aço e concreto na estrutura, uma técnica considerada nova para a época.

Por fora, as esculturas que ornamentam o edifício representam as Belas Artes e foram todas confeccionadas por artistas estrangeiros.

Informações práticas para quem quer visitar o Palácio

O Palacio Bellas Artes funciona atualmente como local de exposição de arte, além de abrigar eventos de dança, música e teatro. São três pavimentos e no topo de todos há um Museu Nacional de Arquitetura.

Para visitar é preciso pagar uma taxa de 60 pesos mexicanos. Quem quiser tirar fotografia lá dentro precisa pagar mais 20 pesos. O horário de funcionamento é de 10h até 17h.

Para quem quiser visitar o Museu Nacional de Arquitetura, será preciso pagar a mais. Não fiz isso. Visitei apenas as partes de exposição temporária e os espaços abertos.

Há mais um local que vale ser visitado dentro do Palácio que é a Sala de Concerto. Lindíssima, mas só está aberta para visitação em dias específicos.

Existem visitas, gratuitas, para conhecer a sala de concerto, mas com vagas limitadas. Elas acontecem terças e quintas de 12h50 até 13h20 e sexta-feira de 12h40 e 12h50. Chegue cedo para conseguir lugar. Afinal, você não vai querer perder isso aqui:

Sala de Concerto com visão panorâmica
Linda, né? <3

Claro, você pode comprar ingresso para alguma apresentação e aproveitar a sala em todo o seu esplendor.

Sempre tem eventos por lá, vale conferir algum. Esses ingressos são comprados individualmente e é possível ver tudo com antecedência no site, bem como adquirir os ingressos. 😉

Bem, um dos grandes atrativos do prédio por dentro é a sua arquitetura moderna e os murais espalhados pelos andares. Simplesmente estonteantes.

Alguns dos mais icônicos são: “El hombre controlador del universo” que Diego Rivera pintou em 1934, “Carnaval de La Vida Mexicana” e “Tercera Internacional”, também de Rivera, “La Katharsis” um incrível mural de Orozco que foi pintado entre 1934 e 1935, “Nueva democracia” de David Alfredo Siqueiros e “Nascimiento de nuestra nacionalidad” um mural mais moderno de 1952, concebido por Rufino Tamayo.

E não são só esses, mas, vou falar dos que me chamaram mais atenção e que me deixaram de queixo caído.

Os murais do Palacio Bellas Artes

Achei que esses murais mereciam um tópico à parte, principalmente, porque são eles que dão o tom tão peculiar do Palácio.

Ao ver por fora, aquela arquitetura romana e grega, cheia de rebuscados e pilastras, você não imagina que vai se deparar com um interior tão moderno. E com tantos murais inacreditáveis!

Então, vamos a eles. =)

“El Hombre Controlador del Tiempo”, Diego Rivera, 1934

Mural pintado em parede de museu

Em 1933 Diego Rivera começou a pintar um painel para o Rockfeller Center, em Nova York. O trabalho inacabado foi destruído quando Rivera apresentou um retrato do líder comunista Vladimir Lênin, fato que desencadeou a rejeição da família Rockefeller pela obra.

Diego Rivera retomou muitos dos motivos que estavam presentes neste mural quando foi convidado para decorar uma das paredes do segundo andar do Palácio das Belas Artes. Nele trabalhou entre janeiro e novembro de 1934.

O mural tem um conteúdo abertamente político. O trabalhador aparece como o eixo central a partir do qual a imagem é dividida em dois. A seção esquerda é considerada como uma crítica do mundo capitalista, caracterizada pela luta de classes e corrompida pela repressão e pela guerra. A presença de Darwin – uma referência ao desenvolvimento da ciência e a tecnologia contrasta com o avanço dos soldados da Primeira Guerra Mundial.

A escultura greco-romana representa a religião e o pensamento ocidental, enquanto sua contraparte, no extremo oposto, a queda do fascismo. A seção direita apresenta uma visão idealizada do mundo socialista: os trabalhadores permanecem pacificamente na Praça Vermelha. Lenin lidera a união da classe trabalhadora. Marx, Engels, Trotsky e Bertram D. Wolfe apelam à coesão do proletariado mundial.

As elipses que irradiam da máquina incorporam o macrocosmo e o microcosmo. A órbita superior esquerda contém células doentes, símbolo da decadência do mundo capitalista; Aqueles que aparecem no extremo oposto, o mundo socialista, são saudáveis ​​e aludem à gênese da vida.

“La Katharsis”, José Clemente Orozco, 1934-1935

Mural com figura feminina em destaque

Depois de completar os murais da Baker Library no Dartmouth College, New Hampshire, EUA, em 1932, Orozco foi convidado pelo Secretário de Educação Pública para pintar um mural no Palácio das Belas Artes. Foi o ano de 1934. Essa alegoria sobre a guerra é uma crítica à sociedade de massa e denuncia os perigos do desenvolvimento tecnológico, mostra a anarquia geral e a degradação social.

Orozco argumenta que a redenção é possível em troca de uma destruição renovadora. A composição caótica, o drama da cena e as cores brilhantes contrastam com a serenidade que Rivera estava pintando no outro extremo do edifício, afinal este fica na face oposta do “El hombre controlador del Universo”.

O historiador Justino Fernández observou em 1942, em seu ensaio “Orozco. Forma e idéia”, que o fogo no topo simboliza a catarse, a única possibilidade de salvar e purificar a civilização. A partir desta interpretação, o mural adquiriu o nome que ele traz hoje.

“Nueva Democracia”, David Alfaro Siqueiros, 1944

Mural pintada com figura de mulher de peito nu

Este foi encomendado para Siqueiros em 1944. O painel central, cujo título original era o México rumo a democracia e a independência, representa a humanidade livre através de uma figura que funde características femininas e masculinas: de seus pulsos pendem grilhões e sua cabeça é coroada por um chapéu que é o símbolo dos ideais da revolução francesa.

Para comemorar a vitória dos aliados sobre o centro de Berlim-Roma-Tóquio em 1945, Siqueiros adicionou mais duas placas. Assim, ele criou o tríptico hoje conhecido como “Nueva Democracia”.

Nas vítimas da guerra, ele retrata a violência em dois corpos assediados, enquanto a vítima do fascismo captura o homem tripulado, o escravo da ideologia.

Inspirado pelo Futurismo, Siqueiros quebra os limites da pintura, pintando fora do quadro e extravasa as figuras para dar uma sensação de movimento, para que a percepção do espectador se torne dinâmica, de acordo com o ângulo de observação.

Este três foram os que mais me chamaram a atenção e me instigaram. E são de fato os três mais impactantes. Mas há ainda:

Tormento de Cuauhtémoc” onde Siqueiros conta uma narrativa sobre a conquista do México. No dia da inauguração ele disse que o mural era “Um canto a Cuauhtémoc e uma imagem da luta que a população mais pobre precisa sustentar.”

A obra não é das mais impactantes estilisticamente, mas não deixa de ser extremamente dramática e atraente.

tormento de Cuauhtémoc, mural mexicano

Em “Nacimento de la nuestra Nacionalidad”, Rufino Tamayo aborda o tema da Conquista como um encontro de dois mundos que, após a morte e a destruição, dão origem a uma nova realidade.

Pintura mural abstrata em tons de roxo

No topo, o rosto do conquistador se destaca em seu cavalo. No final direito, erguem-se ruínas de edifícios pré-hispânicos e, à esquerda, uma coluna dórica simboliza a cultura ocidental. Abaixo deste desliza uma serpente que alude a Quetzalcóatl como divindade criativa.

A união dessas duas realidades é concretizada na parte inferior do mural, onde uma mulher indígena dá à luz um bebê ao mesmo tempo branco e bronzeado, uma imagem que se refere à mestiçagem. No canto superior esquerdo, um eclipse representa a união dos opostos.

E foi entre esses murais que passei uma tarde agradável no Palacio Bellas Artes. Além disso, ainda tive a grande sorte e prazer de ver a exposição “Pinta La Revolución: arte moderno mexicano 1910-1950”.

Muito bem organizada e com curadoria excelente, a exposição guiava o visitante pela história da Revolução Mexicana através da pintura, mostrando o antes, durante e depois. E eis que lá vi o Manifesto do Manuel Maples Acre, do Movimento Estridentista, sobre o qual vi uma peça de teatro em Xalapa.

Também vi algumas telas incríveis, como o primeiro Autorretrtao que a Frida Kahlo pintou, em 1926.

O Palacio de Bellas Artes é um lugar imperdível na Cidade do México, com certeza quero voltar lá um dia…quem sabe alguns muitos dias ainda. Para quem ainda não tiver oportunidade de ir pessoalmente, existe um passeio virtual muito bacana aqui.

E para completar o passeio, a próxima parada é o Colegio San Idelfonso. Fique de olho que o post sobre ele sai amanhã.

Se você gosta de arte, em especial mexicana, confira o post especial sobre os museus relacionados a Frida Kahlo e Diego Rivera aqui, e aproveite para ter uma visão mais ampla sobre a Cidade do México aqui.

SalvarSalvar

SalvarSalvarSalvarSalvarSalvarSalvar

Classificação

5 média baseada em 1 ratings

  • Excelente
    1
  • Muito Bom
    0
  • Médio
    0
  • Fraco
    0
  • Péssimo
    0

Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

LEAVE A COMMENT

Diva De Mochila

No Diva de Mochila você acompanha a viagem de volta ao mundo de uma carioca-paulista que virou mochileira depois dos 30. Bem-vindo (a) ao blog!

No instagram

%d blogueiros gostam disto: