Frida Kahlo e Diego Rivera na Cidade do México
México

Frida Kahlo e Diego Rivera na Cidade do México

A vida cultural da capital mexicana

A Cidade do México tem uma cena cultural muito interessante. São diversos museus e lugares para conhecer. E é possível transitar desde as peças pré-colombianas até a Arte Moderna mexicana.

Um dos movimentos artísticos mais conhecido do país é o Muralismo, que teve como grande representante o artista Diego Rivera. Além disso, outro grande nome da cidade é a artista Frida Kahlo, que foi casada com Rivera.

Com isso, existem alguns pontos de interessante na cidade que valem a visita, são eles: Museu Frida Kahlo, Museu Anahuacalli, Museu Mural Diego Rivera, Palácio Belas Artes e o Colégio San Idelfonso.

Visitei todos e me fartei de tantas coisas lindas. Mas, vamos por partes. Hoje quero apresentar os espaços diretamente relacionados ao Diego Rivera e a Frida Kahlo.

Museu Frida Kahlo, o mais visitado da Cidade do México

Casa Azul Museu Frida Kahlo

Então, este é o museu que mais recebe visitante na cidade. Esta foto ao lado é apenas ilustrativa, pois no dia a dia estará cheio de visitantes aí na frente. rs

A antiga casa da artista foi transformada em museu para que as pessoas pudessem ter um pouco de contato com o mundo em que ela vivia.

Foi nesta casa que a artista nasceu e cresceu. Em 1958, quatro anos após a morte da artista, o espaço foi convertido em museu.

Você não verá muitas obras por lá, existe uma coleção permanente, mas o local funciona mais como memorabilia, e isso não deixa de ser muito interessante. Além disso existem muitas fotos, afinal o pai da Frida, Guillermo Kahlo, era fotógrafo, além de alguns retratos icônicos e originais que fotógrafos renomados fizeram da artista, como as do Nickolas Murray.

Como o pai dela era fotógrafo, Frida posava desde nova para as fotos. E como ela fotografava bem. Talvez uma das poucas mulheres que consegue transmitir sua personalidade através de uma foto. E isso não é só por causa de toda a sua indumentária, algo no olhar talvez…

Em adição as fotos, há alguns textos interessantes ao longo de toda Casa Azul. Talvez o que mais tenha me chamado atenção foi um em que ela falava sobre Diego Rivera, era mais ou menos assim:

“As pessoas me perguntam se eu me ressinto, mas não vejo como as margens de um rio poderia se ressentir por deixá-lo seguir seu curso natural.”

A relação dela com Rivera era bem atípica. Ambos tinham casos amorosos fora do relacionamento, em comum acordo, mas ele só aceitava bem quando ela se relacionava com mulheres…com homens a coisa mudava um pouco de figura.

Ele teve também seus inúmeros romances. Inclusive, foi uma de suas amantes que teve papel fundamental na abertura da Casa Azul para o público.

Na minha visão, a grande importância de conhecer o museu é entender a relação da artista e sua obra com a própria casa. A Frida tinha problemas de locomoção devido a um acidente e por isso começou a pintar deitada em cima de sua cama.

Casa esta que permanece exposta no museu até hoje. Cada objeto na Casa Azul diz algo sobre a pintora: muletas, espartilhos e remédios são testemunho do sofrimento e múltiplas operações as quais foi submetida.

Foi na cozinha e slaa de jantar da Casa Azul que Frida e Diego receberam nomes importantes como: André Breton, Tina Modotti, Edward Weston, Leon Trotsky, Juan O Gorman, Carlos Pellicer, José Clemente Orozco, Isamu Noguchi, Nickolas Muray, Sergei Eisenstein, Dr. Atl, Carmen Mondragón, Arcady Boytler, Gisèle Freund, Rosa e Miguel Covarrubias, Aurora Reyes e Isabel Villaseñor, entre muitos outros.

Acho que isso tudo demonstra como o espaço doméstico era tão importante e tinha um papel forte em sua vida e obra. E caminhando pelo espaço é possível perceber isso.

Para visitar o melhor a fazer é comprar antecipadamente o ingresso pela internet. Nós fomos numa segunda-feira achando que conseguiríamos comprar na hora sem problema…e esperamos 3h na fila. (rs)

Burrice nossa, mas conseguimos visitar no mesmo dia. Para quem tem tempo contado no relógio, não deixe de comprar online, assim você evita a fila. A entrada custa 200 pesos mexicanos em dia de semana e 220 aos fins de semana.

Os horários são de 10h até 17h30 às terças-feira, 11h até 17h30 às quartas e 10h até 17h30 de quinta a domingo. Ou seja, segunda-feira está fechado.

Existe a parte de exposição permanente, que são os móveis, itens da casa, a cozinha que estava fechada até pouco tempo e a exposição temporária. Quando visitamos estava em exposição os vestidos, espartilhos e outros itens de vestuário, bem como a perna de madeira que ela usava. No meio disso tudo estava o diário da Frida. <3

Foi bem bacana ver essa parte. No geral a Casa Azul é bem cheia e não há muito espaço físico ou temporal para apreciar tudo com calma. Mas também não há tempo restrito para ficar no museu.

Quem quiser fotografar precisará pagar uma taxa de 60 pesos mexicanos. Nada muito absurdo. Bem, havia outro museu que estava me animando bem mais que a Casa Azul…

Museu Anahucalli: a herança de Diego para os mexicanos

Museu Anahuacalli na Cidade do México

Como eu disse, outro museu que eu estava bem mais interessada em visitar era o Museu Anahuacalli. Este museu é bem menos conhecido do grande público e chegando lá isso ficou evidente.

Além de ser localizado em um lugar de mais difícil acesso, não há metrô perto, ele é pouco divulgado. Quem visita o Museu Frida Kahlo pode visitar este museu de graça com o mesmo ingresso, mas as pessoas não sabem disso.

O prédio do museu foi desenhado e executado por Diego Rivera para abrigar a sua coleção de arte pré-colombiana. Ele era um grande colecionador, e admirador, dessa arte e queria construir o museu para deixar como herança aos mexicanos, já que essas peças contam a história do povo do país.

O prédio foi construído com pedras vulcânicas tiradas do terreno onde ocorreu a erupção do vulcão Xitle. Diego teve uma certa consultoria do Frank Lloyd Wright, com quem ele trocou figurinhas sobre o desenho do prédio durante todo o processo.

A arquitetura remete ao estilo teotihuacano, uma das culturas que tanto encantava Rivera. Inclusive a Frida Kahlo usava as roupas e penteados típicos das mulheres dessa região, que tem perfil matriarcal.

O prédio tem três pavimentos e um terraço. O espaço interno é bem interessante, pois as janelas, a maioria, são de um vidro amarelado que cria uma aura interessante. E afinal, é um pirâmide!

Em cada sala há um desenho diferente no teto. Em algumas são figuras de deuses astecas, eu outras há cenas com elementos que mostram o posicionamento político do artistas, como esta:

Teto com símbolo de foice e martelo
Reparou no detalhe?

As peças expostas estão muito bem preservadas. São cerca de 2000, mas a coleção inteira tem mais de 50.000 peças. A Frida dizia que todo dinheiro que Diego tinha “sobrando”, ele gastava com sua paixão pelas peças pré-colombianas.

Além do museu em si, o espaço onde ele está localizado tem alguns atrativos para que as pessoas passem o dia aproveitando o espaço. Há uma biblioteca, algumas espreguiçadeiras para aproveitar o sol, uma cafeteria, eventos ao longo do mês com yoga, danças folclóricas e um pequeno parque com brinquedos para crianças.

Achei bem bacana e o Museu ultrapassou as minhas expectativas. Aqui algumas fotos de lá:

O museu fica localizado na Calle Museo, 50, Colonia San Pablo Tepetlapa. A entrada custa 90 pesos, bem mais barato que o da Frida, e funciona de quarta a domingo entre 11h e 17h30.

Para chegar pegamos o metrô, fizemos baldeação para o trem e de lá pegamos um táxi. Para ir embora, descemos a rua do museu a pé e pegamos um ônibus, uma van na verdade, até a estação de trem em que chegamos e voltamos normalmente.

Ah! Assim como no Museu Frida Kahlo, no Museu Anahuacalli é preciso pagar uma taxa caso você queira tirar fotos lá dentro. É um valor simbólico, nada exorbitante. Para o Anahuacalli são 30 pesos, ou seja, no final a entrada vai sair por 120 pesos.

Se você quiser ter uma ideia melhor que as minhas fotos, é possível fazer uma visita virtual aqui.

Entre os dois museus, eu gostei muito mais do Anahuacalli, confesso. E, havia outro lugar relacionado ao Rivera que eu queria muito ver…

Museu Mural Diego Rivera

Museu Mural Diego Rivera

Continuando com Diego Rivera, também queria ver o mural tão famoso dele intitulado “Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central”. Hoje em dia este mural está localizado no Museu Mural Diego Rivera.

O mural foi realizado, em 1947, por iniciativa do arquiteto Carlos Obregón Santacilia e ficava, originalmente, no restaurante Versailes, dentro do Hotel del Prado. Em 1985 o mural acabou sofrendo danos por conta do terremoto que ocorreu na cidade.

Só em 1987 que ele foi restaurado e então transferido para o museu, em 1988, que foi construído especialmente para abrigar o mural.

São 4,7 x 15,6 metros de dimensão e nele estão retratados 150 personagens da história mexicana, desde os mais antigos até os contemporâneos a Diego. O artista se retratou como criança bem no centro do mural.

Atrás dele está Frida Kahlo e a sua direita está La Catrina, uma representação criada por José Guadalupe Posada e batizada por Diego Rivera. Farei um post só pra falar sobre essa figura da cultura mexicana. Aguarde. 😉

Quando você chega perto para ver o mural, vai notar que existe um sapo no bolso do casaco do Diego Rivera, isto é uma referência ao apelido que Frida deu para ele: “ El Sapo Rana”.

Na frente do mural existe dois painéis que apontam cada figura histórica da cena. É realmente impressionante a dimensão da obra, bem como o traço tão característico do artista.

O Museu Mural Diego Rivera fica localizado na Calle Balderas y Colon. É bem na Plaza de La Solidaridad, entre a Av. Juaréz e Av. Hidalgo.

A entrada custa 25 pesos e se você quiser tirar foto há uma taxa de 5 pesos. Além do mural, há um espaço, até bem generoso, para exposições temporárias.

Quando visitamos estava exposto o trabalho de um artista contemporâneo mexicano. No geral é um trabalho interessante, mas algumas telas me chamaram bastante atenção. Como esta:

Pintura de artista mexicano

E estes são os principais locais para ter contato com o mundo da Frida Kahlo e do Diego Rivera. Vale visitar cada um deles.

Mas a vida cultural da cidade não para por aí. Ainda tem muito para ser visto! Então, aguarde o próximo post em que falarei sobre o Palacio Bellas Artes e o Colegio San Idelfonso.

E se você se interessou pela Cidade do México e quer saber mais sobre a cidade, onde ficar, como se locomover, etc, confira o post geral sobre a capital aqui.

Qualquer dúvida, já sabe, só deixar um comentário aqui embaixo que terei o enorme prazer em conversar. =)

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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