De Guadalajara a Los Mochis: últimos momentos mexicanos
México

De Guadalajara a Los Mochis: últimos momentos mexicanos

Rumo a Guadalajara, Puerto Vallarta e Los Mochis: momentos finais no México

A Cidade do México é realmente um lugar incrível. Acabei de saber das notícias sobre o terremoto que assolou lá e Puebla…muito triste. Muito.

Espero que a cidade, e os mexicanos, se recuperem dessa tragédia e a cidade volte ao seu dia a dia normal. Meus sentimentos estão com todos por lá. <3

Nós passamos pela CDMX em Maio, já faz alguns meses, mas minha paixão por cada cantinho da cidade continua.

Foi bem difícil deixar a cidade para trás, saí de lá com vontade de ter ficado mais tempo e espero voltar um dia para passar uma temporada maior por lá.

Depois de deixar a Cidade do México, partimos para visitar Teotihuacan e de lá seguimos nosso caminho para o Norte do país. Então partimos de ônibus para Guadalajara.

Guadalajara, a capital de Jalisco

Guadalajara é a segunda maior cidade do México, segundo minhas pesquisas. Na verdade ela é como uma conurbação de três cidades: Zapopan, Tlaquepaque e Guadalajara.

Chegamos na cidade à noite e seguimos direto para o hotel. Não era muito tarde, mas a cidade estava bem vazia. Nosso hotel ficava na parte do centro Histórico, muito próximo a Plaza de Armas.

O prédio desse hotel era do século XVII, contudo, o hotel tinha sido inaugurado há pouco meses. Eu achei bem bacana, moderno e super bem localizado. Se estiver pensando em passar por Guadalajara, vale considerar. 😉

Apesar de ser uma das maiores cidades do México, a população de Guadalajara é de 1,4 milhão. Então, em termos de área para visitar, tudo está muito próximo ao centro. Resultado? Ficamos perto de tudo.

Algum dos lugares mais interessantes na cidade são a Plaza de Armas, os prédios da Basilica de Zapopan, do Palácio do Governo e a Catedral.

Como eu disse, estávamos bem próximos a Plaza de Armas, ou como os locais chamam “Plaza Mayor”. É uma praça bonita, mais “limpa” do que as que conheci até agora. Quando digo limpa, é visualmente. Os prédios são grandes, mas com bastante espaço entre um e outro.

É uma praça agradável, com restaurantes e um coreto bem no meio. Este coreto foi uma compra que Porfírio Diaz, antigo presidente, fez em comemoração ao centenário da Independência, em 1910.

Plaza de Armas com coreto central
Vista da Plaza de Armas de dentro do coreto.

Na praça está a Catedral em todo o seu esplendor gótico. À noite os prédios ficam todos iluminados, vale visitar a praça em diferentes horários.

Vista frontal da Catedral de Guadalajara
Vista frontal da Catedral de Guadalajara

Já a Basílica de Zapopan é mais distante. Para chegar até lá é preciso ir de ônibus, ou táxi, pois ela fica a uns 20 minutos da parte central da cidade.

É um edifício do século XVIII e é uma das mais visitadas do país. Por que? Por causa da estátua da Virgem de Zapopan.

Basílica de zapopan em Guadalajara
Eis a Basílica de Zapopan

Essa estátua foi feita no século XVI pelo povo indígena de Michoacán com palha de milho e madeira. Ela é muito reverenciada e acredita-se que proteja as pessoas de desastres naturais.

Entre junho e outubro a Virgem viaja por outras igrejas de Jalisco, então você pode visitar a Basílica e não conseguir vê-la. Em outubro acontece uma romaria para celebrar o retorno da Virgem para casa.

Quando eu estava na Cidade do México, em uma exposição no Colégio San Ildefonso, havia uma foto fantástica do Teatro Degollado. Esse teatro também fica na praça. A construção é de 1866 e tem fachada clássica.

O que o torna tão especial é o interior estonteante.

Foto do interior do Teatro Degollado
Foto da artista Candida Höffen do interior do Teatro Degollado

Quem pretende visitar, tem que ficar atento ao dia. Alguns dias da semana o Teatro está fechado para visitar e, quando aberto, o horário de visita é entre 12h e 14h. Uma janela bem apertada.

Acabamos não passando por lá, mas um lugar que fiquei curiosa para ver, quem sabe no futuro, é o Hospício Cabañas que tem diversos murais interessantes.

Outro prédio que merece atenção é o Palácio do Governo. Ele serviu como casa do Parlamento durante parte do século XIX e tem murais inacreditáveis do Orozco no interior.

Palacio do Governo de Guadalajara

Acabamos ficando só 2 dias por lá. Então, foram basicamente esses os lugares que visitamos. Quem tiver interesse existem alguns passeio até alambiques de tequila.

Saímos de Guadalajara e seguimos para Puerto Vallarta, sim, lá fomos nós para praia. =)

Puerto Vallarta, a praia mexicana do Pacífico

Vista aérea de Puerto Vallarta

Puerto Vallarta fica bem a oeste do país, ainda no estado de Jalisco. O nome é em homenagem a um antigo governador do estado, Ignacio Luis Vallarta.

É uma cidade bem turística. Como estávamos sentindo um pouco de falta de praia, resolvemos ficar por lá um tempinho e aluguei um Airbnb bem bacana.

A praia de lá é bem tranquila. Não é tão loteada quando Playa del Carmen – onde os hotéis já tomaram conta de toda a areia -, mas como é virada para o Pacífico, se prepare para água gelada. (rs)

Mas é uma cidade bem bonita e com uma igreja que no topo da torre, ao invés de um campanário tradicional, tem uma coroa! (rs)

Igreja com coroa no topo

Basicamente a cidade oferece a praia e o malecón com muitos restaurantes e bares para você sentar, tomar uns bons drinks e ver o sol se esconder no horizonte.

Uma das coisas que eu jamais imaginei que veria por lá e que estava curiosa desde que descobri que existe, são os Voladores de Papantla. Daí você me pergunta, o que é isso? Vamos lá.

Os Voladores de Papantla

Os Voladores de Papantla é uma manifestação cultural, com fundo religioso, que nasceu na Mesoamérica.

Os antigos mesoamericanos acreditavam, graças à sua observação do céu, que tudo o que acontece na Terra está relacionado à ciclos celestes, repetitivos, que determinam o curso do que acontece aqui.

Para eles, esses ciclos eram elementares em sua visão de mundo. Os homens tiveram que garantir que esses ciclos fossem realizados para a preservação da vida. Do mais comum, como o nascimento e pôr do sol, até a chegada das estações, ou os ciclos astronômicos mais complexos.

Os maias contavam o tempo através do Sol, contabilizando 52 ciclos – que poderíamos considerar nossas 52 semanas anuais? – e cada vez que esses ciclos se fechavam (ou re-iniciavam) era celebrado do Fuego Nuevo.

E por conta disso, existem muitos rituais milenares que estão ligados aos ciclos e ao Fuego Nuevo. Um dos mais famosos, talvez pela sua peculiaridade, é o ritual dos homem-pássaro…os Voladores de Papantla.

Apesar no nome, os Voladores são originários de uma região entre Veracruz e Puebla, mas em algumas cerâmicas pré-hispânica acharam representações do que poderia ser esse ritual em Jalisco, Colima e Nayarit.

Mas você já deve estar impaciente querendo saber como é esse ritual. Pois bem. Há um enorme mastro, alguns atingem alturas incríveis, com uma estrutura quadrada de madeira no topo. Então, 5 homens sobem por vez até essa estrutura (de madeira, de m-a-d-e-i-r-a) e se sentam.

Quatro deles em cada haste da estrutura e um no meio. E então, os quatro homens das hastes, que estão com uma corda amarrada na cintura, começam a descer…voando! Eles estão amarrados pela corda, que está enrolada e presa a haste de madeira. Conforme eles vão descendo a estrutura vai rodando.

O homem que está sentado no meio do mastro não desce. Ele fica no topo, rodando com o movimento e tocando uma flauta.

É um espetáculo de coragem, força e habilidade. É hipnotizante.

E consegui ver pessoalmente na praia em Puerto Vallarta. Infelizmente, perdi o vídeo que tinha feito, mas eis aqui um que mostra bem o que são os Voladores de Papantla.

Alguns dos lugares onde é possível ver os mais ousados e sofisticados Voladores é no Centro Histórico de Papantla, na Zona Arqueológica de Tajín, em Papantla, no Centro Histórico de Cuetzalan, Puebla (altamente recomendado pelo que me disseram) e em frente ao Museu Nacional de Antropología e História, na CDMX.

Quando eu voltar ao México, quero visitar Tajín e ver os Voladores de lá. <3

Bem, Puerto Vallarta foi isso. Uma estadia tranquila com os Voladores como ponto alto. Literalmente. E de lá, seguimos para Los Mochis, nossa última parada, nesse post. 😉

Los Mochis, rumo ao El Chepe

Visão da praça com igreja em Los Mochis

Pegamos nosso ônibus – vale dizer que desde a Cidade do México não rolou mais ADO, pois ela atende a parte do sul do país – rumo a Los Mochis. Por que? Para pegar um trem.

Se você acompanha o blog pode saber que somos nós dois, eu e Edu, fissurados em viagem de trem. Fizemos uma viagem no Peru, outra no Equador e desde então não tinha mais trem para gente pegar. Até agora.

Mas essa viagem específica fica pro próximo post. 😉

No geral Los Mochis é uma cidade simpática. Pequena, com algumas praças agradáveis pelas ruas, mas o que marcou Los mochis na minha memória é uma coisa chamada Callos de Hacha!

Callos de Hacha é um fruto do mar que existe no mar do Pacífico e é simplesmente delicioso! A primeira vista ele pode lembrar um escalope, só que é maior e mais suculento.

E o jeito que eles mais gostam de comer une o melhor do México ao Peru: CEVICHE! =)

Prato de ceviche de Callos de Hacha
Já dá água na boca… <3

Foi o que comi. E me arrependo de não ter comido mais…só que o restaurante onde tinha, na verdade não tinha muito e comi todo o estoque deles…hahaha

Fica a dica, se estiver pelo lado oeste do México, procure Callos de Hacha. <3  E essa foi um dos nossos últimos trechos do México, que já me enche de saudades.

Próxima parada: Chihuahua, em um dos únicos trens de passageiros do México, o famoso El Chepe!

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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