Estados Unidos

Sun Studios: a casa do Rock’n’Roll

Elvis Presley no Sun Studios

Depois de passar pela casa da Soul Music americana, era hora de conhecer a casa do Rock’n’Roll em Memphis: o Sun Studios.

Nós gostamos de viajar de trem, e então o Edu ficou de olho nas linhas da Amtrak, o sistema de trem que corta os Estados Unidos de ponta a ponta, e viu que daria pra fazer uma linha passando pelas cidades mais musicais de lá: Detroit, Chicago, Memphis e New Orleans.

Vimos a techno music de Detroit, depois seguimos pelo blues e Chicago e agora era hora de explorar Memphis. E, bem, todo mundo que já ouviu falar de Memphis, provavelmente a conhece como a Cidade do Elvis e do Rock’n’Roll, pois foi lá que ele começou a carreira.

E então, lá fomos nós para o Sun Studios conhecer o local onde o Rei do Rock começou sua jornada. =)

Sun Studios, a casa do Rock’n’Roll que segue firme até hoje

Já posso dizer logo de cara que a visita ao Sun Studios é mais cara que a visita ao STAX Museum, e você verá bem menos coisas, mas é aquele tipo de passeio que a gente acaba impelido a fazer para não se arrepender depois… (rs)

O Sun Studios nasceu para tentar capturar o espírito musical da Beale Street e foi criado pelo DJ Sam Phillips, em 1950, no número 706 da Union Avenue. No início Sam gravava músicos de blues como B.B.King – sim, ele mesmo – e Rufus Thomas, que depois se tornaria um artista da STAX.

O estúdio tinha um serviço que você podia chegar lá e gravar uma música numa cabine de som, como aquelas cabines de fotos, sabe? E então, em 1953 um Elvis de apenas 18 anos de idade entrou no Sun Studios para gravar, por $3.98, duas músicas “My Happiness” e “That’s when your heartaches begins”.

Quem o atendeu foi a secretária Marion Keisker que ficou impressionada com o estilo de cantar de Elvis, que nada tinha a ver com qualquer outro, e por isso guardou uma cópia da gravação para mostrar pra Sam, com a anotação de “Bom cantor de baladas. Guardar.”

Só um ano depois é que Sam Phillips se impressionaria com Elvis quando o cantor faz uma sessão com Scotty Moore (na guitarra) e Bill Black (no baixo) tocando “That’s All Right (Mama)”.

Sam conseguiu emplacar Elvis na rádio local e ele se tornou um hit quase que instantâneo. O sucesso de Elvis ajudou a emplacar os nomes que virariam ícones do rock como Johnny Cash, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Roy Orbison e Charlie Rich.

Em 1955 o estúdio lançou “Cry, Cry, Cry” de Johnny Cash que entrou no Top 15 de músicas country e em seguida, no mesmo ano, surgiram os hits “Folsom Prison Blues” e “I Walk the Line”.

Além disso, Perkins e Jerry Lee Lewis estavam cada vez mais famosos e queridos pelos americanos.


O Quarteto Milionário (The Million Dollar Quartet)

Em 1956 uma jam session improvisada no estúdio com Elvis, Perkins, Jerry e Cash ficou conhecida como “The Million Dollar Quartet”. Perkins estava gravando e Sam resolveu levar Lewis para tocar piano. Cash estava visitando e Elvis tinha dado uma passada por lá com a namorada da época.

O registro desse encontrou só foi lançado pro mundo em 1981, a foto da capa do disco está pendurada na sala de gravação e o mobiliário original está lá até hoje.

Foto do quarteto milionário
O quinto elemento no quarteto milionário…rs

Esse encontro dos quatro artistas que valiam um milhão de dólares, inspirou, inclusive, um musical da Broadway. Perkins e Cash deixaram o Sun em 1958 e Lewis os seguiu em 1963. Com a saída de Lewis, em 1969 Sam vende o catálogo completo do estúdio, com mais de 7000 masters, para a gravadora Mercury por um milhão de dólares.

O estúdio foi aberto para o público em 1987 e nesse mesmo ano o U2 passou quatro dias gravando três músicas que entraram no álbum “Rattle & Rum”. Em 2003 o local recebeu a placa de marco da cidade de Memphis.

E o Sun segue em atividade até hoje, com músicos podendo usá-lo para gravação. E eles o fazem. Por isso o horário de visitas é limitado até certo horário, pois depois começa o expediente de gravações do estúdio.

Piano na sala do Sun Studios
Piano original onde o Elvis está tocando na foto anterior.

Quando você chega a porta de entrada e bem pequena e o lobby está sempre apinhado de gente. Nessa parte é possível ver todo tipo de merchandising, desde ímãs até baquetas, camisetas, canecas, etc.

Bem, comprei um adesivo pra minha coleção e ele está na tampa no note aqui fazendo companhia pro adesivo da STAX…(rs)

As visitas tem horário específico. Apesar de estar bem cheio, conseguimos comprar ingressos para dali uma hora.

Não há muito o que ver. A visita começa numa sala com bastante peças de época como gravadores e o estúdio do Sam Phillips recriado em uma grande vitrine. Depois outra escada leva para o andar de baixo, o estúdio de gravação se encontra. E é isso que você verá.

O que é realmente bacana é que ao longo dos 30 minutos de visita o guia-músico-rockeiro toca trechos de gravações originais. E isso é o mais bacana, pois são gravações que não estão na internet ou em outro lugar.

Também é bacana pela história, saber que você está ali, no mesmo lugar onde nomes tão importantes gravaram e começaram a carreira. Mas, a visita ao STAX Museum ainda é mais bacana, confesso.

Não sou grande fã do Elvis, conheço a história dele por alto como a maioria das pessoas, mas não nego que ele tinha uma voz bacanuda e, bem, o cara tinha mesmo uma estrela. Mas em relação ao Sun Studios, meu interesse maior era no Johnny Cash.

Então, para você entrar um pouco no clima da importância do Sun Studios, montei uma playlist com as principais músicas gravadas por lá:

Não me arrependo da visita, foi bacana, mas achei um tanto caro. Enquanto o STAX Museum custa $13 e tem coisa a beça pra ver, aqui no Sun Studios você vai pagar $15 e ver bem menos coisas. Mas, tem essas gravações originais que compensam.

As visitas acontecem diariamente entre 10:00 e 17:30. É só chegar e comprar, mas como está sempre cheio, vale passar lá cedo e comprar para o dia seguinte ou para o mesmo dia mais tarde.

Uma boa ideia é passar no Sun de manhã, comprar ingresso para o fim da tarde e então ir até o STAX Museum nesse meio tempo… (rs) Eu sei, tô uma pentelha falando da STAX, mas é que gamei mesmo. Pronto, falei! hahaha

Ir a Memphis sem conhecer a casa do Rock’n’Roll seria uma heresia. Foi a meia hora mais cara da minha vida? Foi! Mas hoje relembrando, valeu a pena. Eu teria me arrependido se não fosse. Bem, agora só nos resta uma cidade na Linha Musical da Amtrak….e por isso, nossa próxima parada é:  New Orleans ! Aguarde… 😉

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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