Estados Unidos

Um tour gângster (e musical) por Chicago

Chicago é uma cidade tão impressionante que não teria como resumir em um post só, então, cá estou já com o terceiro post sobre a “Windy City” (rs).

Se você não viu os posts anteriores, pode ver como foram os primeiros momentos de Chicago e saber mais sobre a Arte na cidade. Hoje é dia de falar de duas peculiaridades de Chicago: os gângsters e as músicas.

Afinal, é a terra de Al Capone e do Blues. Como deixar isso passar em branco?

Um roteiro gangster por Chicago

Bem, a cidade não se orgulha de seu passado criminoso, obviamente. Então, você não verá pessoas oferecendo tours na rua, como acontece em outros pontos turísticos dos EUA. Mas, não é difícil achar os pontos onde a história aconteceu na cidade.

Para entender um pouco mais: havia uma briga de gangues em Chicago, entre a Chicago Outfit, chefiada por Al Capone, e a North Side Gang que era liderada por Dean O’Banion. Isso gerou anos de muita violência e instabilidade na cidade.

Um dos pontos históricos dessa época é a Holy Name Church, que fica na parte norte do Rio Michigan. Em frente a essa igreja aconteceram dois assassinatos notórios de Chicago na década de 20.

Antiga floricultura Schofield’s em Chicago
Antiga floricultura Schofield’s à esquerda

Antigamente havia na frente na igreja uma floricultura chamada Schofield’s que pertencia, de forma legítima, a O’Banion. Acho que o negócio de sustentava em boa parte vendendo coroas de flores, se é que você me entende.

A questão é que o lugar virou o QG da North Side Gang. Em 1924 Dean O’Banion foi assassinado dentro da Schofield’s, após uma disputa com o rival Angelo Denna, antecessor de Al Capone.

Dois anos depois, capangas da North Side Gang foram atacados, e fuzilados, enquanto estavam a caminho da floricultura. As balas perdidas atingiram a igreja e as marcas estão lá até hoje.

Esse evento deu início a uma fase de extrema violência que durou cinco anos e culminou no Massacre do Dia de São Valentim, em 1929 no Lincoln Park. Os homens de Al Capone, vestidos de policiais, alinharam e fuzilaram sete dos homens da North Side Gang, dentro de uma garagem.

O local foi derrubado nos anos 60 e hoje dá lugar a um estacionamento de rua.

Seguindo a noroeste do parque está o Teatro Biography, inaugurado em 1914. Este marco de Chicago é conhecido por ter sido o local onde o notório ladrão John Dillinger foi baleado por agentes do FBI, em 1934.

Victory Biography Theatre em Chicago
Victory Biography Theatre nos dias atuais

Ele foi traído pela “Dama de Vermelho”, como era conhecida a prostituta e dona de bordel Ana Cumpănaș, de origem romena.

Ela disse ao FBI que John pretendia ir ao teatro naquela noite. E, após assistir a um filme de gangster – “Manhattan Melodrama – ele foi perseguido ao sair do teatro e os agentes o balearam no beco ao lado do local.

Se tiver tempo, não muito longe de lá está o Cemitério Mount Carmel, onde muitos gangsters famosos estão enterrados, inclusive Al Capone, bem como O’Banion, Weiss e os irmãos Genna.

E então, para encerrar o roteiro, nada melhor que terminar com música, né não? O Green Mill fica na parte alta da cidade – por sinal ficamos hospedados lá pertinho – e é um clube que data de 1907.

Green Mill Cocktail Lounge
Green Mill Cocktail Lounge

O lugar era o point da cidade e o glamouroso salão de cocktails e clube de jazz era o lugar favorito de Al Capone na década de 1920.

O lugar pertencia ao associado de Capone, Jack “Machine Gun” McGurn, que criticou e esfaqueou o cantor Joe E. Lewis em 1927 por ele considerar uma oferta de cantar em um clube rival.

Existe uma rede de túneis embaixo do bar que foram utilizados para contrabando de álcool durante a Lei Seca. Eles ainda estão lá, assim como a cabine favorita de Al Capone, que oferece excelente vista das entradas, afinal…vai que surgia algum problema, não é mesmo? (rs).

Como disse, você não verá pessoas pela Michigan Avenue vendendo tour para conhecer esses lugares, mas se você quiser, dá pra comprar aqui, eles são os mais famosos nesse tipo de passeio e têm um inclusive inspirado no filme “Os Intocáveis”.

Para quem gosta do filme, a famosa escadaria onde o carrinho de bebê vai caindo enquanto o personagem do Kevin Costner sai trocando chumbo com o pessoal, fica na Union Station e é bem fácil de chegar.

Por sinal, esse filme é obrigatório pra quem quer conhecer mais da história de Chicago e Al Capone. Vale assistir. 😉

Para facilitar seu passeio, se você, assim como eu, gosta de fazer as coisas por conta própria, no mapa abaixo estão marcados todos os pontos que coloquei nesse pequeno roteiro.

As músicas que fizeram Chicago

Como você viu, Al Capone era um cara que curtia boas noitadas e boa música, não por menos o Green Mill era o lugar onde era mais fácil de encontrá-lo. Mas nem só do blues vive Chicago.

Nós decidimos fazer a “Linha Musical” dos Estados Unidos de trem: começamos em Detroit, passamos por Chicago e seguimos para Memphis e por fim New Orleans.

Então, assim como fizemos com o post de Detroit, separamos 10 músicas que resumem, ou pelo menos dão uma noção, a cidade.

A rica história musical de Chicago inclui contribuições importantes para os gêneros de blues, jazz e gospel afro-americanos cujas famílias se mudaram para Chicago como parte da Grande Migração do início do século XX.

Hoje, Chicago é conhecida como a casa de artistas hip-hop como Kanye West e Lupe Fiasco, bem como dos rockeiros Neko Case e Wilco. Mas as raízes musicais de Chicago remontam ao início do século 20 e incluem contribuições importantes para os campos do blues, do jazz e do gospel.

Grande parte da cena musical de Chicago na primeira metade do século XX foi dominada por artistas afro-americanos como Muddy Waters e Thomas A. Dorsey. Os gêneros, ou classificações estilísticas, de música mais associada a Chicago, como o blues, o jazz e o gospel também são geralmente associados a afro-americanos.

Isso não é por acaso. Nas primeiras décadas do século XX, milhões de afro-americanos se mudaram do Sul para cidades industriais do Norte, incluindo Chicago, para procurar trabalho nas fábricas. Este movimento, conhecido como a Grande Migração, teve um impacto profundo na música e na cultura americanas, já que esses migrantes trouxeram suas tradições, incluindo a música, com eles.

Por isso, Chicago desenvolveu tradições e estilos tão distintos. E cá estamos tentando passar um pouco disso nessa playlist. Então, dê o play e faça um pequeno passeio musical pela cidade. Esperamos que curtam. 😉

 Próxima parada: Memphis! Casa da STAX (<3) e do Elvis Presley. 
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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

010 Comments

  1. NiKi Verdot

    Margot, AMEI seu post! Já morria de vontade de conhecer Chicago, mas agora fiquei com mais vontade ainda só pra fazer este roteiro e, principalmente, conhecer o Green Mill . Deve ser muito show! Obrigada pelas dicas! Obrigada também pela playlist. Arrasou! 🙂

    30 de outubro de 2017 Responder
    • Margot

      Uhu, que bom que você curtiu, Niki. Realmente, Chicago é uma cidade que merece a visita. Fiz um post também sobre o Instituto de Artes de Chicago, que é inacreditável. Se você gosta de arte, vale muito a pena conhecer. <3

      30 de outubro de 2017 Responder
  2. Keul Fortes

    Que demais! Nunca pensei em um roteiro assim. Já adorei! Conhecer Chicago assim é muito mais autêntico. Obrigada pelas dicas!

    30 de outubro de 2017 Responder
    • Margot

      Que bom que gostou, Keul. E isso é só uma das facetas da cidade. Também é muito bacana fazer um tour de barco pelo rio para ver a arquitetura… <3

      1 de novembro de 2017 Responder
  3. Ana

    Eu só conheço Chicago dos filmes, mas foi uma delícia ler o seu post. Dá vontade de se teletransportar para a cidade!

    31 de outubro de 2017 Responder
    • Margot

      Eu também só conhecia a dos filmes…e um dos meus favoritos é o musical “Chicago”. <3 Que bom que curtiu o post. Espero ter passado um pouquinho da minha felicidade ao conhecer a cidade. =)

      1 de novembro de 2017 Responder
  4. ADRIANA MAGALHAES ALVES DE MELO

    Que show, adorei a sacada de tour dos gangsters. Deve ser interessante esses lugares que ficaram na história.

    31 de outubro de 2017 Responder
    • Margot

      Né? Eu já tinha na cabeça a parte histórica que queria conhecer por lá. Aí quando soube que faziam um tour só por esses lugares, mas que cobravam, $30…fui atrás de fazer por conta própria mesmo. rs E foi a melhor cescolha.

      1 de novembro de 2017 Responder
  5. Flávio Borges

    Que massa seu post, Margot! Deve ser muito massa poder passear em um lugar com tanta história assim…
    Ainda não tive a oportunidade de conhecer Chiacago, mas está na minha lista 😉

    Abraços!

    31 de outubro de 2017 Responder
    • Margot

      Uhu! Obrigada pelo comentário, Flávio. =)
      Chicago é uma cidade que vale a visita, tem muita coisa bacana para fazer por lá. Esse lado gângster é só um deles. =)

      1 de novembro de 2017 Responder

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