Os museus de Nova York e como eu pirei na Big Apple

Se Nova York tivesse um sobrenome, seria Arte!

Hoje é dia de que, bebê? Não, não é de rock…(rs) Hoje vou contar um pouco sobre os museus de Nova York e toda a arte que vi por lá.

Já posso adiantar que muitas outras cidades me surpreenderam mais que Nova York no quesito museus. Por exemplo, Washington D.C., Detroit e Chicago. Porém, existem museus e galerias icônicas na cidade que mereciam ser vistas e visitadas.

Fui em tudo que consegui e cá estou para mostrar como foi, dar o caminho das pedras etc.

Começando pelo início: os museus de Nova York mais “pops”

Quem tem mais de 20 já deve ter visto, e curtido muito, “Uma Noite no Museu”. O filme se passa no Museu de História Natural de Nova York e conta a história de um cara que vai trabalhar como guarda noturno no museu e descobre que à noite todos os itens da coleção ganham vida.

Museu de História Natural de Nova York
Museu de História Natural de Nova York

Ok, o filme é com o Ben Stiller. Ok, quando filme foi lançado eu tinha 22 anos. A premissa do filme é divertida e quando assisti, como todo mundo, fiquei com vontade de conhecer o museu.

Então, certo dia estávamos passeando pelo Central Park e chegamos até o museu. Já era fim de tarde e apesar do pessoal não estar muito empolgado em andar mais, queria ao menos entrar e ver um pouco.

E descobri que o museu fica disponível gratuitamente todo o dia após 16h30. Claro, o museu fecha menos de duas horas depois , às 17h45, então esse intervalo gratuito é mais para ter um aperitivo do que é o museu.

Foi o que por fim fizemos. Conseguimos dar uma geral, bem ampla, nas salas e fiquei encantada. Além de bem organizado e muito informativo, é uma coleção muito ampla e completa.

Se eu fosse uma criança visitando aquele museu, eu ia pirar! Me arrependi de não ter voltado lá com mais calma. Mas a grana estava curta e resolvi gastar meus Trumps no The Met.

Metropolitan Art Museum em Nova York
Metropolitan Art Museum em Nova York

Quem gosta de Arte, AND Moda, já ouviu falar alguma vez do Met: Metropolitan Museum of Art. O museu abriga uma enorme coleção de arte e também é palco do anual Baile do Met.

Esse baile é promovido pela Vogue e todo ano tem um tema diferente. O de 2018 já foi anunciado: “Heavenly Bodies: Fashion and the Catholic Imagination”, que irá celebrar o encontro da moda e da religião. Quero ver como Madonna vai chegar nesse baile…hahaha

O evento é uma espécie de Baile da Vogue de Carnaval que temos por aqui, só que com uma roupagem mais “séria”. Porque pensa bem, festa com tema e o pessoal vai com umas roupas que tem hora que parece fantasia. (rs)  Na verdade esse baile é como se fosse o Oscar da Moda. Eu sempre vejo as reportagens sobre os looks das famosas no Baile do Met, c-o-n-f-e-s-s-o!

Mas então: o prédio é pop! E lá fomos eu e Edu visitar. Ele fica localizado na 5th Avenue, também colado no Central Park, só que no lado oposto ao de História Natural.



Chegamos e vi que havia um admission pass. Perguntei e a moça me disse que o preço era o preço sugerido, mas que eu poderia pagar o quanto eu achasse justo. O valor sugerido era de $25.

Eu acho bacana que o turista pague o valor sugerido sempre que possível, assim dá a oportunidade para quem não pode pagar os $25. Eu paguei $20 que era o que conseguia.

Depois de pagar, pegamos o mapa e começamos a explorar o museu. Uma pequena pausa aqui para dizer: ADORO museu que precisa de mapa pra se encontrar…hahaha

São alguns andares e muitas, muitas salas para visitar. O acervo de arte religiosa é bem vasto (taí o porque o tema desse ano) e havia muita obra barroca interessante. Há de tudo.

Gostei muito de algumas fotografias, mas arte moderna e contemporânea não é o forte da coleção. Há uma parte do museu com peças da Era Medieval que me lembrou muito o Instituto Ricardo Brennand em Recife.

São 5.000 anos de Arte em exibição no Met, então, prepare-se para andar bastante lá dentro. É um lugar que traz muita inspiração para quem gosta e faz Arte.

No geral, eu gostei bastante. Trouxe até uma caneta de lembrança. Sim, foi a caneta mais cara da minha vida, mas compramos para anotar alguns nomes de obras que gostamos. Ah, minha dica pra vida: vai visitar um museu? Tenha sempre um bloco e caneta à mão. Justo nesse dia, tinha esquecido de levar os meus na mochila. (rs)

E então, não muito longe do The Met, estava um pequena pérola da arte moderna…

O dia em que vi Gustav Klimt pessoalmente

Ainda na 5th Avenue existe o Neue Galerie,  uma casa meio acanhada numa esquina que abriga arte Austríaca e Alemã.

A mãe do Edu (Oi, Dona Guara!) queria ir até essa galeria, pois o sonho dela era ver pessoalmente um quadro do Klimt que está lá. Esse quadro é nada mais, nada menos que “Retrato de Adele Bloch-Bauer I”. Há quem diga que essa obra é a Monalisa da Áustria.

Foto do quadro Retrato de Adele Bloch-Bauer I
Retrato de Adele Bloch-Bauer I
Ouro e tinta a óleo
1,38 m x 1,38 m

Neste quadro, de 1907, o artista retratou Adele, a socialite e irmã de um açucareiro austríaco. Ela deixou o quadro em testamento para o Instituto Belvedere, propriedade do Estado da Áustria.

Ela morreu de meningite em 1925 e quando os nazistas invadiram a Áustria, o viúvo de Adele teve que se exilar na Suíça. Todas as propriedades dele foram confiscadas, incluindo a coleção Klimt que pertencia a Adele.

Então o viúvo deixou em seu testamento os quadros para seus sobrinhos e sobrinhas. Uma batalha legal rolou até que Maria Altmann, sobrinha de Adele, fosse declarada proprietária da coleção Klimt de Adele, que incluía cinco obras.

Em 2006 o quadro foi vendido por 135 milhões de dólares a Ronald Laudner, proprietário da Neue Galerie. E está lá exposto desde então. Esse é o resumo da ópera. Se você quiser ver a história com mais emoção, procure pelo filme “A Dama Dourada” de 2015 com a Helen Mirren e o Ryan Reynolds.

É um quadro impactante! Não só pelo bloco de ouro, mas pelos detalhes da roupa e joias de Adele. É muito bonito.

Porém, confesso que outras obras que estavam na Neue me chamaram mais atenção. Há uma sala, logo ao lado da que tem o quadro de Adele exposto, com os rabiscos eróticos que o Kilmt fazia. E isso é algo de difícil acesso. Por isso, me chamou mais atenção até que o famoso quadro. 

Além disso, no último andar da galeria, tinha uam exposição temporária de um artista chamado Richard Gerstl que me deixou boquiaberta! Ele seguiu uma linha expressionista e cada quadro que estava lá era um acontecimento! Sério.

Cada obra tem uma carga emocional visível e é impossível ficar indiferente a eles. O artista se enforcou ainda muito novo – com apenas 25 anos – e sua obra ficou no esquecimento até ser reivindicada pelo merchand Otto Kallir.

Um dos meus quadros favoritos é o “The Schoenberg Family”. A foto não dá conta do que é o quadro, mas dá para ter uma ideia:

Quadro "The Schoenberg Family” 1908
“The Schoenberg Family” 1908

A entrada na Neue Galeria custou $20. Apesar de ser infinitamente menor que The Met, valeu muito a pena, não só pelo Retrato da Adele, mas por conhecer a obra do Richard Gerstl, por quem fiquei apaixonada.

As obras desse artista ficam no Meseu Leopold, em Viena . Essa exposição na Neue era apenas temporária. A Neue Galerie pode ser visitada gratuitamente entre 18h e 20h em algumas sextas-feiras do mês. Para saber a data, basta acessar o site da galeria.

Guggenheim, o espalhafatoso

Prédio do Museu Guggenheim em Nova York

Esse era um dos museus que eu estava beeeem ansiosa para conhecer. Peggy Gugenheim foi uma grande entusiasta e patrocinadora da Arte. Foi ela quem lançou a carreira de vários artistas, inclusive o Pollock.

O prédio de Nova York se chama Museu Solomon R. Guggenheim e leva esse nome em homenagem ao fundador e criador deste museu. Ele era tio de Peggy e foi quem começou a coleção de arte americana que deu origem ao museu e a todo o legado de arte moderna como conhecemos hoje.

Por dentro do Museu Guggenheim
Interior do Museu Guggenheim em Nova York

Um dos pontos que tinha interesse em ver era de fato o prédio, afinal, foi projetado pelo Frank Lloyd Wright. E não me decepcionei. É um edifício muito interessante. Há um vão central e todo o museu acontece ao redor, através de rampas que vão margeando esse vão.

Então, para fazer uma boa visita, basta subir de elevador até o último andar e ir descendo. O único “mal” é que o prédio é mais interessante que a própria coleção. Existem algumas obras bacanas, mas no geral as peças não têm muito destaque. Não são as melhores obras daqueles artistas.

Mas é um excelente panorama da arte moderna. Nos andares mais abaixo estão as obras que mais gostei. O local estava bem cheio e era difícil conseguir ficar parado apreciando as obras, então, é um certo tourist trap.

Eu queria muito ver uma instalação que estava no último andar, mas precisava comprar ingresso com antecedência e quando fui lá já estava tudo lotado até o final. =(

Acontece. Bem, se há algo que está sempre lotado em Nova York são as ruas e não só de pessoas…

Arte na rua

Andar pela cidade é se deparar a cada momento com algum prédio interessante ou alguma obra de arte na rua. Foi o que aconteceu quando estávamos indo conhecer o Rockfeller Center.

Bem em frente estava uma obra do Jeff Koons, a “Bailarina Sentada”. Logo ao ver a bailarina já dá pra saber que é uma peça dele. É uma obra de mais de 13 metros de altura. É bacana, mas…não sou lá muito fã do trabalho dele.

"Bailarina Sentada" de Jeff Koons
“Bailarina Sentada” de Jeff Koons

Recentemente Jeff Koons quis dar de presente para Paris uma obra que repesentasse um gesto de amizade entre a França e Estados Unidos depois dos atentados de 2015 na cidade.  

A prefeitura recusou a obra e muitos intelectuais dizem que Koons está sendo oportunista. Por sinal, ele doa apenas o conceito da obra, a execução ficaria a cargo da cidade…o que custaria uns 300 milhões de euros, já que é um escultura que ficaria com 27 toneladas.

A polêmica ainda está rolando com muitos intelectuais e filósofos dando suas opiniões de como é totalmente desnecessário e humilhante produzir essa obra.

Voltando à bailarina, parece que a obra pode ser plágio – ou o artista quis fazer uma homenagem – de um bibelô feito por um escultor ucraniano na década de 50. Olha aqui a peça para você tirar suas próprias conclusões:

Oksana Zhnikrup (1931-1993), Ballerina Lenochka.
Oksana Zhnikrup (1931-1993), Ballerina Lenochka.

Mas, fora as fofocas e bafões das artes, existe muita coisa para se ver pelas ruas de Nova York. Esculturas, fcahadas, etc. Então, ande olhando para todos os lados para não perder nada. 😉

Espero que esse post tenha animado você a conhecer os museus de Nova York. E por hoje é isso, pessoal. O próximo post é pra quem curte cinema…e é o máximo de spoiler que darei por aqui. hihihi

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Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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