Estados Unidos

New Orleans, French Quarter e muito agito

Começamos a jornada da Linha Musical de trem dos Estados Unidos em Detroit, de lá seguimos para Chicago, depois paramos em Memphis e agora era hora da última parada: New Orleans!

Dentre todas as cidades esta foi a que criei mais expectativa para conhecer. Bem, quanto maior a altura, maior o tombo, né? (rs)

Eu gostei de Nova Orleans, mas acabou que de todas as cidades musicais, foi a que achei que gostaria mais e acabou sendo a que gostei menos. Mas valeu a pena ter ido e ainda dei sorte de visitar a cidade num feriado prolongado, ou seja, deu pra ter uma ideia do que é o Mardi Gras. =)

Então, bora nós que hoje é dia de contar como foi a passagem por New Orleans, cidade onde nasceu o Jazz. <3

Banda tocando em Nova Orleans
Foto antiga do Café du Monde, que se mantém de pé até hoje. =)

Nova Orleans…
a cidade onde a festa nunca tem fim

Chegamos em New Orleans de trem, durante uma bela tarde de sol. Ficamos apenas alguns dias pela cidade, já que a verba não permitia muito mais e também porque seguiríamos para Washington, onde queríamos ficar mais tempo.

Os quatro dias foram suficientes para ter uma boa ideia sobre a cidade. Nós nos hospedamos em um hotel super bacana no French Quarter, um dos bairros mais procurados da cidade.

E para falar do French Quarter, é preciso falar um pouco sobre a história de Nova Orleans.

Um breve histórico de New Orleans

A cidade fica localizada no sul dos Estados Unidos, por onde o Rio Mississippi desce, New Orleans tem sido a principal cidade da Louisiana e o porto mais agitado no norte do Golfo do México desde 1700.

Fundada pelos franceses, governada pelos espanhóis por 40 anos e comprada pelos Estados Unidos em 1803, a cidade é conhecida pela sua cultura crioula distinta e pela grande parte histórica.

A Guerra de 1812 e a Guerra Civil americana foram travadas pela cidade, mas nos últimos cem anos as principais lutas são sociais, como a pobreza e conflitos raciais, e naturais, como furacões e inundações.

Por conta da sua localização, a região tem terra fértil, e por isso, Nova Orleans teve uma era de ouro com barões do açúcar e algodão. Diversas mansões podiam ser vistas pela cidade, todas pertencentes aos donos de terra.

O porto da cidade era agitadíssimo e porta de entrada de mercadorias vindas da América do Sul, Europa e Caribe. Era também por onde rolavam as exportações da cidade.

Os primeiros habitantes de Nova Orleans era os índios. As expedições de De Soto (1542) e La Salle (1682) passaram pela região, mas havia poucos homens brancos permanentes por lá antes de 1718, quando o governador da França fundou a cidade de Nouvelle-Orléans, batizada assim em homenagem ao então rei francês da época.

Em 1722, já com a cidade como capital do estado, um furacão devastou a região. A cidade foi então reconstruída com um urbanismo tipicamente francês, em forma de grade, que segue até hoje no French Quarter.

1850 foi a era de ouro do açúcar e arroz, já em 1858, após o fim a Guerra Civil, começava a era do algodão, que gerou grande mudança econômica para a região. Essa economia agrícola trazia consigo um grande problema, a escravidão.



A escravidão em Nova Orleans

Nova Orleans teve papel primário na escravidão do país e o porto era o palco do mercado escravocrata. Uma das escravocratas mais sádicas da história é de Nova Orleans, conhecida como Delphine LaLaurie ela fez torturas abomináveis.

Ela era uma socialite com ligações políticas fortes, tinha origem francesa e era respeitada pelos ricaços da cidade. Ela dava altas festas e quando algumas pessoas relataram certas atrocidades a polícia interviu, mas como a mulher tinha dinheiro, pagava uma multa e depois recuperava os escravos que a polícia tinha confiscado.

Parece que a mansão de Delphine era palco de muita crueldade e alguns escravos atearam fogo ao porão para poder escapar e foi então que descobriram muitas torturas impublicáveis. A mansão está em pé até hoje é um dos antigos proprietários foi ninguém mais, ninguém menos que Nicholas Cage (vá entender!!).

Os antigos proprietários da mansão dizem que ela é mal-assombrada, que é possível ouvir gritos em francês e correntes e gemidos à noite. E histórias como essa estão presentes em diversos lugares da cidade. Quase todo prédio tem uma história de fantasma.

Não para menos, pois essa socialite é apenas uma das pessoas cruéis da qual se tem notícia. Muito era feito com os escravos que as pessoas achavam ser coisas “toleráveis” e sabemos muito bem que não é.

Por isso, muitos negros fugiam do sul buscando liberdade do norte do país. Existe algo chamado de Ferrovia Subterrânea, e era o nome dado à rede de apoio das pessoas que ajudavam os negros a fugir para o sul, muitos se estabeleceram em Detroit, até falamos sobre isso em outro post, e muitos outros atravessaram para o Canadá.

Os franceses e espanhóis permitiam que os escravos se reunissem na Congo Square aos domingos, onde eles podiam festejar, dançar, cantar, etc. E a mistura da cultura africana, com instrumentos franceses e tudo mais é que fez New Orleans deixar um grande legado para o mundo, o jazz!




A música e a festa em New Orleans

Bem, uma das grande característica da cidade é a parte musical e todo o clima de festa. Acho que quase todo filme que eu vi com alguma cena, ou a história toda, se passando em New Orleans, tem lá mostrando o Mardi Gras ou um funeral com uma banda à frente do cortejo.

“A chave mestra”, “Risco Duplo” e até “Rota de Fuga” com o Stalone e o Schwarzenegger, têm cenas na cidade, o primeiro na verdade se passa todo em Nova Orleans e usa o voodoo como motim para um terror/suspense.

E sempre mostram como a cidade é animada e festeira. Como a gente passou por lá num feriado, deu pra ter um gostinho de como deve ser quando rola o Mardi Gras. A cidade estava bem, bem, beeeem cheia!

Nosso hotel ficava só três quadras distantes da Bourbon Street, onde todo o agito está. Nosso primeiro dia por lá foi bem tranquilo. Passeamos de dia pelo French Quarter e até bebemos uma cerveja no House of Blues, uma casa de shows+restaurante bem tradicional que hoje em dia tem diversas franquias pelos Estados Unidos.

Quando passamos pela frente da casa em uma noite, estava com uma fila gigantesca do lado de fora, pois ia ter algum show por lá. Até hoje recebo newsletter de lá, porque eles forçam o cadastro para poder acessar o Wi-Fi – na verdade, a maioria dos estabelecimentos nos EUA faz isso.

O local é bacana e tem um espaço interno e externo muito agradável, definitivamente vale ir conferir um dia. Só confira se vai ter show a noite e se quiser assistir ao show, melhor comprar o ingresso antecipado. 😉

Andamos por além do French Quarter e mais para o centro vimos alguns prédios Art Déco bem interessantes, mas as ruas estavam bem vazias por aqueles lados. Não é uma parte muito badalada da cidade, a não ser que você goste de ver prédios como a gente…(rs)

New Orleans acontece mesmo é na Bourbon Street. Nossos passeio diurnos foram agradáveis – embora estivesse muito sol e andar pela margem do rio foi um pequeno desafio ao protetor solar (rs) – já nossas saídas noturnas foram bem tumultuadas.

Como eu disse, a cidade estava cheia. As ruas são estreitas então imagine como era andar no meio da galera. Haviam obras em algumas partes e teve uma hora que entramos numa rua em fila indiana e saímos do outro lado quase 30 minutos depois…hahaha

Todos estavam muito animados e bebendo desde cedo, apesar do teor alcóolico do pessoal não vi nenhuma confusão – pelo menos até a hora em que ficamos na rua. Muita gente estava mesmo era aproveitando a rua para paquerar – ai, me sinto uma velha falando “paquerar”….hahaha.

Se eu tivesse ido para lá uns 10 anos atrás, acho que curtiria esse clima de festa de rua – assim como curti muitos carnavais no Rio de Janeiro – mas no meu atual estado, fiquei cansada rapidinho. (rs)

Basicamente as pessoas compram seus drinques – que são enooooooormes e mega coloridos – e saem andando pelas ruas. Alguns lugares têm lá seus clientes sentados nas mesas, mas o grosso da galera fica mesmo na rua.

Eu gostei muito do estilo do pessoal. Os homens são meeeega estilosos! Adorei. <3 Queria tirar algumas fotos pra colocar aqui no post, mas fiquei sem graça de pedir…(rs)

Entre uma esquina e outra algumas bandas estavam tocando, o que dá aquele clima bacana no fim de tarde. Mas quando a noite cai, aí é só o Oba Oba mesmo.

Numa das manhãs seguinte à noite agitada, era possível ainda ver pessoas curtindo a cidade. A festa não acaba por lá e quem quiser entrar no clima, tem que ter disposição. No Mardi Gras deve ser 10 vezes mais agitado…se você tem vontade de ir para ver a festa, se prepare! (rs)

Estava conversando com um nativo de lá que disse que o French Quarter foi o único bairro que não foi afetado pelo Furacão Katrina, em 2005, e que enquanto pessoas estavam deixando a cidade e tudo estava fechado…diversos bares estavam abertos no bairro. Vai vendo como o pessoal lá gosta de uma festa…(rs)

Eu gostei de Nova Orleans, mas é um gostar tímido. Acho que criei muita expectativa, ainda mais por gostar muito da música de lá…muito mesmo! Ou pode ser que não curti tanto porque a cidade estava muito cheia e era inviável ficar na rua curtindo algum bar legal, conversando de boas, sabe?

Mas, tem algo que valeu tudo…o Gumbo! Esse é um prato típico da culinária Cajun da Louisiana. É uma espécie de guisado com diversas carnes e mariscos. Pois é, eles misturam carne de boi, frango e frutos do mar. E dá super certo! Come-se com arroz branco.

Eu achei bem gostoso! Tanto que já separei a receita pro livro de receitas que fica pronto ano que vem…ooops, spoiler! hahahaha Bem, Nova Orleans foi uma boa forma de encerrar a Linha Musical de trem que começou com lá na techno music e terminou com o jazz. <3

Pra não perder a tradição, e porque não tem como falar de Nova Orleans sem falar de música, montei uma playlist para você entrar no clima da cidade. 😉

Próxima parada:  Washington D.C.  – depois de 8 anos, lá vou eu rever a cidade. <3

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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