Estados Unidos

Las Vegas é a cidade que nunca dorme

Las Vegas: todo pecado será perdoado

Nos Estados Unidos, toda cidade tem seu apelido. Los Angeles é a “City of Angels”; Chicago é a “Windy City”; New Orleans é a “Crescent City” – já Las Vegas é a cidade do pecado: “Sin City”. É fácil entender porque: basta caminhar na Strip, nome popular da avenida principal da cidade, para ver multidões empunhando enormes taças de plástico com álcool sob as luzes hipnóticas dos enormes cassinos. Las Vegas é uma experiência em alta velocidade em meio à desolação do deserto.

Chegamos na rodoviária de Las Vegas no meio de uma tarde ensolarada. Em determinado trecho a estrada faz uma grande subida e é possível ver a cidade despontando lá no fundo. Chegar à noite deve ser uma experiência surreal.

Las Vegas é perto de Los Angeles de avião; de ônibus, a viagem dura quase sete horas, cortando a paisagem monótona do deserto.

O Lyft nos levou por avenidas amplas até nosso hotel, que era próximo ao Strip, onde se concentram os cassinos. A viagem demorou incríveis trinta minutos, sem trânsito. É inacreditável quanto espaço as cidades dos Estados Unidos ocupam.

Nosso hotel, para variar, também tinha um cassino – e foi onde demos nosso primeiro passo pelo mundo das probabilidades. Pois foi tentando derrotar a roleta que começou toda a ciência matemática de se calcular as chances de sucesso de qualquer coisa.

Claro que não fomos muito longe: duramos apenas quinze minutos na roleta e outros tantos jogando dados. A mesa de dados estava vazia quando paramos para jogar, a croupier nos ensinou pacientemente as regras, que não eram tão difíceis.

O Edu se saiu melhor do que eu. Ele estava ganhando e um casal parou para apostar emcima das nossas apostas, nos dados isso é possível, eu comecei a jogar…perdi e o casal foi embora.

Mas a experiência foi vertiginosa, a adrenalina subindo a cada lance da bolinha ou a cada dança dos dados pela mesa verde.

Fizemos questão de percorrer todos os cassinos que importam. O primeiro em que entramos foi o MGM, que parece ser o maior de todos. O lugar tem restaurantes, danceteria, infinitos caça-níqueis, roletas, dados, cartas para blackjack e pôquer… A ideia é simples: quanto mais jogos e serviços o cassino oferecer, mais inútil se torna o mundo lá fora. Por isso nenhum cassino tem janelas ou relógios.



Fomos depois conhecer o Bellagio, já nos sentindo quase membros da gangue de Daniel Ocean. Mas George Clooney não estava por lá; apenas idosos, homens e mulheres, sentados nos caça-níqueis, cigarro entre os dedos, puxando as manivelas com uma certa cara de tédio.

A gente se deu conta de que era a mesma situação no MGM e se repetiu em todos os cassinos que visitamos: velhos nos caça-níqueis e jovens se embebedando na rua. Talvez isso seja um reflexo da atual posição de Las Vegas no setor de cassinos: de maior centro de apostas do mundo, no século 20, a cidade experimenta um lento declínio. Macau já a ultrapassou como a meca global das apostas e mesmo nos Estados Unidos, Foxboro já é maior que Las Vegas, que tem a cidade de Reno já em seus calcanhares, inclusive geograficamente.

No entanto, Las Vegas tem a aura: foi lá onde tudo começou. É lá que está o festival de águas dançantes do Bellagio, que literalmente para a Strip. É lá que Hollywood se inspira para suas obras de consumo rápido, como Ocean’s Eleven, Twelve e Thirteen. Macau e Foxboro podem ter seus chineses e sua grana, mas precisam ainda de muito tempo para criar a aura de Las Vegas.

Venetian, Cesar Palace, Bellagio, Flamingo…

Las Vegas é a cidade do pecado

Escolhemos, ou melhor, a vida escolheu que nós estivéssemos pela cidade no feriado prolongado do Memorial Day. Las Vegas estava lotada de pessoas.

A fauna de Las Vegas é simplesmente instigante. Não há nada de muito chique, as pessoas bebem pelas ruas sem cerimônia. Talvez a única coisa cerimoniosa fossem os grupos de amigas comemorando despedidas de solteira.

Por sinal, o estereótipo dos filmes que mostra o pessoal andando de limousine “mucho loko” é real. Passaram por nós mais de uma, com meninas em pé no teto solar gritando algo, geralmente incompreensível, para quem estava a pé.

Uma experiência diferente por si só é andar por Las Vegas. O conceito de dentro e fora lá é muito relativo. Você pode andar por horas, de verdade, sem sair para a rua, mas ao memso tempo você está do lado de fora.

Certa noite saímos para ver o interior dos cassinos, alguns são verdadeiros resorts urbanos. Nossa primeira parada foi o Venetian. Já achei gigantesco. Existe um rio artificial com gôndolas que corre de dentro até a parte de fora do lugar. Além disso, existe um teto simulando um céu artificial.

Quando por fim chegamos na parte da jogatina, o espaço era enorme. Fez o cassino do nosso hotel parecer um playground de crianças de 5 anos. (rs)

É um mar de caça níqueis, cada um com um tema diferentes…tem desde o Titanic até Marvel. É um tanto quanto bizarro, não me arrisquei. Nunca fui muito desses tipos de jogos.

Quando alcançamos a rua de novo e continuamos nossa peregrinação, tivemos que subir escadas rolantes e passar por enormes passarelas para chegar no outro lado da Strip onde o Cesar Palace e o Bellagio estavam.

Eu queria entrar no Bellagio só por conta do filme Ocean’s Eleven (Onze homens e um segredo), confesso. (rs) A verdade é que o cassino em si é tudo parecido, o que muda é a proporção. E nesse sentido o maior de todos, na minha visão, foi o Cesar Palace.

O lugar é gigantesco! Andamos muito e não saíamos de dentro de lá. Um hora passávamos pela recepção do hotel, depois caíamos num corredor com lojas de luxo, depois aparecia um restaurante, mais a frente uma casa de espetáculos…e tudo isso sem nem sequer passar pelo cassino em si.

Quando finalmente alcançamos a área da jogatina, queríamos nos arriscar na roleta, afinal era a roleta do Cesar Palace. Mas…precisávamos do passaporte e tínhamos saído sem…hahaha

Tudo bem, eu ia perder mesmo. Mas é interessante ver as pessoas do cassino. Muitas são mais velhas mesmo, eram poucas as mesas em que se via um pessoal mais novo. Eles optam pelos caça-níqueis onde podem jogar mais despretensiosamente.

Depois da monstruosidade do Cesar Palace, o Bellagio acabou sendo um pouco decepcionante, pelo menos em tamanho. Mesmo assim ainda era impressionante.

A Strip a noite é algo realmente fenomenal de se observar, as luzes engolem a atenção e é impossível não se sentir pequeno diante de tudo aquilo. E ter estado por lá num feriado prolongado acabou dando uma ideia do que é a cidade no auge da agitação.

Mas nem só de jogatina vive o homem e esta mulher que vos fala. Então, aproveitamos nossa estadia por lá para conhecer o Grand Canyon!

O majestoso Grand Canyon

Vista do Grand Canyon em Nevada

Tão majestoso quanto os cassinos e tão diferente de tudo que temos também, o Grand Canyon fica há alguns quilômetros de Las Vegas.

Procuramos alguns tours pela cidade e nos decidimos por um que pesquisamos online. Como o parque é muito extenso é preciso escolher entre algumas opções. Basicamente você pode escolher entre fazer o South Rim, o North Rim ou West Rim.

Cada um tem sua peculiaridade de cenário. No West Rim é onde está um dos grandes apelos de quem visita o parque, a Skywalk. Esta é uma ponte em formato de U que se projeta por cima de um dos desfiladeiros, o grande atrativo é que ela não tem pilares de sustentação e é toda de vidro.

Mas, optamos por ver outra parte do parque. O passeio começou de manhã cedo e só voltamos para o hotel à noite. Seguimos para lá de van e o motorista também era o guia. Andamos por toda a parte do parque que era possível e nosso almoço foi um sanduíche, escolhido previamente pelo site, no momento da reserva do passeio e pagamento.

Nosso grupo era pequeno e nosso guia conhecia bem o Grand Canyon. Foi um dia bem agradável. Não é preciso roupas especiais, só confortáveis mesmo. E um bom tênis.

O parque em si é realmente estonteante. Passamos pelo Cânion do São Francisco no começo da viagem e aquele foi minha primeira vez nesse tipo de exibição da natureza e já tinha ficado admirada. Mas o Grand Canyon faz juz ao nome.

Grand Canyon visto do alto
Lá no meio…o rio.

Quem tem interesse é possível fazer uma trilha que vai até a base do cânion, porém demora o dia todo, algo como 4 horas pra descer e mais quatro para subir de volta. Há um hotel dentro do parque, mas nem me atrevi a ver o preço.

Quem estiver por Las Vegas este é um passeio altamente recomendável. Também é possível fazer a visita ao parque de outras cidades, como Phoenix, por exemplo. Mas o que deixo como dica é não perder a oportunidade, é realmente algo que não se vê todo dia.

O passeio custou $80 para cada um. Nós fechamos direto pelo site, dá pra ver todas as opções com detalhes aqui.

Las Vegas foi uma cidade que não decepcionou. Me diverti muito, mesmo não sendo tão fã de jogos de azar. Imagino a minha mãe por lá, ela gosta de jogar e ia pegar rapidinho o jeito dos jogos…hahaha

Próxima parada: Cedar City, Salt Lake City e Denver.

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

Diva De Mochila

No Diva de Mochila você acompanha a viagem de volta ao mundo de uma carioca-paulista que virou mochileira depois dos 30. Bem-vindo (a) ao blog!

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