De El Paso para Los Angeles. Uma viagem memorável!
Estados Unidos

De El Paso para Los Angeles. Uma viagem memorável!

Rumo a L.A. passando por El Paso e Phoenix: uma jornada pelo sistema de ônibus dos Estados Unidos

Pois bem, depois de toda aquela emoção que foi cruzar a fronteira do México pros Estados Unidos por Ciudad Juaréz, lá estávamos! Nossa primeira cidade norte americana: El Paso.

Assim que saímos da imigração, num misto de alívio e tonteira, entramos na principal rua de El Paso.

Incrível como portas e guaritas contém o México para trás. El Paso e Ciudad Juaréz só são cidades distintas porque alguém as determinou assim geograficamente. E isso faz tudo ser diferente.

Claro, há uma sensação de ser uma cidade não muito abastada, a rua principal é repleta de lojas de rua vendendo de tudo. As placas nas araras já marcam o preço em dólares.

Estávamos famintos, já que passamos o dia todo tentando atravessar alguns metros além dos agentes da imigração, e então resolvemos buscar um lugar para comer antes de seguir até o Airbnb que eu tinha reservado.

E então é aí que tudo muda. Dos restaurantes com tacos e mais rústicos, fáceis de encontrar no lado mexicano, em El Paso começava uma coleção de fast food: ao cruzar uma avenida poucas quadras depois da imigração encontramos, um ao lado do outro, McDonald’s, Taco Bell, KFC, Wendy’s e outros mais.

Restaurantes mais “pé no chão” como no México? Pode esquecer. Incrível como muda completamente apenas passando uma barreira.

Enfim. Paramos no McDonald’s, acessei o WiFi para pedir um táxi, que não consegui; depois de comer, voltamos até próximo a imigração e conseguimos um táxi na rua. O motorista com todo seu sotaque era uma figura bem simpática. Grandes bigodes e cabelos brancos.

Ficamos em um Airbnb mais afastado na parte alta da cidade, e de lá era possível ver toda a extensão de El Paso e Juarez. O grande monumento em formato de um X vermelho gigante chamava atenção. Visão aérea de Ciudad Juárez

Fiquei surpreendida com a qualidade do Aibrnb que escolhi. Era uma casa de hóspedes no fundo da casa dos donos, mas super bem equipada. Só passamos uma noite, mas se por acaso precisássemos ficar mais tempo, seria um lugar tranquilo.

Mas era afastado e El Paso não tem transporte público que funcione com frequência e fora do horário comercial. Assim, quando a fome bateu à noite, só poderíamos sair se fosse de carro.

O dono acabou dando uma carona pro Edu que chegou alguns minutos mais tarde trazendo um saco de viagem do…McDonald’s…rs

Não tinha muita opção, mas tudo bem. No dia seguinte a gente ia pegar um ônibus rumo a Phoenix. Mal sabia a grande aventura que nos aguardava…



De El Paso para Phoenix: o ônibus mais tretado da viagem até agora

Todos adoram dizer como os Estados Unidos é um grande país e que tudo por lá é melhor que o Brasil. Essas pessoas nunca andaram de Greyhound..rs

Nos Estados Unidos não existem diversas viações como no Brasil. O que existe é um serviço de ônibus, fundado por um sueco, chamado de Greyhound. E esse serviço atende todo o país. É o jeito mais barato de viajar – pra nós, brasileiros, ainda é caro – então você já imagina o perfil de quem usa esse transporte.

A sede da Greyhound fica em Dallas, no Texas, e existe desde 1914. Os ônibus existem desde 1916….rs Brincadeira.

A questão é, a Greyhound não é boa. Está bem longe de ser boa. O pior ônibus mexicano era melhor que o da Greyhound. Uma das “vantagens”, se bem que nem é uma vantagem tão grande, é poder comprar online com qualquer cartão internacional.

Porém, 2h antes da saída do ônibus você só vai conseguir comprar na estação mesmo. E vai pagar mais caro. Descobri isso da pior forma.

Mas, enfim. Como eu disse é o jeito mais barato de viajar, porém, o que se cobra pelo que se entrega é simplesmente absurdo. Os ônibus são velhos, as poltronas são extremamente desconfortáveis e não há lugar marcado. Sendo assim, quem tem a paciência e agilidade de ficar na fila primeiro, vai viajar na janela. O resto, vai se espalhando.

E foi o nosso caso. Viajamos separados, um na frente do outro. O valor da passagem custou 50 dólares. Comprando online sairia 38 dólares, mas acabamos comprando na hora.

O trajeto demorava 08h30, mais ou menos. Pense, mais de 150 reais para um trajeto um pouco maior do que entre Rio e São Paulo e num ônibus que a poltrona é um pouco melhor que uma cadeira de ônibus comum. Vai vendo…rs

Bem, passar 08h30 nesse conforto já parecia ser sofrimento bastante, mas a viagem não estava nem começando.

Um navajo e 3 dias de liberdade

Lá estávamos nós, na estação de ônibus da Greyhound em El Paso. Compramos nossas passagens e esperaríamos cerca de uma hora até o busão sair. A estação estava cheia, era cedo.

Esperamos um pouco sentados ao lado da porta da entrada, quando vimos que as pessoas estavam formando a fila e entrando, então nos levantamos e lá fomos nós. A fila nem estava tão grande quando entramos, mas todos já tinham sentado nas suas janelas.

Enquanto estávamos esperando, um sujeito peculiar veio falar com a gente. Baixo, de boné, camiseta regata branca e aquelas calças largas que ficam caindo e mostrando parte da cueca, sabe?

Mas isso não é nem um pouco a peculiaridade dele. O homem era cheio de tatuagens, uma bem no queixo onde três linhas saíam descendo do lábio inferior para o pescoço. E claro, muitas tatuagens pelos braços e ainda pelo rosto. E o cabelo tinha duas tranças finas, que caíam até a cintura.

Daí ele colou atrás da gente na fila. Não levamos nem 3 minutos para entrar. Nesse meio tempo ele nos contou que era navajo – esse é o nome do índio nativo americano – e que tinha acabado de sair em condicional 3 dias atrás.

Ele mostrou pra gente um maço de dinheiro amassado que tirou do bolso e disse que aquilo era tudo que tinha. Ok, o cara tinha um ar esquisito e um nariz amassado daqueles que quebrou e calcificou errado, sabe?

Mas até aí tudo bem, afinal de contas quem não merece uma segunda chance na vida? O Edu resolveu perguntar o motivo dele ter sido preso e sem cerimônias ele disse que foi tentativa de homicídio. Pois é….




Depois ele ficou perguntando o que achamos dele e claro, dissemos que ele era gente boa. (rs) E então ele vira pra mim e pergunta o que eu achava dos homens navajos. (??) Eu disse que era a primeira vez que conhecia um…e ele insistindo. Enfim, não entendi se ele tava tentando dar uma cantada ou puxar assunto de uma forma bizarra.

Entramos no ônibus. O navajo sentou lá no fundo, nós sentamos mais pra frente. Do meu lado um homem aaaaalto à beça, ou seja, não cabia na poltrona e como minhas pernas também não são curtas, foi uma viagem apertada. rs

Mas o cara era super gente boa. Acabamos conversando a viagem toda e acho que ele ficou preocupado de eu não comer e saiu me dando Sneakers e tudo mais…hahaha Acabamos trocando lembranças da viagem. Ele me deu um anel que ele estava usando e eu dei uma imagem de ferro de Nossa Senhora que carregava na carteira.

Ele estava já há muitas horas na estrada, pois vinha de Houston. Se a viagem foi cansativa pra nós, imagino pra ele.

Bem, papo vai, papo vem, eu gastando meu melhor inglês e de repente, um homem que estava uns três bancos mais na frente tomba pro lado, no meio do corredor. Tomba literalmente, porque era outro homenzarrão alto pra caramba.

E então ele começa a ter convulsão. A motorista pára o ônibus, não deixa ninguém tocar no homem. Um rapaz que estava no banco ao lado do meu falando que tinha que segurar a língua para o homem não engasgar. E ele estava certo.

Mas aí, meu colega de poltrona diz que ninguém pode tocar no sujeito. Se algo dá errado e o cara morre, você pode ser acusado, e condenado, por isso. Ou seja, o cara ficou lá convulsionando enquanto a motorista ligava chamando socorro.

Estávamos no meio do nada, em volta tudo era deserto.

Daí o homem volta em si, mas não muito em si. Como ninguém o acudiu, ele voltou bem confuso e perdido. Ele queria sair pra comprar cigarro e ficava falando isso, daí a motorista, que era o completo oposto dele em altura, ficou na frente do homem e não o deixou sair. Ela me fez lembrar muito aquela atriz, Linda Hunt, sabe? Essa aqui ó:

Ele não estava agindo de forma agressiva, mas ela não podia deixá-lo sair daquele jeito. Só restava esperar o atendimento médico chegar. Mas, como o cara estava falando que queria sair e ela pacientemente dizendo que não, o navajo resolve sair lá do fundo do ônibus e tentar “enfrentar” o sujeito que tinha passado mal.

Daí, mermão, a motorista-Linda-Hunt, baixinha do jeito que era, cresceu uns 2 metros e mandou o navajo sentar. À contragosto, ele obedeceu. Mais um tempo se passou até que o socorro finalmente chegou e levou o cara embora.

Retomamos a viagem. Mais um tempo depois fizemos a primeira parada. Na Dutra, as paradas de ônibus geralmente são no Graal, certo? Nos Estados Unidos, geralmente são num posto de gasolina com um McDonald’s ou loja de conveniência.

Nesse caso era um McDonald’s. Compramos um hambúrguer e ficamos do lado de fora do ônibus esperando ele sair e esticando as pernas. Apresentei meu companheiro de poltrona pro Edu e aí vi como o cara era grande. Nós somos altos, ele era ainda mais!

Daí passa o Navajo e pergunta se achamos que ele fez certo com o cara que passou mal…tentamos nos esquivar e quando ele virou pro lado, subimos no ônibus de volta.

Motor ligado e a viagem recomeça. No máximo umas duas horas depois de caírmos de volta na estrada a coisa começou a ficar estranha. Tinha escutado já o pessoal lá no fundo reclamando alguma coisa, mas não prestei atenção.

Dali mais um pouco escuto o pessoal reclamando alto com a motorista. E então a coisa começou a ficar mais pesada e o pessoal gritando lá no fundo…e eu tava ligada que o navajo tava arrumando briga desde que saímos da parada.

Vale dizer que tirando eu e Edu, o resto do ônibus estava ocupado por mexicanos e negros…e o Navajo. E dentre os passageiros estavam algumas travestis e drag queens.

Então o Navajo resolveu mexer com quem não devia. Além de chamar algumas pessoas de nigger – uma palavra super pesada – ele ainda resolveu mexer com as drag e as trans que estavam se maquiando.

E foi então que quando a coisa começou a ficar mais pesada a motorista parou num posto de vigilância na fronteira do Novo México e chamou “arpuliça” pra botar ordem no busão. Daí subiram dois policiais, daqueles que a gente vê nos seriados, e levaram o Navajo embora.

Eles perguntaram se alguém queria prestar queixa, ninguém quis perder a viagem por conta disso, e depois de mais uma hora parados, seguimos viagem.

Na parada seguinte, conversando com o pessoal que estava ali parado fumando, a motorista inclusive, o assunto não era outro que não o navajo. O que disseram é que ele provavelmente vai voltar pra cadeia e perder a condicional.

O cara tava com mó jeitão de estar bêbado – ou alterado por alguma outra droga. E acabou perdendo a condicional por bobagem. Vá entender a cabeça das pessoas. E a motorista ainda disse que aquele era pra ser o dia de folga dela…que azar, coitada. (rs)

Depoi disso o ônibus seguiu caminho sem mais surpresas. Mas posso dizer que essa viagem foi um bom jeito de conhecer um pouco dos EUA que as séries e filmes não mostram. Todos que ficam endeusando o país, deveriam entrar pela fronteira mexicana e pegar um busão da Greyhound…(rs)

E depois de mais de 10h de viagem, chegamos em Phoenix.

Phoenix: a grande cidade pequena com nada para fazer

Vista aérea da Cidade de Phoenix

Ficamos uns 3 dias em Phoenix. Na minha cabeça teriam coisas interessantes para ver ou fazer por lá. Pois bem, não tinha. rs

Achei um Airbnb que no fim era o mesmo esquema do de El Paso, uma casa no fundo da casa do dono. A partir daqui, vimos muito daquelas casas típicas de filmes americanos, com quintal na frente e tudo mais.

A casa era numa parte mais afastada do centro, mas dava pra ir a pé até lá. Andava para caramba, mas também não tinha outra saída. Ônibus por lá era algo inexistente. Como a gente não tinha carro, só nos restava mesmo andar.

As ruas em Phoenix são largas, na verdade todas parecem ser estradas e avenidas, e com carros passando a todo momento. Mesmo assim, todo dia parece domingo.

Quando chegamos no centro da cidade para conhecer, era uma quarta-feira. Parecia feriado! Não havia quase ninguém na rua ou ocupando os restaurantes e Starbucks próximos a praça principal.

Demos uma volta, passamos por uma estação de ônibus e trem e vi um senhor discutindo com a mulher no guichê. Ele gritava com ela. Parece que as pessoas são muito “acaloradas” nessa parte do país.

Quando a fome bateu, escolhemos um restaurante com comida asiática e comemos um lamen, que estava bem justo, acompanhado de uma cerveja da região. Foi um dia agradável.

Mas no geral andamos muito em Phoenix, tomamos muito sol no cucuruco e não vimos muita coisa. Não existia mercados próximos, só aqueles mercadinhos, e restaurantes também não funcionavam num horário de gente grande…rs

Então foi uma passagem que não marcou tanto. Só essa sensação de ser uma grande cidade pequena. Tem o centro com grandes prédios, mas não tem gente andando pelas ruas. É estranho. Não sei se consegui explicar muito bem, mas é uma cidade que se você quer fazer turismo, não há nada para ver.

Uma coisa que me marcou por lá foi que estávamos saindo de um posto e uma mulher que estava numa moto parou do meu lado pra elogiar minha roupa…(rs) Me senti mais diva do que nunca. <3

Há um Jardim Botânico por lá com os diversos tipos de cactos da região. Isso é algo bacana para quem curte plantas. =)

No mais, não foi uma cidade marcante. Confesso.

De lá, seguimos caminho, pela Greyhound, até Los Angeles. \o/ Já estava na ansiedade pra saber se a viagem seria tão turbulenta quanto a primeira…mas…isso você descobre no próximo post. Fique ligado. 😉

Próxima parada: Los Angeles.

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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