Chicago, a terceira maior cidade dos EUA
Estados Unidos

Chicago, a terceira maior cidade dos EUA

Chicago, a cidade de Al Capone

Depois de termos passado pelos cafundós dos Estados Unidos, nossa animação para chegar em Chicago era tremenda. A maioria das pessoas com quem comentei quando estava indo para Chicago tem um certo receito de que lá é uma cidade perigosa.

Acho que isso é por conta do histórico. Al Capone foi o maior mafioso dos Estados Unidos e ele chefiou o Chicago Outfit durante a época da Lei Seca de lá. Existe até um roteiro dos lugares mais “gângster” na cidade para conhecer.

Mas Al Capone não era nascido em Chicago, ele nasceu no Brooklyn, em Nova York. Entretanto, mudou-se para lá na década de 20 e começou a fazer parte da gangue de Johnny “O Terrível” Torrio. Em 1925, ele substituiu Johnny que tinha se ferido gravemente.

Chicago na década de 20
Chicago na década de 20

E, como homem “de visão” que era, Al Capone expandiu os negócios da máfia e agregou diversas gangues sob seu comando.

No auge do seu controle, estima-se que a Chicago Outfit tinha mais de 700 membros. Todos fortemente armados.

Antes mesmo de completar 30 anos, Al Capone arrecadou mais de $105 milhões que usava para ostentar belas roupas, mulheres, joias, carros, além de gastar nos teatros e restaurantes da cidade.

Ele levava uma vida bem confortável.

 

 



E todo o período de domínio do mafioso foi marcado pela violência, já que a Chicago Outfit tinha uma gangue rival comandada por George “Bugs” Moran. Essa rivalidade levou a um episódio que ficou conhecido como o Massacre de São Valentim e aconteceu em pleno Lincoln Park.

Bem, o resto da história você já deve conhecer. Ele foi condenado por sonegação de impostos na década de 30, ficou preso entre 1931 e 1939 e morreu, de causa natural, em 1947, na Flórida.

A figura do Al Capone chama atenção até hoje. Apesar de sua natureza violenta, pelo que os livros contam, ele tinha fama entre celebridade e chegou até a aparecer na capa da TIME. Em 2011 uma casa de leilão em Londres vendeu por mais de cem mil dólares um revólver que pertencia ao criminoso.

Esse passado, e uma pesquisa realizada em 2015, fizeram com que Chicago tenha uma má fama e seja tida como uma cidade perigosa, apesar de não ter a maior taxa de homícidio no país. Pra mim, não pareceu. Tudo bem, a gente não foi ao South Side, que é bem perigoso… mas é tipo o Brooklyn, em Nova York: tenha o cuidado que você teria em qualquer grande cidade do mundo e nada lhe acontecerá.

Outra fama, na verdade um apelido da cidade, é “Windy City”, que é a “Cidade dos Ventos”. Chegando lá dá pra entender o codinome, já que venta muito na cidade, o tempo todo, cortesia do Lago Michigan. Mas conhecemos um casal que é do estado de Illinois e disse que na verdade esse apelido é porque o governo de lá muda a direção política como o vento.

E parece que a população do interior sofre um bocado pela cidade acabar ficando com a maior parte dos impostos arrecadados no estado. Enfim. Era hora de ir para Chicago e investigar tudo isso.

A caminho de Chicago

Essa é a primeira parte do post sobre a cidade, acabamos passando por lá duas vezes. Nessa primeira e depois quando voltamos de Detroit, mas isso vocês vão descobrir no próximo post. 😉

Segundo o Google, muita gente acha que Chicago é um estado. Mas não cometa essa gafe, meu povo! Chicago fica no estado de Illinois e é a cidade mais populosa da região. Além disso é a terceira maior cidade do país, perdendo apenas para NY e L.A.

Bem, se você acompanha o blog deve ter visto o meu relato sobre como é viajar de ônibus (Greyhound) pelo país. É sofrido. Então, desde Salt Lake City optamos em viajar de trem. É mais caro, mas compensa pelo conforto e pela viagem em si.

Vamos combinar que viajar dessa forma é sensacional. Até então nossa melhor viagem de trem tinha sido pelo Equador, mas esta era uma viagem turística. Nos Estados Unidos seria a nossa – bem, pelo menos a minha – primeira vez em um trem que de fato faz serviço de passageiros.

E então nossa aventura começou bem antes de chegar a Chicago, lá em Denver, quando começamos a usar o sistema ferroviário americano, a Amtrak.




Amtrak e o sistema ferroviário americano

Uma coisa que me impressionou nos Estados Unidos até agora, dessa vez positivamente, é a malha ferroviária do país. Você consegue cruzar o país de ponta a ponta – norte-sul, leste-oeste – de trem. Afinal, foi com as linhas de trem que o país se integrou, ainda no século 19.

Para você ter uma ideia do alcance atual, olha só o mapa das linhas da Amtrak:

Mapa da Linha de trem nos EUA
Mapa da malha da Amtrak

Como diria Sade “Coast to coast, L.A. to Chicago”. Muita gente enxerga um erro geográfico nessa música, afinal Chicago não é a costa oposta a L.A…(rs) Na verdade, a letra menciona justamente o trem que sai de L.A. e vai até Chicago: a California Zephyr. E foi nessa linha que viajamos.

Uma breve viagem pela história da Amtrak

A companhia não é tão velha quanto parece: surgiu na década de 70.

Como resultado da dependência da nação em automóveis e a crescente popularidade das viagens de avião que levaram à diminuição do uso de trens de passageiros, o Congresso aprovou o Rail Passenger Service Act em 1970.

Esta legislação estabeleceu a National Railroad Passenger Corporation para assumir o trilho de passageiros interurbanos, serviço que tinha sido operado por ferrovias privadas. A Amtrak começou a servir em 1º de maio de 1971 atendendo 43 estados com um total de 21 rotas.

Com os anos o serviço foi ampliando e melhorando. Na década de 80 surgiu a linha que liga Washington a Nova york, em pouco menos de 3 horas de trajeto. Na década de 90 começaram a circular os trens de dois andares. E nos anos 2000 surgiram linhas com trens elétricos e mais rápidos, que ligavam New Haven a Boston.

Hoje a Amtrak mostra em seu site que atende mais de 500 cidades, sendo 150 do meio rural e em 2016 carregou mais de 31,3 milhões de passageiros e teve uma receita de $2,14 bilhões com passagens.

Se os números estiverem atualizados mesmo, é bem impressionante.

De Denver até Chicago de trem

Nosso primeiro trecho de Amtrak foi entre Salt Lake City e Denver, fomos de poltrona. Era uma viagem não muito longa e a poltrona era bem confortável. Dormimos e tudo mais.

O serviço da Amtrak está longe de ser entregue com excelência. Se não comprar com antecedência não consegue bons preços, os trens sempre atrasam e a comida a bordo não é das melhores, mas se comparar com o que passamos na Greyhound, eu estava no céu.

Dessa vez nós compramos um sleeper, que é uma cabine com duas camas. O que foi muito bem-vindo depois de esperar quase 8h o trem chegar. Foi um baita atraso. E no geral reparei que Amtrak é um serviço que atrasa…rs

Mas esse atraso foi ó…campeão! Hahaha

Quando entramos no trem já eram quase 00h. O carro em que iríamos viajar era de dois andares, mas nosso sleeper era no andar de baixo. Deixamos nossas mochilas no compartimento de bagagens logo na entrada do vagão e no fim do corredor estava nossa cabine, já com as camas montadas.

É uma cabine bem apertadinha e só tem mesmo o espaço pra colocar o pé e subir…eu dormi em cima e achei meio claustrofóbico, porque fica muito rente ao teto. Mas eu estava tão cansada que capotei sem cerimônia.

No outro lado do corredor existia algumas cabines de lavatório (e banheiro) e cabines de chuveiro! E todos com toalhas limpas, sabonetes e shampoo. Na manhã seguinte não hesitei e tomei um belo banho.

Pelo que já vi por foto, parecia até o banheiro daquele avião luxuoso da Emirates…hahaha Bem, na minha cabeça pelo menos.

Quando viajamos de poltrona pagamos apenas para repousar nossas bundas (rs), no sleeper a coisa muda de cenário. Você tem todas as refeições incluídas! Claro, não conseguimos aproveitar todas, porque quando entramos no trem, já tinham parado de servir o jantar, acordamos tarde e perdemos o café…mas aproveitamos bem o almoço.

Chegamos em Chicago à noite e debaixo de uma chuva leve, mas incômoda o suficiente para não nos dar espaço para apreciar a estação de trem. Pegamos o táxi e seguimos para o hotel, que ficava bem próximo ao lago e apenas algumas quadras distante do píer.

O lugar se chama Dewitt Suites & Hotel. Não é barato, ainda mais comparando com nossas hospedagens anteriores, mas era uma espécie de apart hotel, então tinha a cozinha que facilitava a vida e o serviço de faxina diário. Era bem confortável e estava perto de todo o agito do centro de Chicago, ou a parte que chamam de The Loop.

Essa área onde ficamos é uma boa região. Existem outros hotéis, e Airbnb por lá, mas no geral é uma cidade cara para se hospedar. Então, pesquise com carinho antes de ir.

O que fazer em Chicago

Chicago é a primeira grande metrópole dos Estados Unidos pela qual passamos nessa viagem, até então passamos por cidade do interior, como El Paso, Phoenix, Cedar City, Salt Lake City, e Los Angeles e Las Vegas, que são grandes metrópoles, mas na minha visão são diferentes do que tenho em mente quando penso em “cidade grande”.

Pois bem, Chicago, na minha cabeça, é essa cidade grande que eu tanto estava ansiando por chegar. E ela não decepcionou nem um pouco!

Já na chegada, quando o táxi foi saindo da estação de trem e seguiu para a parte da orla do lago, fui vendo as luzes da cidade à noite, os enormes prédios, e então quando o táxi passa pela ponte sobre o rio as calçadas se mostram cheias de pessoas caminhando entre as diversas as lojas e restaurantes iluminados.

Vista noturna de Chicago

Uma das melhores coisas pra fazer em Chicago é explorar os diversos restaurantes e bares. Tem de tudo, para todos os gostos e, claro, bolsos.

A Michigan Avenue é a principal via no The Loop, por lá você terá todas as opções do mundo, literalmente. Comemos um ramen que estava super bom, só de lembrar já fico com água na boca.

Mas se você não é de se aventurar muito na culinária, pizza e hambúrguer não faltam. Chegamos a comer, sem saber, em um dos lugares que dizem que tem a melhor pizza de Chicago, o Giordano’s. Assim, pode ser pela minha falta de descendência italiana, mas não achei nada demais. (rs)

Para quem quer ir às compras, toda a Michigan Avenue é um grande chamariz. A avenida tem desde marcas caríssimas até H&M e BestBuy. Só comprei mesmo itens de higiene pessoal na Wallsgreen, então não tive a experiência com compras. Mas vi muita gente carregando sacolas…

Nós gostamos de andar e foi assim que optamos conhecer a cidade. Passear por Chicago à noite é bem divertido. Existe uma diferença entre o lado de cá da ponte (que está pro lado do lago) e o lado de lá, que é mais centrão.

Quando cruzamos a ponte, sentimos essa diferença. Passamo por baixo de uma das estações de metrô que me fizeram lembrar o Minhocão, até. (rs) Mas mesmo assim, não me senti insegura nem nada.

Centro de Chicago
Uma daquelas partes feias típicas de centro de cidade

E é nessa parte que estão os prédios mais antigos e bacanas da cidade. E Chicago é uma cidade com uma incrível arquitetura: Aqua Tower, The Poetry Foundation, Robie House – desenhada em 1910 pelo Frank Lloyd Wright -, The Art Institute e por aí vai.

Para quem gosta de arquitetura, é uma cidade e tanto! E você não precisa perder a chance de conhecer esses lugares por receio. Andamos por tudo quanto é canto do centro e fico confiante em dizer que me senti super segura.

Essa nossa primeira parada por Chicago foi mais curta do que a segunda, mas a cidade já me causou uma boa primeira impressão logo de cara! Então, estava ansiosa em saber que voltaríamos para ficar mais dias e ter mais chance de explorar mais de lá.

Mas isso eu conto mais pra frente. Fique de olho que o próximo post de Chicago sai ainda essa semana e tá cheinho de fotos e dicas boas.  Próxima parada:  Detroit, a cidade mais supreendente de todas. 😉

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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Diva De Mochila

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