5 roubadas na América do Sul…que você vai acabar fazendo de qualquer jeito
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5 roubadas na América do Sul…que você vai acabar fazendo de qualquer jeito

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Roubadas na América do Sul: cinco armadilhas em que você vai acabar caindo

Pois é, chegar de viagem é aquela coisa: reencontrar os amigos e os familiares para conversar sobre as férias. À medida que você vai contando suas histórias e mostrando suas fotos, uma sensação de desconforto se torna visível no rosto de seus convidados: “como assim, você não foi à Machu Picchu?????”

Não adianta explicar que o lugar é caríssimo e abarrotado de turistas mal-educados; muito menos argumentar que há outros lugares até mesmo mais incríveis, como as linhas de Nazca: se você não visitou Machu Picchu, você não foi ao Peru.

Machu Picchu é uma daquelas roubadas que você acabará cometendo de qualquer forma, seja porque há uma pressão social impelindo você a visitar estes lugares, seja porque a sua própria consciência não se perguntará se não é um exagero ignorar o lugar.

Então, na dúvida, você vai, gasta muito mais do que o lugar realmente vale, é importunado por gente grosseira e gasta um dia inteiro de sua viagem em uma experiência que só vai lhe levar ao arrependimento. Principalmente se, no dia seguinte, você for a um lugar sensacional, onde gostaria de ficar DOIS dias – mas um já foi gasto na roubada.

Portanto, quando você for a um dos lugares abaixo, respire fundo e lembre-se: era inevitável.

Salvador: restaurantes do Mercado Municipal

Foto do elevador Lacerda e Mercado em salvador

Cantados em prosa e verso por turistas e músicos baianos, os restaurantes do Mercado Municipal são obrigatórios para uma experiência real da culinária baiana. Certo? Então você não conhece o ditado “quem cria fama, deita na cama”.

Quando visitamos os restaurantes (são dois, no último andar do prédio), eram feios, sujos e cada garçom nos disputava literalmente pelo braço. Escolhemos o restaurante em que a garçonete foi mais contida e nos frustramos com a qualidade da comida. No chão, bitucas de cigarro e tampinhas de garrafa de cerveja indicavam que a coisa era mais boteco do que restaurante.

Comemos e deixamos uma grana infinitamente superior ao que recebemos. E até agora, quando falamos que fomos à Salvador, já respondemos “sim” várias vezes à pergunta: “Foram à Salvador? Comeram no Mercado Municipal?”

Bogotá: Monserrate

Igreja em cima do cerro de Monserrate em Bogotá

Você está no centro de Bogotá e olha para cima: há uma igreja no alto daquele morro que parece proporcionar uma bela vista da cidade. Uma corrida de táxi até lá e… surpresa: sim, há uma bela vista da cidade – que você terá de disputar a cotoveladas com a horda de gente que teve a mesma ideia que você.

Talvez você queira comer, para passar o tempo? Esquece: há um corredor infinito de estandes de comida, cada um mais sujo que o outro, que desemboca em uma espécie de matagal onde há a vista para o outro lado da cidade.

A igreja tampouco tem valor arquitetônico: é uma construção comum dos anos 50.

Quito: Mitad del Mundo

O Equador tem esse nome por causa da linha que corta o mundo ao meio e há um monumento ao norte de Quito para simbolizar esta divisão – a Metade do Mundo!

Apesar do nome bombástico, o lugar é mais um shopping center a céu aberto – só que com lojas de artesanato nada interessantes. Há um planetário e um museu, que não justificam o trabalhão que é chegar até o lugar (ou a grana do táxi). E pior: há uma séria discussão sobre se a linha do Equador passa por lá realmente ou se na propriedade ao lado – que, por via das dúvidas, apregoa ser o lugar onde a linha do Equador passa de verdade.

Os dois lugares cobram entrada e, para atrair visitantes e competir com o “oficial”, o lugar que alega ser onde a linha realmente passa anuncia experiências interessantes para demonstrar as propriedades físicas da linha do Equador. Pelo sim, pelo não, fique com uma certeza: não vá a nenhum dos dois.

Cusco: Machu Picchu

Sim, o lugar é incrivelmente bonito e faz parte do folclore turístico mundial, mas ao se considerar todos os fatores que caracterizam uma armadilha para turistas, Machu Picchu cumpre com todos os requisitos: caro (só para chegar lá é preciso pegar um ônibus que custa 20 dólares por 20 minutos de viagem, depois de uma viagem de trem que sai por 335 dólares. Ou você pode ir andando pela trilha inca por 4 dias; informe-se em uma agência de viagem e pague!); lotado (1,2 milhão de turistas visitaram Machu Picchu em 2013; imagine a quantidade de gente tirando selfies e morrendo por causa disso); e com serviços ruins (com toda essa gente e por esse preço, você esperaria restaurantes decentes, certo?

Mas há apenas uma espelunca vendendo empanadas e outras coisas revoltantes a preços ainda mais exorbitantes). Vale muito mais a pena gastar 200 dólares e enfrentar a desorganização peruana para ver a linhas de Nazca – esta sim, uma experiência marcante.

Coro: Centro Histórico

Portal de entrada da cidade de Coro

Quem vai para Venezuela atualmente, não é verdade? E, no entanto, o país é lindíssimo, com praias incríveis, desertos lunares e uma gente bacana até não poder mais. Isso não quer dizer que a Venezuela não tenha sua cota de roubadas: para os endinheirados, pode ser Los Roques; para mochileiros, com certeza é a cidade histórica de Coro, quatro horas depois de Maracaibo.

Declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, é difícil entender o motivo ao caminhar pelas ruas da cidade: sua arquitetura é comum e não há nada lá que não exista em outras cidades.

Adicione a isso o fato de que Coro está no deserto e, portanto, sempre falta água na cidade (o que está agravado pela crise venezuelana, visto que não há dinheiro nem mesmo para carros-pipa) e o veredito está dado: Coro é uma roubada de dimensão existencial.

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