Cusco e Machu Picchu
Peru Cidade histórica

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Cusco e as cores do Peru

Chegou a vez de conhecer uma das Sete Maravilhas do Mundo: Machu Picchu. Por si só a cidade perdida dos incas  já era um lugar que eu gostaria muito de conhecer, pois tenho um interesse peculiar por civilizações antigas.

Minha grande ansiedade na viagem é conhecer o Egito. Quando adolescente eu já achava muito interessante a história antiga de lá, quando entrei na faculdade no primeiro semestre tive aula com o Gustavo Schnoor, um dos principais egiptólogos do Brasil que infelizmente morreu assassinado no Rio.

As aulas dele eram incríveis e minha paixão pelo Egito foi fomentada e nunca mais foi embora. Por tabela meu interesse por civilizações antigas foi crescendo também. Já tínhamos passado por Lima e visitamos o Museu Larco que tem uma coleção incrível de peças incas. Então cheguei em Cusco com muita ansiedade para visitar o Machu Picchu. Então, bora lá?

O charme e as cores vibrantes de Cusco

Ficamos uma semana em Cusco mais ou menos. Estava bastante frio, de manhã então…G-ZUIS! rs

Como tínhamos passado frio em Lima eu procurei um hotel que tivesse aquecimento. O hotel que ficamos era bem simpático, mas aquecimento era meio assim meio assado…hahaha

Cusco significa “umbigo do mundo” em quechua, a língua indígena antiga e está a 3.400 metros acima do nível do mar. Por causa da altitude é muito normal se sentir meio estranho quando se chega pela primeira vez, existe até uma palavra própria pra isso: soroche.

Como a altitude é mais elevada a pressão baixa de oxigênio pode gerar uma dificuldade de respiração e para isso os peruanos tomam chá de coca. E no hall do hotel onde ficamos tinha sempre uma mesa com o chá. Bebi quase todos os dias, mas não senti tanto o mal estar por conta da altura. No segundo dia eu tive um pouco de dor de cabeça (nunca tenho dor de cabeça) e dormi um bocado a tarde…rs Depois disso, não senti mais nada.

Como estava muito frio o lance era sair cedo pra passear pela cidade e correr de volta pro hotel antes da noite cair…rs

Dá pra fazer tudo a pé em Cusco. Conhecemos alguns museus e igrejas. Tinha um museu pequeno, o Museu Inka, com algumas peças de arte pré colonial muito bem conservadas, mas nada muito diferente do que vimos no Museu Larco, em Lima.

De todas a que mais me chamou atenção foi uma peça de cerâmica que formada um espiral. Incrível! E toda preta, linda demais. Só é uma pena que não tinha como fotografar, mas fica a dica pra você ir lá ver pessoalmente. 😉

A Plaza de Armas de Cusco é muito charmosa. Um dia estava saindo pra buscar um café enquanto Edu terminava um trabalho e estava rolando um desfile com vários grupos diferentes uniformizados. Comprei o café, voltei correndo pro hotel, falei com o Edu “Maaaano, tá rolando um desfile muito dahora na Plaza de Armas, vou lá fotografar”…mas como ele estava já terminando, esperei ele entregar o trabalho e saímos juntos pra lá.

Ainda estava rolando o desfile, mas era outro do que vi de manhã, muito mais bonito por sinal. Vários grupos com roupas diferentes, coloridas, super arrumados…paramos num canto e quando perguntamos o que era o desfile descobrimos que eram desfiles de “Pais e Filhas” das escolas de Cusco.

Cada escola tinha um grupo e cada uma mostrando roupas e danças típicas das suas tradições. Sensacional. Tinha alguns que faziam lembrar as roupas dos nossos gaúchos, outros super coloridos que parecem mais o que eu imaginava do Peru e assim por diante.

Foi uma tarde super bacana. Tentei capturar um pouco desse dia e olha no que deu:

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Cusco é uma cidade muito simpática. Para cada lado que se olhe tem uma prédio antigo interessante pra se ver por fora e por dentro. A única coisa que não combinou tanto foi o frio…rs

Em Lima nós já tínhamos comprado a passagem de trem para Machu Picchu e lá fomos nós! \o/

De trem até Machu Picchu

Machu Picchu é uma das 7 maravilhas do mundo. Quando era criança e vi na enciclopédia (pois é, enciclopédia, não Wikipedia…rs) as sete maravilhas ficava imaginando se um dia conseguiria conhecer todas. Um pouco depois disso teve um passeio da escola até o Corcovado (subimos de trem e lembro até hoje daquele dia).

E bem, chegou o dia de conhecer outra dessas maravilhas. Não sei, e não me cobro, de conhecer todas. O que vier é lucro…e se tudo der certo, a próxima a ser conhecida será Chichen Itza, no México. Mas tem uma que T-E-N-H-O que conhecer que é a Pirâmide de Gizé, se bem que ela é parte das maravilhas do mundo moderno.

Nunca entendi muito bem isso, acho que como já tinham fechado a lista das 7 abriram uma novo pra não perder o glamour das antigas…hahaha Brincadeira. É que as maravilhas do mundo moderno são mais recentes, só isso. Mas pra mim podiam fazer logo uma lista”As 10 Maravilhas do Mundo_versão_final.ppt”…rs

Bem, tergiversei (como diria o Edu). Em Lima compramos o trem para o Machu Picchu, ele sai da estação de Cusco e segue até Machu Picchu Pueblo. A viagem dura umas três horas e a paisagem é incrível.

Pagamos um pouco a mais e viajamos no vagão dome. Esse nome é porque o teto tem janelas de vidro e assim dá pra ver coisas muito bacanas pelo caminho. A estação de Cusco era bem pequena e como estava muito frio todo mundo tentava ficar perto de um dos fogareiros que tinha na plataforma, eu era uma dessas pessoas.

Tinha muita gente pegando o trem, algumas pessoas iam fazer como nós e voltar no mesmo dia outros iam se hospedar num hotel que tem bem ao lado do Machu Picchu.

Adoro viajar de trem. Lembro que quando criança fizemos (eu, meu pai, minha mãe e minha irmã) uma viagem para São Paulo, pra Cidade das Crianças (ou Cidade da Alegria….tenho que lembrar de perguntar isso pra minha mãe). E nós fomos de trem…e foi o máximo. Lembro pouco do lugar em si em São Paulo (lembro da asa torta, dos espelhos mucho locos, mas lembro principalmente do trem.

Pois bem, voltando ao trem pra Machu Picchu: diferente desse que viajei quando criança, o que vai para Machu Picchu não tem cabines. São mesas de 4 lugares, dois de cada lado. Se você viajar em menos de quatro, vai dividir lugar com outras pessoas. O que não é mal, se você der sorte.

Junto conosco foi um casal mais velho. Ela vivia na Itália e ele em Miami, ambos americanos. Mas não entendi muito qual era a deles e acabei nem papeando muito, até porque estava fissurada na janela. Ela parecia tentar ser simpática, mas com um sorriso meio assustador-constrangedor e ele era esnobe. Ponto. rs

Mas podia ser pior, nas poltronas do nosso lado tinham uns adolescentes. E adolescente é igual em qualquer lugar do mundo, então já viu, né?

Bem, pra aproveitar bastante o dia, pegamos o trem as 06h. Quando o trem estava saindo era o comecinho do dia e o sol mal tinha aparecido. E por isso a janela tinha essa vista nos primeiros minutos da viagem:

A lua em Cusco
A Lua tentando encontrar o Sol.

Ao longo da viagem a paisagem é simplesmente incrível. O que contrasta muito com a saída do trem de Cusco, que passa por uma parte da cidade bem diferente do centro histórico e que parece ser onde de fato os peruanos vivem.

Quando o sol começa a subir e esquentar o dia começam a aparecer os picos nevados que são um verdadeiro deleite. Em vários pontos da viagem dá pra vê-los perfeitamente.

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A chegada em Machu Picchu

E depois de três horas de viagem e muitas coisas interessantes para ver da janela (inclusive o “início” do Rio Amazonas) chegamos or fim em Machu Picchu Pueblo. A chegada não é tão amistosa quanto Cusco. É mei confuso e não tem muitas informações. Você terá que sair da estação, cruzar uma ponte e ir para a avenida onde tem uma cabine que vende os ingressos pro ônibus que leva até o Machu Picchu.

A cabine é tipo aquelas cabines de busão antigas de rua, saca? rs Bem, a cabine é simplória, já a passagem….foi a passagem de ônibus mais cara da minha vida (até agora pelo menos). São 40 dólares para ir e voltar. Ou seja, uns 20 dólares por 20 minutos de ônibus. Num ônibus bem meia nota, viu? rs

Não estou dizendo que é algo péssimo, mas pelo preço…enfim. Pelo menos eles têm uma tarifa mais barata para peruanos.

A subida até o Machu Picchu de ônibus é bem tranquila e é bacana ir vendo o pueblo ir ficando menor a cada curva. Chegando lá, por volta de 09h e alguma coisa o lugar já estava tomado de gente. Apinhado na verdade. Tinham pessoas que já estavam saindo, ou seja chegaram bem cedo para visitar.

O ingresso do Machu Picchu pode chegar a ser bem caro se comprado em cima da hora ou em agências de viagem. Em Lima descobrimos que era possível fazer a reserva por um site e com o número da reserva fazer o pagamento direto no Banco de La Nácion. E foi o que fiz.

Em Cusco existe uma tenda que vende os ingressos e sai pelo mesmo preço. Mas, os ingressos esgotam rápido, então não deixe pra cima da hora. Acho que dá pra pagar online pelo site do governo, que comentei ali em cima. Só ver certinho a bandeira e como funciona porque todo site de compra no Peru tem um esquema diferente de segurança.

Chegamos na entrada e um rapaz nos ajudou a trocar o comprovante de pagamento pelo ingresso. Não foi nada difícil, mas deu pra ver que não é a prática mais comum que os visitantes adotam.

E então…TCHARAM! Enfim o Machu Picchu:


O Machu Picchu é estonteante, mas acredito que muito mais pela parte “técnica” em si. É incrível imaginar como tudo aquilo foi construído ali no topo da montanha. Além disso o aqueduto é impressionante. O sistema de distribuição de água que os incas criaram percorre todo o local e se extende até o pueblo.

É uma obra de engenharia tão eficiente e inacreditável que está sendo usada até hoje.

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Turistas, visitas guiadas e o clima do lugar

Deu que a vida quis que visitássemos Machu Picchu poucos dias após ter acontecido um acidente fatal com um turista. Parece que ele tentava tirar uma selfie dando um pulo de um dos platôs. Ele se desequilibrou, caiu e morreu. Bizarro!

Por conta disso todos os guardas estavam muito atentos aos turistas que ou tentavam pular, ou subir em algo. Era apito soando o dia inteiro e os guardas gritando para o pessoal não pular. Eu confesso que não entendo, (quer dizer, até entendo) essa obsessão por ter que mostrar que esteve lá da forma mais mirabolante possível.

Enfim. Prepare-se para quando for visitar. Você vai estar andando e terá que parar de repente porque alguém resolveu parar pra bater uma selfie onde existem placas dizendo, não pare no percurso.

Nós chegamos cedo e as primeiras horas do dia foram lotadas de turistas. Muitos brasileiros. Gente, gente, gente….posso dar spoiler que tem brasileiro em tudo que é lugar. Acho que foram poucas as cidades em que passamos e eu não escutava alguém falando português. rs

A Ponte Inca

Quando chegamos demos uma volta por todos os locais, mas como estava tudo muito cheio de gente decidimos ir até a ponte Inca. A Ponte Inca é uma ponte feita pelos incas em uma parte mais afastada da ciudadela. É uma construção feita pedra sobre pedra.

Eles estrategicamente deixaram um vão e a ponte só se completava se algumas tábuas de madeira fossem colocadas sobre o vão. Abismal, literalmente.

Ela era usada como rota de fuga para os incas quando preciso e também cortava a conexão de parte da montanha ao local. Pra chegar lá você pega uma trilha que vai durar uns 40 mins. Essa trilha vai circulando a montanha e você anda ao lado de um precipício, mas a trilha é segura e larga.

Ponte inca
Essa é a ponte…uns pedaços de madeira nesse vão de pedras. Sinixxxtro!

Eu andei descobrindo ao longo da viagem que não gosto muito de altura, mas eu vou com medo mesmo porque não dá pra perder uma oportunidade como essa.

Quando a trilha se aproxima do fim, dá pra ter uma visão espetacular do pueblo lá embaixo, cortando as montanhas. E mais um pouco, dá pra ver por fim a ponte. Que se eu fosse inca ia ficar e morrer mesmo…rs

Jamais teria coragem de atravessar aquilo. Já tive medo de fazer o trechinho final que dá até a porta mais próxima da ponte, imagina atravessar a ponte de fato. Tá louco. Ainda bem que nesse sentido não nasci inca…rs

Nesse trecho final a trilha fica mais estreita e eles colocaram um corrimão pra se segurar. Me orgulho em dizer que fui até o final. Edu é safo e vai em tudo, inclusive resolveu subir numa pedra pra tirar uma foto melhor da ponte e eu pensei que ia ficar viúva. Brincadeira, não era nada perigoso assim não, eu que sou medrosa. Medrosa não, cautelosa! rs

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Quando voltamos do passeio até a ponte já era meio da tarde e as pessoas tinham ido embora para almoçar ou mesmo voltar para os hotéis, então o parque estava bem mais vazio. Aí sim foi bacana. Revisitamos todos os locais. Deitamos na área de descanso e ficamos lá por um bom tempo. Foi ótimo.

O dia estava fabuloso. Sem neblina alguma. A visão lá do alto era estonteante. Mas confesso que ao olhar com calma para tudo aquilo, tudo me pareceu um pouco estéril. Não sei explicar bem. Parece que estava invadindo algo que não deveria ser visto por todos e que ao ser visto, perdeu a sua aura. Sabe? Muito metafísico? rs

Tenho alguma amigas que são mais sensíveis e ligadas nessas questões energéticas. Estava conversando com uma delas (antes de eu conhecer Machu Picchu). Ela disse que tinha adorado a energia de lá, que era calma, limpa.

Eu confesso que não tive essa impressão. Há um local no Machu Picchu onde eram feitos sacrifícios. Na verdade os sacrifícios humanos eram normais na cultura Inca. Inclusive a pouco tempo foi descoberto um novo sítio arqueológico ao norte do Peru e várias ossadas encontradas foram atribuídas a sacrifícios humanos.

E além do mais aquele era um espaço para os incas de hierarquia mais alta, o povão não ficava lá não. rs

Enfim. Achei muito bonito, e em grande parte pela sua localização. Isso é inegável. Também gostei muito de ver toda essa parte de engenharia. Subestimamos muito as culturas antigas. O pessoal construía coisas incríveis e Machu Picchu é uma das provas disso.

A volta pra Cusco durou mais 3 horas e correu sem grande surpresas. Já estava de noite (pegamos o de 17h40) e o mais inusitado é que na nossa mesa sentou uma inglesa que mora em São Paulo dando aula para crianças. rs Mundo pequeno? Como diz o Edu: a renda que é concentrada.

Cusco é uma linda cidade e Machu Picchu é daqueles lugares que valem ser conhecidos. =)

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 [box type=”success” ]Próxima parada: Arequipa! [/box]

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    Margot

    Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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