Viajar de trem pelo Equador é sensacional
Equador Trem

Viajar de trem pelo Equador é sensacional

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Tudo que você precisa saber sobre como é viajar de trem pelo Equador

Viajar de trem pelo Equador foi sensacional! O Equador é um país relativamente pequeno. Se compararmos com o Brasil, ele é um pouco maior que o Tocantins e um pouco menor que o Rio Grande do Sul.

São 283.560 Km2 de território e isso faz com que cruzar o país de ponta a ponta seja muito rápido. E foi nessa que surgiu o Tren Crucero na nossa viagem.

Já tinha falado dele lá no post de Guayaquil, lembra? Então, chegou a hora de contar como foi essa viagem.

Sobre o Tren Crucero, custos e percurso

O Tren Crucero é relativamente recente. Ele foi inaugurado em 2013 e é um passeio num clima totalmente vintage, sabe? São vagões luxuosos e paisagens incríveis. A viagem dura 4 dias e 4 noites. Ele não segue direto nesse período sem parar. Não existem cabines no trem.

A viagem acontece por trechos ao longo do dia e quando cai a noite, o trem para em algum local para dormirmos. Geralmente são fazendas e sítios que têm uma parceria com a empresa do trem.

O trem é ispirado nos trens de luxo europeus e ganhou na categoria Melhor Trem de Luxo na América do Sul no World Travel Awards de 2014, 2015 e 2016. Coisa chique, benhê. Mas também eles não tem concorrência, vamos combinar. rs

São alguns vagões com poltronas e mesas onde os passageiros ficam e recebem todas as refeições enquanto escutam os guias explicarem o que é visto pela janela. Ao fundo têm o vagão bar e logo em seguida o mirador (onde mais uma vez gastei grande parte da viagem).

Vagão bar do Tren Crucero
Vagão bar do Tren Crucero

Claro que todo esse luxo, mais as refeições e hospedagens incluídas têm um preço nada barato. Quando fomos no guichê de venda que fica no Malecón de Guayaquil queríamos fazer a viagem trecho a trecho por conta própria.

É possível fazer, só que entre um e outro trecho teríamos que esperar dias e dias. Como o Tren Crucero é muito caro e parece que estávamos numa época de baixa temporada, o preço de uma pessoa acabou saindo o preço para duas. Ou seja, pague 1 e leve dois. \o/

Se segura na cadeira que vou te dizer o valor…preparada(o)? Lá vai… $1450….mil quatrocentos e cinquenta dólares. É isso mesmo amiguinhos…exatamente. Na cotação de hoje sai por R$4.636,95. Isso dá 2.318,47 para cada um. Que se dividimos pelo período da viagem, seriam R$579,61 por dia.

Interior do Tren Crucero
Viajar de trem no Equador é puro estilo!

Não é barato e quase estávamos desistindo quando a menina disse que tinha a promoção e os dois sairiam por  $1450.  Porque se fosse cada um nesse valor, ia rolar não.

Mas como pensamos, era algo pra fazer uma vez na vida e não queríamos desperdiçar a oportunidade. Então, nos apertamos um pouco depois, mas fizemos a viagem. E valeu C-A-D-A centavo.

O percurso ao viajar de trem pelo Equador

Como eu disse a viagem é dividida por trechos. Nós partimos de Guayaquil para Quito, mas o contrario também é possível. No nosso caso, nos saímos da costa e seguimos até as montnhas.

A estação de saída foi a de Durán, que fica bem próxima a parte principal de Guayaquil. O primeiro trecho da viagem é feito por uma locomotiva a vapor tradicional. Depois, um pouco mais a frente, no mesmo dia, eles trocam pela locomotiva mais moderna.

Esse trecho que sai da costa até Quito é nomeado como Trem até as Nuvens. O trecho ao contrario é o Trem Maraviha. As paisagens são encantadoras. O percurso que fizemos foi:

 

Viajar de trem pelo Equador

Dia 1: Durán – Yaguachi – Naranjito – Bucay

Nesse dia o tajeto é feito pela locomotiva a vapor e vi várias plantações de quinoa. Mais a tarde paramos numa fazenda de cacau e almoçamos por lá. Entre a estação do trem e a fazenda, um ônibus leva todo mundo.

Isso é engracado, o trem vai viajando e um ônibus o acompanha…rs Não lado a lado, claro. Enfim, é uma viagem feita de trem, mas suportada por um ônibus.

Dia 2: Bucay – Nariz del Diablo – Alausi – Colta – Riobamba

Nesse dia fizemos um dos trechos que achei mais bacana: o Nariz del Diabo!!! O nome assusta, mas não é nada tão assustador.

Para transpôr uma montanha que está no caminho entre a costa e Quito, a engenharia teve que ser criativa. Eles acabaram fazendo um zique-zague que vai contornndo a montanha até chegar ao local mais alto que é Riobamba.

O nome da montanha se dá pelo formato dela. Saca só:

Antes de subir o Nariz del Diabo o trem para num mirado no pé da montanha para as pessoas tirarem fotos e tudo mais. A subida é muito tranquila e lá de cima não parece tão alto.

Quando chegamos a Alausi visitamos uma comunidade chamada Palacio Real. Lá duas índias levam a gente para um breve passeio e explicam como usam certas plantas em seu dia a dia. Ou pelo menos como usavam.

Achei interessante quando elas falaram que Agave é usada pra um monte de coisas, inclusive como shampoo! Tá vendo, nem só de Tequila vive o Agave…rs Depois visitamos uma loja onde a comunidade vende artesnatos locais.

No fim da tarde chegamos em Riobamba que pareceu ser uma cidadizinha simpática, mas infelizmente só passamos por ela. A noite dormimos numa pousada/hotel fazenda e no dia seguinte retomamos o passeio.

Dia 3: Riobamba – Urbina – Boliche – Quito

O terceiro dia também é sensacional. Nesse dia nós fizemos a Avenida dos Vulcões. Saímos cedo de Riobamba e seguimos de trem. Nesse dia já conseguimos sentir bem mais o frio, ainda mais por ser tão cedo.

Em dado momentos paramos num lugar que parece ser no meio do nada, mas daí tem uma pequena estação de trem e lá conhecemos um senhor, um índio típico da região que explica um pouco como é viver ali.

Ele é considerado o ultimo “Hielero” da região. Ou seja, o último que se sustenta trabalhando com o gelo das montanhas. Gelo em espanhol é hielo.

Ele conta como faz pra tirar o gelo das montanhas e trazer pra vender. A filha ia traduzindo tudo que ele falava e ele parecia bem alegre. Mas vou te contar que tinha muita gente mal educada que ficava indo atrás do homem pra tirar foto, enquanto ele estava explicando as coisas, como se ele fosse um adereço…enfim.

Desse ponto já começamos a ver as montanhas com picos nevados. Saindo de lá seguimos viajando e então começamos a passar pela Avenida dos Vulcões. Essa foi minha segunda parte favorita de todo o trajeto. Quando chegamos em Uriba o trem alcança o ponto mais alto do trajeto.

A Avenida dos Vulcões é auto-explicativa, né? Rs Conforme o trem vai avançando, os vulcões e montanhas vão aparecendo. Num dia claro e sem nuvens, dá pra ver mais de 20 vulcões e montanhas. Nós não demos tanta sorte, mas até que consegui ver bastante coisa.

O que tem mais destaque é o Cotopaxi. E ele nos acampanha por muito tempo. Lindíssimo:

Haviam outros com nomes que anotei e não achei mais o papel (preciso me organizer melhor nisso). Dois tinham nomes que significavam “Namorado” e “Namorada”, pois um ficava como que abraçando o outro. Infelizmente nessa parte estava com muitas nuvens e não consegui ver nada. =(

No final do dia chegamos em Quito e fomos hospedados num hotel cinco estrelas, o Swissotel (por isso também a viagem é tão cara). Por curiosidade fui ver quanto custava a diária e tcharam: dava uns R$600!!! É o hotel mais caro que fiquei na vida, e provavlmente não ficarei de novo…hahaha

Dia 4: Quito – Otavalo – Ibarra – Quito

No último dia o passeio é bem tranquilo. Saímos de ônibus do hotel e seguimos para a estação que vai nos levar até Otavalo. Nesse trajeto o passeio não é no Tren Crucero, mas sim numa composição antiga e original, com maria fumaça e tudo.

Esse dia eu achei que é meio “encheção de linguiça”, sabe? A gente pega o trem, para numa estação onde tem um grupo tocando e uma degustação de comidinha (todas feitas de milho)…e depois seguimos para uma pequena vila onde existe o único ateliê que ainda faz esculturas sacras em madeira.

Depois disso, vamos para uma fazenda de flores e almoçamos por lá. Tirando algums esculturas sacras muito bem executadas que vi no ateliê, a única coisa que me marcou de verdade nesse dia foi o tomate dulce. É um tipo de tomatde, obviamente doce como o nome diz, que eles comem de sobremesa.

Achei bem gostoso. Não saberia explicar o sabor…mas se tiver a chance: experimente! Edu detestou…hahaha

Por fim voltamos pro hotel-chiquetoso-mais-caro-da-minha-vida, pegamos nossas coisas e seguimos pro Airbnb que reservei em Quito, perto do Centro Histórico. =)

Posso dizer que apesar de ter achado bem caro a viagem, foi um passeio que valeu muito. Não tinha quase extrangeiro no nosso comboio. A maioria eram equatorianos de férias.

Na tal fazenda de rosas conhecemos um casal de extrangeiros e foram os únicos que vi durante toda a viagem. Acho que as pessoas conhecem pouco essa opção de roteiro e além do mais é um investimento consideravelmente alto.

Mas não tem como negar, viajar de trem pelo Equador é uma experiência única!

Quer viajar de trem pelo Equador?

Fiz um resumão das taxas, itinerário detalhado e datas de 2017. Se você se empolgou e quer começar a planejar a sua viagem, aqui está tudo que você precisa saber sobre o “Trem até as Nuvens” que sai de Guayaquil e vai até Quito:

PreçosDias de saída
Tarifa normal $1650,00 + IVA por passageiro Tarifa para crianças / Idosos / Deficientes $1485,00 + IVA
Janeiro: 7 / 21 / 28 Fevereiro: 4 / 18 Março: 4 / 18 Abril: 1 / 15 / 29 Maio: 13 / 27 Junho: 10 / 24 Julho: 8 / 22 Agosto: 5 / 19 Setembro: 2 / 16 / 30 Outubro: 14 / 28 Novembro: 11 / 25 Dezembro: 9 / 27

Para você ter uma ideia melhor, eis o itinerário detalhado de cada dia:

Dia 01:  Durán – Yaguachi – Naranjito – Bucay 

8:00 saída de Durán em máquina a vapor
Visita a plantação de cacao e Fazenda em Naranjito
Almoço na Fazenda
Show de Cultura Montubia
Traslado até Bucay
Jantar e alojamento.

Dia 02:  Bucay-Nariz del Diablo-Alausi-Colta-Riobamba 

Cruzar o cañón do Rio Chanchán
Nariz del Diablo
Almoço no trem
Visita a Palacio Real
Jantar e pernoite em Riobamba

Dia 03:  Riobamba – Urbina – Boliche – Quito 

Urbina: visita a estação, Último Hielero del Chimborazo, praçaa artesanal.
Boliche: sendero andino
Almoço no trem
Quito: Jantar e alojamento

Dia 04:  Quito – Otavalo – San Roque – Andrade Marin – San Antonio de Ibarra – Quito 
6:30 saída de Quito, Swissote
Otavalo: passeio com máquina a vapor
San Roque: música e tejedores
Andrade Marín: Degustação e visita a Fábrica Imbabura
San Antonio: a arte sacra em madeira
Almoço: Hacienda La Compañía

Já se você quer sair de Quito para Guayaquil, eis as datas em 2017:

PreçosDias de saída
Tarifa normal $1650,00 + IVA por passageiro Tarifa para crianças / Idosos / Deficientes $1485,00 + IVA
Janeiro: 3 / 17 / 31 Fevereiro: 14 / 28 Março: 14 / 28 Abril: 11 / 25 Maio: 9 / 23 Junho: 6 / 20 Julho: 4 / 18 Agosto: 1 / 15 / 29 Setembro: 12 / 26 Outubro: 10 / 24 Novembro: 7 / 21 Dezembro: 5 / 19

Os preços se mantém iguais ao do Trem até as Nuvens e a rota é basicamente a mesma, só que ao contrário da que seguimos. Ou seja, você começa com as atividades que nós só fizemos no últimos dia e assim por diante.

Dá pra comprar online a passagem, basta acessar www.trenecuador.com

E se por acaso você tiver o tempo livre e quiser fazer os trechos separadamente (ou só alguns deles), tem tudo explicadinho no site. Dá pra fazer só o trecho do Nariz del Diablo, por exemplo. 😉

Se você ficou com alguma dúvida ou curiosidade sobre o roteiro e tudo mais, pode deixar um comentário aqui embaixo que responderei com o maior prazer! =)

Próxima parada: Quito!

 Alerta de Spoiler:  Segura aí na poltrona que vai ter uma reviravolta na história dessa temporada…rs

E se você curte viagens de trem e relatos de viagem, confira o livro “Nos Trilhos dos Andes”, nele o Edu faz um relato cativante e detalhado de como foi a experiência de viajar de trem pela América do Sul. É um verdadeiro mergulho na cultura local, vale conferir:

 

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    Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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