Quito e como apertamos a mão do vice-presidente do Equador
Equador Cidade histórica

Quito e como apertamos a mão do vice-presidente do Equador

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Quito, a capital do Equador e suas surpresas

Depois de quarto dias e quarto noites viajando de trem, chegamos a Quito. A chegada mostra que a cidade é bem urbana. Como chegamos de fora pra dentro, deu pra ir vendo as mudanças de bairros e como há um abismo entre a periferia e a parte mais chique.

Mas até aí, quase todas as grandes cidades e capitais são assim.

Nossa primeira noite na cidade foi num hotel super chique…nossa segunda noite foi menos glamourosa, mas pra mim foi até melhor. Achei um Airbnb bem no centro histórico, próximo da Basílica del Voto Nacional.

O apartamento era ótimo, o único mal é que era no topo de uma ladeira…hahaha Mas é bom que fizemos exercício. Para chegar a Plaza de La Independencia, era só descer a nossa rua. Melhor impossível!

Mas vamos que vamos que a cidade rendeu muitas boas surpresas. <3

Vivendo como uma equatoriana em Quito

Nessa parte do Centro Histórico de Quito é um pouco mais difícil de viver. Não existem muitos supermecados. O que achei ficavam lá embaixo, depois da Plaza de La Independencia.

Outra coisa é que não existem padarias no Equador. Na verdade, no Peru também não, acho que é porque nossa colonização (do Brasil) é pesadamente portuguesa e nesses países predomina a influência espanhola. Mas, enfim.

Para cozinhar e manter o dia a dia foi um pouco mais custoso de tempo e diposição. Mas nada super impossível. Se você quiser ficar no centro histórico e fazer sua própria comida, sugiro um lugar mais próximo da Plaza de La Independencia.

Outra coisa que me chamou muito atenção eram os ônibus. Eles dirigem quase que sem freio entre as ladeiras e curvas do bairro…rs Parece que eles não vão conseguiru entrar numa rua e vrrrrrrrá, fazem a curva bem na hora. Rs

Todo o agito e as coisas estavam mais próximos a Plaza de La Independencia: restaurantes, mercados, bancos. Se você ficar hospedado lá por perto, sua vida está resolvida. Por ser uma cidade alta, faz frio. Um frio agradável com dias ensolarados e poucos momentos nublados. Estávamos por lá em Agosto. Mas há épocas em que está mais quente.

Então um casaco leve e uma calça seguram bem o frio da noite.

O que fazer em Quito

Separei algumas coisas que queria fazer em Quito: conhecer o centro histórico, visitar o “Mitad del Mundo” e conhecer o teleférico.

Conseguimos fazer tudo sem problemas.

Como estávamos ali do lado, fomos a pé e caminhamos por todo o centro histórico. Tem muitas coisas bacanas pra conhecer. Na Plaza de La Independencia estão o Palácio Carondelet e a Compañia de Jesus.

Diz a tradição que teria sido Simon Bolivar, que o chamou de Palácio Carondelet ao se surpreender com o bom gosto que tinha Francisco Luis Hector Baron de Carondelet, que ordenou a construção de sua fachada, cujo elemento principal, as colunas, permanecem até hoje.

Para visitar o Palácio, que é a sede do governo e residência oficial do presidente, é preciso reservar dia e hora. E foi o que fizemos. Eles pedem o passaporte para quem é estrangeiro, então fique atento.

Nesse dia reservamos o horário num grupo no fim da tarde. E demos uma volta pelo centro. Bem próximo ao Palácio estava o Museu da Moeda. Eu e Edu gostamos de numismática e por isso era o passeio ideal para matar o tempo enquanto esperávamos o horário da visita.

Tivemos que pagar para entrar, mas nada caro. O museu não é muito grande. Conta toda a história da moeda, como era na Gran Colombia, como as cunhagens e casas de moeda mudaram com o tempo. Muito interessante.

Depois da parte histórica, vinha uma parte mais moderna do museu. Nela havia um lugar com milhares e milhares de moedas de Sucre formando uma parede e conseguimos pegar e ver.

O fato é que o Equador é um país dolarizado, ou seja, que mudou a sua moeda para o dólar. A antiga moeda do país é o Sucre. Esse fato faz com que o país não esteja numa situação financeira muito boa e torna tudo muito caro, já que os valores são em dólar. Você pode ver enquanto anda pelas ruas da cidade que as pessoas fazem de tudo por um dólar. Vendem quenquilarias, oferecem pequenos serviços etc.

As notas de sucre não circulam mais, obviamente. Mas é normal ainda receber troco de moeda em sucre. Ainda há uma mescla das moedas de dólar e sucre no país.

Bem, ficamos lá vendo as moedas de sucre e o segurança veio falar conosco. Na hora achei que ele ia dizer que não poderíamos mexer nas moedas…mas ele foi super simpático. Como viu que gostávamos do assunto ele conversou um tempão conosco. E no fim, nos deu uma coleção inteirinha de moedas de sucre dessas milhares que estavam lá! =)

Ganhamos o dia! Mas o dia não terminou aí. Rs

Quando estávamos voltando para a visita do palácio vimos que a Plaza de La Independencia estava lotada de pessoas. Perguntamos para uma policial e ela nos disse que naquele dia estavam acontecendo manifestações pró e contra o governo.

A que estava na praça era a favor do governo, a que era contra eles meio que jogaram lá pro fundo do centro. O presidente atual é o Correia e como a economia é toda baseada em dólar e veiculada ao preço do petróleo…bem, a economia vai mal já que o preço do barril de petróleo também vai mal.

Decidimos não adiar a visita e lá fomos nós com o grupo. Era um grupo pequeno e o guia era bem simpático. Logo na entrada nd palácio, no meio das escadas principais estava uma grande bandeira do país onde os visitantes (todos equatorianos) paravam e faziam uma reverência.

O Palácio é bem bonito. Ao longo dos corredores são exibidos diversos presentes que o presidente ganhou ao longo do tempo. Desde peças típicas de artesanatos de países asiáticos, como pequenos palácios de filigranas, até relógios de milhares de dólares.

Em uma das salas de destaque há um altar todo em ouro e lá um fotógrafo official do palácio tira foto de todos. No final da visita ganhamos a foto impressa. =)

Estávamos terminando a visita, recebendo as fotos e conversando com o guia quando de repente o grupo todo para e observa um homem bonitão todo arrumado descendo as escadas acompanhado de mais dois homenes que pareciam importantes.

Eles passam pelo nosso grupo e o bonitão para e cumprimenta um a um de todos que estavam ali. As pessoas pareciam emocionadas e com certo ar de respeito extremo.

Ele parou me desejou boas-vindas ao país (claro, ele pescou na hora que eramos gringos) e apertou minha mão. Fez o mesmo com o Edu e seguiu para a varanda do palácio. Perguntamos para o guia quem era e ele nos disse um pouco nervoso até: Esse é o vice-presinte do país! O.O

Pois é, apertamos a mão do vice-presidente. Que por sinal se chama Jorge Glas. Foi um dia memorável. E começou como se nada demais fosse acontecer. Adoro quando essas coisas surpreendentes acontecem. =)

Ele fez um discurso na varanda para os manifestantes que eram a favor do governo do Correa. O que acontece é que lá não há reeleição e o Jorge Glas estava cotado para se candidatar como presidente, indicado pelo Correa. Mas no fim, não foi o que aconteceu.

Tenho um amigão (Oi, Ricardo) pra quem acabo contando essas histórias quase em real time e ele disse que estou muito Forrest Gump….hahaha

A metade do mundo de Quito

Em Quito existe um lugar chamado La Mitad del Mundo que é basicamente a metade do mundo, onde a linha do Equador passa. Já tínhamos passado pela linha do Equador lá em Macapá, agora era hora de passar no Equador. E lá fomos nós

Para ir existem duas opções: a cara e a que fizemos. Se você for a Plaza de La Independencia existem um lugar chamado Centro Turístico e lá existem as opções caras que são ônibus de passeio bem turísticos. Eles oferecem um passeio que dura o dia inteiro, com almoço, por 60 dólares por pessoa.

Achei caro e fomos descobrir como poderíamos ir até lá sem precisar gastar os tubos. Descobrimos que existia um ônibus de linha. Pegamos numa praça mais atrás da Plaza de La Independencia e depois de uma hora e meia passeando por Quito, chegamos a Mitad del Mundo.

Quando chegamos lá um casal de senhores que estava no trem conosco passou de carro, buzinaram e pararam pra falar com a gente. Rs

Bem, posso resumir Mitad del Mundo em uma palavra: BLÉH! Rs Não pague 60 dólares para ir lá, sério. Vá de busão, conheça as quebradas de Quito e chegue lá. É melhor.

A entrada custou 15 dólares para cada um. Dava direito a visitar tudo. Mas aí você pensa: Tudo o que? Bem, o local é um grande parque com algumas poucas atrações e muitas, muitas lojas. É praticamente um shopping disfarçado de ponto turístico.

Vimos o planetário que era bem furrequinha e depois seguimos pro marco onde tecnicamente passa a linha do Equador. É uma construção enorme e pega-se o elevador para chegar até o topo onde tem um mirador. A vista é até bacana:

Vista do Mirador da Mitad del Mundo

Eles até deram uma solução elegante pro prédio. Sobe-se de elevador e depois é só descer tudo de escada. São vários andares e em cada um há uma pequena exposição. Algumas sobre física e outras sobre o país.

Mas aí descobri que na verdade a linha do Equador nem passa por ali de fato, mas num museu-sítio ao lado! Ah…fiquei decepcionadíssima com a Mitad del Mundo. Se você tiver coisas melhores pra fazer em Quito, nem precisa se preocupar em ir que não vai perder nada. Sério! Rs

O primeiro teleférico da América do Sul

Não, esse não é o primeiro teleférico que foi construído na América do Sul, é o primeiro que a gente visitou…rs O primeiro de alguns. Porque parece que os espanhóis adoram ter uma visão alta da cidade. Acho ótimo!

Do apartamento em que estávamos dava pra ver uma estátua enorme de Nossa Senhora e perguntando aqui e ali descobrimos que havia esse teleférico que subia muito e proporcionava uma ótima vista da cidade.

E lá fomos nós. Realmente a visão lá de cima é incrível. E não foi caro não. Esse é um passeio bacana de ser feito. Dá pra ver a cidade toda. Ficamos ali procurando onde estava a nossa casa, olhando o mapa geral e organização da cidade….foi uma tarde bem bacana.

Vista do mirador de Quito

Na volta acabamos tomando um gambal do taxista. Ele claramente alterou o taxímetro e pagamos caro na volta. Mas enfim…são males do turismo. Acontece.

Quito foi uma cidade que me agradou bastante. No geral eu não caí de amores pelo país, mas gostei. A viagem de trem e Cuenca foram os pontos altos. Mas Quito tem o seu charme.

Acabamos ficando mais tempo do que o previsto e mudamos do Airbnb para um hotel bem próximo a Plaza de La Independencia. Foi a melhor coisa: não precisar subir a ladeira até em casa…hahaha

Teve um dia em que estávamos a noite voltando do jantar e todas as ruas estavam fechadas. Por que? Uma maratona! Rs Acabamos vendo todos correrem porque tínhamos que esperar passarem. As ruas eram em zigue zague e foi legal acompanhar o desempenho das pessoas.

Teve gente correndo com cachorro, um amigo empurrando a cadeira de rodas de um participante…bem bacana!

No geral, Quito foi bem surpreendente. Não esperava nada da cidade e aconteceu coisa a beça. Vou levar ótimas lembranças de lá.

E assim terminou nossa passagem pelo país. A sensação que tive é que a crise que eles passam está estampado no rosto das pessoas. Dá pra ver que elas andam meio acanhadas, olhando pra baixo. Mas sempre que paramos para pedir ajuda, todos nos ajudaram e foram muito agradáveis. Principalmente os policiais.

Tivemos um impasse de ir ou não a Galápagos, mas achamos muito caro e afinal, a ilha não vai sair do lugar. Então, deixamos para conhecer no futuro. 😉

Próxima parada: Ipiales, rumo a Cali…a cidade da rumba.

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    Margot

    Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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    • Tânia Furtado

      Diva Margot, eu amei as imagens, mas ao saber que em Quito não tem padaria, já excluí dos meus desejos de viagem kkkkkkkk

      • hahahaha Pois é, Tânia. Viagem é bom pra gente valorizar pequenas coisas, como padarias! rs
        Na Venezuela tinham várias…

    DivaDeMochila

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