Maceió, que dó, que dó.
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Maceió, que dó, que dó.

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Maceió, que dó.

O trocadilho é pobre…assim como Maceió. =/

Sempre me diziam e sempre li que Alagoas era o estado com maior desigualdade social e que Maceió está entre as 5 cidades mais violentas do Brasil. Bem, sobre a violência não posso dizer nada, pois não vi nem passei por nenhuma situação de risco. Mas quanto a pobreza, bem…isso é algo nítido e não tem como não perceber.

Chegamos em Maceió por Aracaju (e a cidade já “sai perdendo” nessa, pois Aracaju é muito bacana). Como você já deve imaginar, chegamos de ônibus. E a chegada na cidade é muito impactante, pois na entrada da cidade têm uma comunidade que nota-se ser bem pobre. É mais de 1Km de “favela” (entre aspas pois não é em morros como vemos no Rio) dos dois lados da rodovia AL-101. E depois de passar por lá, você chega até a rodoviária e quando pega o táxi e chega na Ponta Verde (onde ficamos) é outra realidade.

A Ponta Verde está encostada no bairro da Jatiúca, um dos mais nobres da cidade. Apesar disso nossa hospedagem lá foi muito em conta (fechamos por Airbnb) e estava muito bem localizada. Perto de mercados (o Palato era um deles e é o mercado mais caro da vida…mais que o Pão de Açúcar) e farmácias (muita, muita farmácia). Como tínhamos alguns trabalhos para entregar (inclusive o Diva foi inaugurado enquanto eu estava lá) não saímos para muito longe. Quando chegamos fomos dar uma volta na orla.

E aí que ficou uma impressão em mim que não saiu mesmo depois de conhecermos outras áreas da cidade, como o Centro. Maceió parece uma grande cidade de veraneio (ou seria uma cidade-grande-veraneio?). Na orla tem alguns quiosques com aquele clima de praias de férias, os pontos de ônibus são de madeira…um clima bem diferente do que se espera de uma capital. Isso não é ruim, mesmo. No trecho da orla que ficamos achei um pouco “apertado”, os quiosques competiam com a calçada e a ciclovia, então o trânsito de pedestres ficava meio confuso…rs Mas pro lado do porto a orla se alarga e fica bem agradável.

As praias são bonitas, isso é fato. Mas quando você passa pras quadras que não são da orla tem um fato mucho loko…não tem sinal (ou farol pro pessoal de SP) nas ruas…a galera simplesmente vai passando pelo cruzamento na coragem…e para pros pedestres atravessarem nem sempre. Não é para os fracos…rs

Em outro dia resolvemos ir passeando até a Estátua da Liberdade por sugestão de um amigo meu que é de Maceió (oi, Robertinho!). E foi uma caminhada bacana, fizemos parte pela orla e parte por dentro. Estava muito sol, mas não estávamos tããããão longe só uns bons 4km. Essa estátua é original, feita pelo mesmo autor da Estátua da Liberdade que todos conhecem: Frédéric Auguste Bartholdi. Ela é feita de bronze, em escala bem menor e está localizada atrás do MIS.

Vale conhecer:


E já que estávamos na rua, resolvemos andar um pouco mais (a gente sempre acaba fazendo isso e no fim anda pra cacete…rs) pra ir conhecer o Palácio do Governo Estadual (hoje Museu Floriano Peixoto) no Centro. O palácio é bonito e tem algumas peças de mobiliário de época, mas a guia nos informou que muita coisa se perdeu porque um governador aqui e outro acolá levavam de souvenir um tapete, um quadro, um móvel…. =/

No andar de baixo ainda têm alguns espaços administrativos e que são usados até hoje, no andar de cima onde era a residência dos governadores e suas famílias tem alguns espaços com móveis de época e alguns quartos foram transformados em sala de exposição para homenagear alagoanos históricos como o Aurélio Buarque de Holanda (sim, ele próprio…o Aurélio) e Lêdo Ivo. Achei a inciativa bacana. =)

Parece que em 1994 teve uma manifestação popular violenta por lá e as pessoas chegaram a derrubar as grades da frente do palácio. Aqui um detalhe original da entrada (a foto não ficou muito boa porque estava só com celular):

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Uma coisa que me chamou atenção é que na Rua do Imperador, uma rua principal que andamos pra chegar no palácio, tem muita gente vendendo jaca na rua (como o pessoal que vende milho em São Paulo). E achei ótimo andar com aquele aroma de jaca no ar…dava vontade de comprar um punhado de jaca a cada esquina…hahaha

Fora isso não conhecemos muito mais coisas. E além de tudo isso, ganhei um presente surpresa (que a-d-o-r-e-i): um cordão que tinha visto pela internet. Não é merchand não gente, foi o Edu quem me deu… <3

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Wanderlust é desses termos que existem só numa língua (no caso alemão) e não tem tradução (como a nossa saudade). Mas a ideia geral é que enquanto a saudade é um sentimento nostálgico que sentimos de algo (ou alguém) que já conhecemos, wanderlust é o mesmo sentimento só que em relação a lugares e coisas que ainda não conhecemos, que estão por vir. É como se fosse uma saudade, só que do futuro. =)  Tem ainda a questão de que wander significa caminhar e lust desejo. Então, no geral o termo “pode significar a viagem que cada um deseja fazer de algum modo, talvez em uma busca através de si mesmo, começando com o primeiro passo ao longo de uma extensa jornada” (peguei essa última parte aí na Wikipedia…rs).

Em resumo, não desgostei de Maceió. Meu avô por parte de mãe nasceu em Maceió, mas não gostava da cidade. Não sei dizer exatamente o motivo, pois não cheguei a conhecê-lo. Só que Maceió é uma cidade pobre e isso dá uma tristeza (pelo menos em mim). É angustiante ver uma cidade que tem potencial ter uma desigualdade tão grande e parecer sucateada. Não é nem de perto o “morro” e o “asfalto”, é outro nível. Não sei bem explicar, mas fiquei triste por Maceió.

Ainda assim, não achei uma cidade ruim. Fomos bem recebidos, não tive problemas de andar na rua e me sentir acuada (como em Salvador) e se mostrou uma cidade fácil para se locomover.

Próxima parada: São Miguel dos Milagres.
p.s.: Uma coisa que deixo como dica-aviso é…cuidado com a água em Maceió (pra bom entendedor…rs)
p.s.2: Testei uma cera de depilação pra microondas…só recomendo pra minha pior inimiga…hahaha
Faz mó lambança danada e no final não presta pra nada. Um H-O-R-R-O-R.

 

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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02 Comments

  1. Yriz

    Gentenn o Aurélio é alagoano e tem uma Estátua da Liberdade original?! Pense num post educativo hahahaha

    5 de abril de 2016 Responder
    • Margot

      hahaha Posso dizer que “educativo” é um termo que define bem o que foi Maceió nessa viagem.

      6 de abril de 2016 Responder

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