Macapá: uma cidade que merece atenção.
Brasil

Macapá: uma cidade que merece atenção.

Rating Chart

0 average based on 0 ratings

  • Excellent
    0
  • Very Good
    0
  • Average
    0
  • Poor
    0
  • Terrible
    0

Conhecer Macapá foi uma ótima experiência

Como eu tinha dado spoiler lá no post de Natal (não soube, minini?? Vê só!) tivemos uma reviravolta nessa temporada! Então antes de falar de Macapá, vamos aos fatos. rs

Na verdade, como descobrimos que os voos do Alasca pra Rússia se encerram no dia 29 de agosto, decidimos dar uma pulada na viagem…e então, estava eu na casa da Yriz e o Edu (pelo WhatsApp) vem com a ideia de “Vamos pra Macapá?”.

Há anos eu escuto a seguinte piada: Macapá é igual apêndice, todo mundo sabe onde fica, mas ninguém sabe pra que serve. Mas…ano passado a medicina descobriu uma função pro apêndice… então..fiquei curiosa pra descobrir Macapá. =)

Bem, o Edu já tinha uma ideia (quando ele tava planejando a viagem) de visitar as 4 capitais (regionais) que não tem como chegar por terra. E a primeira que teríamos a chance de conhecer era Macapá! Então, lá fomos nós.

Pra chegar lá não foi tão fácil. O jeito mais barato (ou menos caro, no caso) que conseguimos a partir de Natal, foi pegar um avião para Brasília (sim, passamos algumas horas por lá no aeroporto…rs) e de lá outro voo pra Macapá. Em resumo, saímos de Natal às 13h e chegamos em Macapá 01h. Mas até que achei de boas o rolê (ai que frase paulixxxta).

O hotel que ficamos era bem do lado do aeroporto, coisa de 5 minutos de táxi. Macapá é uma cidade pequena e com uma via principal, então não é difícil se locomover por lá. Notem o locomover…isso porque andar a pé não é assim tãããããão fácil. rs

Como Macapá é uma zona franca (olha aí uma função de Macapá…) a maioria das pessoas tem carro ou moto e assim as calçadas não são muito pensadas pro pedestre. Mas também não é nada que você vai andar na rua e morrer atropelado…rs Optamos por ficar pouco em Macapá, só 3 noites. Em parte porque não tem muito o que se conhecer lá e em parte pelo quesito “correr até o Alasca”.

No primeiro dia, pegamos a avenida principal e seguimos toda a vida até onde fica o porto e a margem do rio. Nessa pequena parte de “orla” é onde fica localizado o Forte de São José. E se tem Forte e Igreja a gente tá entrando..rs

De todos os fortes que nós visitamos até agora (e dos que eu conheço) é o forte que achei mais bacana. Ele é bem, bem, bem grande…a construção é interessante e o pátio central é bem amplo. Só achei uma pena que na parte de cima parece que largaram um pouco de mão e o mato estava bem alto. Aqui alguns detalhes de lá:

Depois de visitarmos o forte, pegamos um táxi e seguimos pro Marco Zero, onde passa a linha do Equador. Finalmente consegui dar satisfações à Margot da infância, que não entendia como uma linha imaginária cortava a Terra no meio…rs

Chegando lá, fomos recepcionados por uma senhorinha-guia (subimos pelo lado errado e ela acabou correndo pra receber a gente…rs) super animada e gente fina. Ela contou da história do Marco Zero, como o sol fica posicionado bem no meio do monumento no dia do solstício e contou também um fato curioso: o estádio de futebol que tem bem em frente ao Marco Zero é o único no mundo onde os times jogam cada um num hemisfério, isso porque a linha que divide o campo passa bem em cima da linha do Equador! hahaha Sensacional!!

Além disso ela tirou dezenas de fotos da gente (muitas naquelas poses cafooonas de turista)….hahaha Foi super divertido! E cá estamos metade no Hemisfério Norte e metade no Sul:

Marco Zero do Equador
Esse é o Marco Zero onde você tem a linha imaginária do Equador demarcada. Atrás do marco existe um campo de futebol cuja linha do campo passa bem na linha do Equador e por isso é o único lugar onde os times jogam cada um num hemisfério…rs

A mesma senhorinha nos indicou conhecer um museu na cidade que tem várias plantas, tipos de construção etc…o Museu Sacaca. E como ela falou sobre tudo muito empolgada, lá fomos nós. O museu é bacana, como se fosse uma grande casa com um enorme quintal. O museu é dedicado a um botânico local que estudou as ervas e plantas e ficou famoso como um curandeiro, aliás esse é o significado de “Sacaca“. O que me fez pensar se tem alguma relação com “Sacagawea”….sacaca, sacaga…mas não fui atrás de investigar pra ver qual é. #confesso 

Foi um dia agradável. Primeiro o forte, depois o Marco Zero e por fim o Museu. =)
Pra fechar o dia tinham me indicado comer Filhote, um peixe local. E por lá disseram que o Restaurante Amazônia como o que tinha o melhor filhote. Voltamos pro hotel, descansamos um pouco e fomos pra lá a noite….demos de cara na porta. rs

Mas, não desanimamos. Esse restaurante (que fica em cima de um hotel) fica numa orla e então demos uma volta para achar outro lugar pra comer. Depois de ir e vir (muitas coisas pareciam/estavam fechadas já que era domingo) e paramos num restaurante chamado Caravelas. E finalmente experimentei o filhote!!! E que peixe bom. Mas assim, bom mesmo sabe? Pra mim ele parece uma textura um pouco de atum (mais encorpado), mas com um gosto bem particular. Acho que o preparo com o molho que eu pedi que não foi a melhor escolha, então quero ainda experimentar ele só na brasa…hummmmm…..

Bem, não só de passeios turísticos vive o homem, e esse homem no caso é o Edu. rs

Ele queria conhecer Mazagão Velho e eu tô aí pra conhecer qualquer pico. Já tinha ouvido falar, mas sabia pouco de lá…pesquisei um cadinho antes de ir pra tentar aproveitar melhor a visita. E lá fomos nós.

Pra chegar em Mazagão Velho não é difícil, tem um ônibus que sai do Centro de Macapá e custa R$5,00. Ele vai até Mazagão (Novo) e de lá pra Mazagão Velho. A ida é tranquila, tem uma pequena parte que a travessia é de balsa, coisa de 2 minutos num trecho estreito de rio…o mais bizarro é que bem em cima desse trecho existe uma ponte (uma SENHORA ponte) que está lá novinha, mas ainda não foi inaugurada porque faltam uns 200 metros no final dela…enfim.

Chegamos em Mazagão (não tão cedo quanto a gente queria) e lá descobrimos que o último ônibus que saia pra Mazagão Velho e o último que voltaria de lá pra Mazagão iam ficar inviáveis pra gente…não daria tempo de ir e voltar (de ônibus é uns 40mins de estrada) e começamos a pensar que a viagem estava dada por perdida. Tentamos achar um táxi, mas visualize uma cidade de interior…com aquela rua principal, quase ninguém na rua…casas antigas…então Mazagão é isso 10 vezes mais parada no tempo (e isso porque ainda não tínhamos chegado em Mazagão Velho).

Mas, estávamos lá e um taxista passou pela gente. Primeiro ele indicou um tal ônibus que iria passar em tal árvore e iria pra Mazagão Velho, depois ele passou de novo pela gente e disse pra esperarmos ali na esquina que ele ia levar uma mulher logo ali e já voltava…

35 Minutos Depois…

O taxista passa de novo e nos oferece ida, volta e um tour por Mazagão Velho. Por fim, essa era nossa melhor opção, senão teríamos que voltar pra Macapá chupando o dedo. Entramos no táxi e seguimos com ele: Didi! =)
Junto com ele no táxi estava uma senhora que iria pra Carvão, uma vila entre Mazagão e Mazagão Velho, muito falante e simpática, sabendo que estávamos a caminho de Mazagão Velho ela nos contou sobre a Festa de São Tiago que acontece na cidade, em Julho, e como centenas de pessoas vão pra lá e a cidade fica cheia.

Didi ia deixá-la na beira da estrada e ela teria que andar 1Km até Carvão, mas como estávamos todos no mesmo barco, pedimos pro Didi deixá-la em casa e assim conhecemos (por alto) a vila. Uma vila pequena, com poucas casas e uma rua principal…o Didi também mora lá. Ele contou que a esposa e a filha dele estudam na universidade, num esquema de 1 mês estudando e 1 mês em casa, com bolsa do governo. =)

Depois da rápida passagem por Carvão, seguimos pra Mazagão Velho, a estrada é boa e chegamos rápido. O Didi disse que ia ver se o professor estava em casa, para ele nos contar a história de lá, mas passamos na casa do professor e ele não estava. Contudo, um morador mais velho (não velho demais, acho que por volta dos seus 40 anos no máximo) que poderia nos contar sobre a cidade. E assim conhecemos o Jonas.

Mazagão Velho é um povoado com mais de 240 anos que basicamente surgiu por conta da Guerra Santa. O povoado tem esse nome em homenagem a Mazagam, a cidade original ao norte da África que hoje é parte do Marrocos e conhecida como El Jadida. Basicamente por conta da guerra entre cristãos e muçulmanos, os portugueses da Mazagão original desocuparam a cidade e vieram pro Brasil. Por conta disso acontece a Festa de São Tiago e os moradores encenam as batalhas entre cristãos e mouros.

O Jonas estava nos contando tudo isso dentro de um espaço grande que serve como uma tenda de encontros, onde ele e alguns outros moradores ensinam as tradições do povo para as crianças: as danças, a música…apesar dessa ocupação portuguesa, havia ainda a influência dos escravos africanos e por isso Mazagão Velho é uma junção de várias culturas e tem a Festa de São Tiago e o Marabaixo (uma manifestação do folclore de lá).

Achei muito bacana essa questão e postura de preservar a memória. Infelizmente, não há mais arquitetura original no povoado. Apenas uma casa é de construção original e fica fechada quase grande parte do ano (parece que os donos abrem para alugar na época da Festa de São Tiago).

A Igreja nova estava fechada (uma pena, pois a senhora da vila do Carvão tinha me deixado bem interessada pra conhecer lá), mas conseguimos ver as ruínas da Igreja original de São Tiago. Apesar de receber muita gente nessa época da festa, o povoado ainda está parado no tempo em algumas questões, por exemplo: o Jonas disse que não existe coleta de lixo lá e o que as pessoas (mais conscientes) fazem é pegar seu lixo, colocar na bicicleta e deixar num local perto da estrada onde o lixeiro passa.

Um fato interessante é que o Jonas tinha acabado de voltar de uma viagem. Um cineasta canadense está produzindo um documentário sobre Mazagão Velho (Novembro estará nos cinemas) e levou o Jonas e mais uma menina para a Mazagão original, ou seja, El Jadida. =)

Mazagão Velho foi um lugar bacana de conhecer, mais quando você sabe da história, porque em termos de beleza, arquitetura etc…é apenas um povoado. Quando estávamos voltando pra Mazagão Novo pra pegar o ônibus pra Macapá, um rapaz veio falar com o Didi que uma senhora tinha se perdido e estava com o neto precisando ir pro Carvão…então, fomos buscá-la no ponto e levar ela pro Carvão no caminho de volta. Ela contou que ela sempre ia de Macapá pro Carvão de barco (ela tem um barco), mas como ela estava sozinha com o neto e com muitas sacolas, achou melhor ir de ônibus. Daí passou o Carvão e parou lá em Mazagão Velho. Mas no fim deu tudo certo. =)

O ônibus da volta pra Macapá (um micro-ônibus) estava lotado, L-O-T-A-D-O de pessoas indo estudar na cidade, isso lá pras 19h00. O Didi contou que ônibus tem prioridade na balsa, mas carro vai por ordem de chegada e como a balsa é pequena já teve dia dele chegar às 09h pra fazer a travessia e dar mais de 15h e ele ainda estar lá esperando. Tomara que inaugurem logo a ponte pra facilitar a vida do pessoal de lá.

Quando estávamos no Museu Sacaca tinha visto um trecho de música que dizia assim:

Modinha Afro-norditsa

Vamos até Mazagão
Vamos até Mazagão
Berço da cultura negra brasileira
Ponto de nossa nação
E no Curiaú
Cultura se firmou
E no Mazagão Velho

Marabaixo se encantou 
Essa é uma das riquezas 
Culturais do Amapá 
No norte brasileiro
Caboclo moreno vem dança 

Macapá foi uma experiência interessante mesmo. Como eu nem imaginava que passaríamos por lá, não sabia o que esperar e o que veio foi ótimo. Agora vai começar uma parte da viagem que eu estava super ansiosa pra chegar: navegar o Rio Amazonas.

Nós vamos de barco de Macapá pra Belém, depois de Belém pra Santarém, de Santarém pra Manaus, de Manaus pra Santa Rosa, Santa Rosa pra Iquitos (UFA!).

Como é nossa primeira vez viajando de barco (viu, dá pra ser virgem em alguma coisa mesmo depois dos 30…rs) e não sabemos muito o que esperar, compramos uma cabine…eu quero muito ir de rede em algum trecho, mas vamos começar com calma. rs

Então…próxima parada (depois de 1 dia e meio de barco): Belém!

Cidade histórica

Photos

    Margot

    Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

    You Recently Viewed ...

    20 fotos pra inspirar você a conhecer Januária

    Brasil

    Desculpe o transtorno, preciso falar do Brasil

    Tríplice Fronteira

    A tríplice fronteira do Brasil

    Meninos do Rio

    De barco pelo Amazonas

    A vista de Manaus

    Manaus: 3 dias em mais de 30.

    DivaDeMochila

    No Diva de Mochila você acompanha a viagem de volta ao mundo de uma carioca-paulista que virou mochileira depois dos 30. Bem-vindo (a) ao blog!

    Lá no Instagram