Alter do Chão: pra ficar nas nuvens.
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Alter do Chão: pra ficar nas nuvens.

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Alter do Chão é pra ficar nas nuvens.

Quando estávamos em Belém, pensamos em ir para Santarém e então conhecer Fordlândia, mas aí tivemos uma ideia melhor: ir pra Santarém, mas ficar hospedados em Alter do Chão. E foi o que fizemos.

Chegamos em Santarém de barco de manhã cedo. Chegando lá paramos num hotel que servia café da manhã e era do lado do ponto de ônibus onde poderíamos pegar o busão pra Alter do Chão. O ônibus é de linha mesmo e passa de meia em meia hora, então não esperamos muito depois do café. A viagem entre Santarém e Alter do Chão foi de boas, sem perrengue. Demora uns 45 minutos no máximo o trajeto.

Alter do Chão é bem turística e as opções de hospedagem são diversas, mas vi um hostel que parecia bem bacana e resolvemos arriscar. E foi ótimo! Ficava bem do lado da praia, o quarto era tranquilo e os espaços externos super agradáveis. Usamos a cozinha de boas e a internet não era 100% em todos os espaços, mas no quarto funcionava bem. =)

Esse hostel tem uma história interessante. Um casal do sul resolveu sair pelo Brasil de bicicleta e quando chegaram em Alter do Chão se apaixonaram pelo lugar e resolveram abrir uma pousada lá. Mas o dono teve alguns problemas de saúde e eles optaram por voltar pro sul para ficarem próximos da família. Com isso o dono fez um acordo com um de seus funcionários e passou a pousada pra administração dele. E hoje a pousada é administrada pela família desse cara e ele teve uma vida bem interessante.

O pai era pescador comerciante e ele seguiu os passos do pai por um tempo, depois foi mineiro e chegou a trabalhar na Guiana Inglesa por alguns anos. Agora só quer saber da pousada mesmo. rs

Como ele entende muito de pescaria e navegação, estão investindo num barco para poder oferecer mais passeios ao pessoal do hostel. Então quem for daqui pra frente pra lá, vai ter esse plus-a-mais-adicional no hostel. =)

Bem, Alter do Chão está como lugar favorito até agora. Isso porque ele é um lugar de praia, mas a praia é de rio, então a água é doce e uma delícia pra ficar nadando o dia todo ou tomando uma cerveja com os pés na água. <3

Estávamos bem próximos à praia e um dia ficamos fazendo literalmente o que descrevi ali…tomando uma cerveja com os pés na água no fim da tarde. Quando estávamos passeando até a praça central vimos que no meio do rio tinha uma espécie de península e lá várias barracas. Nos informamos e no outro dia voltamos pra ir lá. A travessia é super rápida e custa R$5 por pessoa.

Essa península é grande tanto em comprimento quanto em largura, algumas barracas vendendo cerveja com mesas e cadeiras estão espalhadas em metade da extensão. Fiquei a tarde t-o-d-i-n-h-a nadando e deitada na beira da água divando (hihihi). Já tô com saudade daquele dia.

Mas aí descobrimos que essa península não está sempre à mostra. O que acontece é que em certos períodos do ano o rio sobe tanto, mas tanto que chega não só a cobrir a areia da península, mas cobre as barracas INTEIRAS! Nós demos muita sorte, porque já era pra estar nessa época.

Por isso é muito importante antes de ir pra Alter do Chão ligar e perguntar “se tem praia”…isso por causa da maré que cobre tuuuuudo, tudo mesmo! Ou seja, durante quase metade do ano as barracas ficam submersas e no ano seguinte a galera tem que reformar a barraca toda (ou no caso de algumas só mudar o teto). Mas parece que em período de alta de temporada a cidade ferve tanto que rola ganhar dinheiro de sobra pra fazer isso.

A península de Alter do Chão
Essa é a península que tem essas barracas de madeira e teto de palha. E metade do ano elas estão submersas!! o.O

Mas é uma delícia ir nessa península e aproveitar pra ficar lá até o pôr-do-sol. Super recomendo. =)

Outro passeio que eu queria muito fazer (e o Edu também queria) era conhecer Fordlândia. Se você nunca ouviu falar não fica triste não que eu também não sabia que a cidade existia até uns anos atrás quando vi uma matéria sobre cidades abandonadas. Bem, Fordlândia foi uma cidade criada por Henry Ford (norte-americano) por volta de 1920. A questão é que Ford tinha a intenção de usar Fordlândia para abastecer sua empresa de látex, material necessário para a confecção de pneus. Mas o projeto foi encerrado em 1945 e a cidade ficou esquecida.

E hoje em dia a cidade tem uma população muito pequena (coisa de 1000 habitantes) e as construções originais continuam na cidade, porém abandonadas. O que faz de Fordlândia a única cidade fantasma do Brasil (pelo menos até onde eu sei). Então, fomos atrás de como seria para chegar em Fordlândia e aí a gente descobriu que tava fordido! (Tum Dum Tiss) Para chegar lá eram horas e horas de barco (de 8h a 18h, dependeria do barco), e assim não daria pra fazer um bate e volta pra Fordlândia.

E nessas, conversando com um dos meninos que fica na recepção (filho do dono)….falou que talvez Belterra poderia ser uma boa alternativa a Fordlândia. Até esse dia eu não sabia da existência de Belterra. O que acontece é que o solo de Fordlândia não favoreceu muito bem o desenvolvimento das seringueiras e rolou uma praga que acabou com o que tinha vingado. E foi assim que as expedições de Ford acharam Belterra.

E por volta de 1930 a cidade foi inaugurada. Mas diferente de Fordlândia ela não ficou abandonada com o tempo e hoje ela é um misto da parte histórica e moderna, ou seja, tem casas e prédios originais, mas tem também construções mais atuais. Como era próxima, fechamos com o Samuel (da pousada) e fomos lá conhecer.

Quando chegamos na cidade vimos as construções modernas (vale dizer que não é nada de prédio de 10 andares não…são só casas de alvenaria, com cimento e tijolo) e mais para o fundo da cidade estão os prédios e casas antigas que são as construções americanas. Todas elas são pintadas de verde e branco. Não consegui descobrir o porquê disso. Diferente do que dizem ser Fordlândia lá todas as construções originais ainda estão em uso exceto uma casa grande que parece ter sido um dormitório.

O hospital original pegou fogo por volta de 2006 e não reformaram mais. Mas fora isso ainda tem muita coisa bem conservada e sendo usada pela população e valeu bastante a visita. Além das casas existe a caixa d’água original de 1934 que está em funcionamento até hoje. =)

Pra quem pensa em ir pra Alter do Chão, vale ponderar conhecer Belterra.

A caixa d'água de Belterra
Belterra é um bom lugar para se conhecer se você estiver em Alter do Chão.

Algumas imagens da cidade e do dormitório abandonado:

Antes de chegar a Belterra paramos num local chamado Pindobal. É uma vila que tem uma orla na beira do rio com algumas barracas e um restaurante principal. Um lugar pra ficar de boas e tomar banho. Mas como já tínhamos nos esbaldado no dia anterior na península, nem saí de biquíni nesse dia. Então combinamos de parar pra almoçar lá na volta. =)

E lá comemos o melhor peixe da viagem até agora. Não pelo peixe em si, porque já tínhamos comido Tambaqui algumas vezes, mas eles fazem a banda (uma metade aberta do peixe) sem espinhas e com acompanhamentos muito bons. AND barato! Saiu R$65 e estávamos em três. Valeu muito, muito, muito a pena. Mas em alta temporada, vale ligar antes no restaurante e já pedir o prato porque pode ser que ele demore umas 2h pra ficar pronto…rs

Além desse Tambaqui do Restaurante Pindobal, comemos um Tucunaré que estava muito bom num restaurante na praça de Alter do Chão. E no mercado de lá descobrimos algo simplesmente sensacional: Bolinho de Piracuí! A textura é parecida com um bolinho de bacalhau (veja bem…parecida só) e o gosto é espetacular. Levemente apimentado, com o gostinho do piracuí…NOSSINHORA! Foi nosso jantar por 2 noites (e na primeira quase botei fogo na cozinha do hostel porque a frigideira que eles tinham pra fritar era minúscula).

Não ficamos muito tempo em Alter do Chão, foram só 3 dias e eu ficaria mais fácil, fácil. Em um dos dias faltou luz e parece ser algo relativamente normal, porque como a energia vem de Santarém qualquer coisa que aconteça na estrada derruba a luz em Alter. Mas voltou depois de 1h.

Tentamos aproveitar a falta de luz pra ir no píer que tinha do lado do hostel e ver o céu. Estava na época da chuva de meteoros e achamos que poderíamos dar sorte. Não demos. rs Mas o céu estava lindo mesmo assim.

Alter do Chão é daqueles lugares que vão te deixar mesmo nas nuvens. É agradável, tem boa comida, a praia é de rio, a cerveja é gelada, o pessoal é simpático….tudo pra ser uma boa visita. Só não esquecer de conferir se “tem praia” e se possível evitar as altas temporadas (Natal, Ano Novo etc).

Um passeio que não conseguimos fazer por questão de tempo, mas parece ser incrível, é o da Floresta Encantada. Numa parte mais pra dentro do rio você pode fazer um passeio de barco (desses barcos pequenos a remo mesmo) no meio da floresta (parece que é uma ilhota) e ver os animais que vivem lá. Dizem que vale muito a pena. Se alguém conseguir fazer me conta depois como foi? =)

Próxima parada: Manaus.

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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