Ometepe: a ilha formada por dois vulcões
Nicarágua Praia

Ometepe: a ilha formada por dois vulcões

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Ometepe: uma ilha incrível no meio de um lago

Já vou dizer logo de cara que Ometepe não é um lugar que quero voltar pra visitar. É um lugar que preciso voltar pra visitar algumas vezes mais…rs

O motivo é simples: você não verá nada igual a Ometepe no resto da América inteira. Bem, posso estar errada, pois ainda não rodei a América toda, mas essa é a única ilha com uma característica peculiar. Vou explicar melhor.

Uma ilha que não está em mar aberto

Não é sempre que podemos dizer que visitamos uma ilha em um lago, não é mesmo? Nessa viagem, isso não é necessariamente verdade.

Quando estávamos no Peru, visitamos duas ilhas no Lago Titicaca. Uma ilha flutuante, formada pelo próprio homem (Uros), e outra de terra mesmo (a Ilha Taquile) como toda ilha costuma ser.

O que Ometepe tem de diferente dessas ilhas? Bem, além dela estar em um lago e não no mar aberto ela é formada por dois vulcões!! Ativos, mas sem registrar atividades há muito tempo. Não sei os critérios para considerar quando um vulcão já está extinto… Enfim, DOIS vulcões formando uma ilha é algo que não se vê todo dia.

Em 2015 uma erupção vulcânica submarina começou a formar uma ilha no arquipélago de Tonga, ao sul do Oceano Pacífico. Mas ainda não é uma ilha que pode ser visitada, por motivos óbvios. Nas Filipinas existe uma ilha formada por um vulcão, é a Ilha Taal. Ela também fica num lago e há um lago dentro de sua cratera, já que nesse caso o vulcão está extinto. Assim como a lagoa do Cerro Chato em La Fortuna, que conheci pouco antes de ir pra Ometepe.

Mas dois vulcões não é pouca coisa não. Além de ser a única ilha num lago formada por vulcão na América, essa é a única ilha que tem dois vulcões no mundo todo! Pelo menos até o momento.

E isso é o que faz Ometepe ser um lugar único no mundo.

Um lugar conectado e isolado ao mesmo tempo

Apesar do que disse acima, não é difícil chegar em Ometepe. O local, obviamente, já é bem conhecido pelos turistas, existe inclusive um aeroporto em um dos lados da ilha.

Saímos de Granada de ônibus e seguimos até Rivas. Esse foi o primeiro chicken bus que peguei até agora na vida (Edu já pegou em outras viagens). Esse termo é usado pra falar dos ônibus em que as pessoas viajam com tudo, inclusive galinhas.

Bem, esse não tinha galinha, mas estava lotado até a tampa. Era um ônibus escolar antigo e a maioria dos passageiros eram nativos. Mas tinham mais turistas além de nós dois.

Quando chegamos no local de onde o ônibus saía, tivemos que entrar pela parte de trás, pois já não dava pra entrar pela frente. O preço da passagem tem dois valores, um se você não precisar carregar bagagens no teto e outro se você precisar. No nosso caso, as mochilas foram lá em cima mesmo, por isso pagamos 40 córdobas.

Antes do ônibus sair o cara ainda entuchou uma galera. Quando você acha que não tem mais espaço, eles arrumam. E o cara que cobrava as passagens ainda saiu passando no meio da galera pra recolher o dinheiro…hahahaha Cada coisa que a gente vê.

A viagem até Rivas durou mais de uma hora. Não foi super sofrida, mas foi desconfortável. Fomos em pé, espremidos e no calorão. Um menino que tava na minha frente, gringo também, ficava se curvando toda hora pra ver a janela e não se tocava que pra fazer isso, atrapalhava todo mundo.

Em determinado momento um senhor desceu e consegui passar os últimos 20 minutos da viagem sentada. Mas….esses ônibus americanos são escolares, ou seja, feitos pra crianças. Minha pernas não cabem naqueles bancos…hahaha

Enfim, chegamos em Rivas e um taxista já nos abordou pra levar a gente até o porto de onde saíam os barcos pra Ometepe. Acabou saindo meio caro pelo trajeto, mas não existe outra alternativa. O cara cobrou $2 por bunda. Ou seja, 60 córdobas pra cada um.

Como não tinha pra onde fugir, lá fomos nós. Chegamos no porto e compramos a passagem para Ometepe. Não precisamos esperar muito, em meia hora ia sair um barco. Esse custou 50 córdobas. Por isso digo que o táxi foi tão caro!

Bem, o barco demora entre 1h e 1h30 pra chegar na ilha. Nós saímos de São Jorge e chegamos em Mérida. A viagem foi num barco nem lá nem cá, tinha um cara que fica toda hora puxando água do porão e dá aquela sensação “Eita, porra…esse barco vai afundar!!”, mas depois nem tava mais pensando nisso.

Tava sol no dia. O barco ficava jogando água e quando o sol batia na água, formavam pequenos arco-íris incríveis!! Fiquei que nem besta admirando esse fenômeno…rs

E então, Ometepe começa a se revelar mais à frente com o vulcão Concepción e a vista é inacreditável!! Não tinha como ser diferente…filmei tudo isso porque achei que vocês gostariam de ver:

A Ilha de Ometepe

A ilha de Ometepe fica no Lago Nicarágua, ou Cocibolca como é mais conhecido. Esse é o segundo maior lago (navegável) das Américas, perde apenas para o Lago Titicaca.

A ilha tem 276 Km e uma população de pouco mais de 20 mil habitantes. A ilha é meio que dividida pelos dois vulcões. De um lado está o vulcão Concepción e de outro o Maderas.

Mapa da Ilha de Ometepe

Nós chegamos em Omepete por Mérida, que fica ali na ponta do vulcão Maderas. Nossa pousada ficava em Altagracia que fica do outro lado do vulcão Concepción, ali à direita do mapa.

Descemos do barco, andamos alguns metros e já tinha um ônibus escolar velho americano que seguiria para onde precisávamos ir. Dessa vez conseguimos sentar e apreciar a vista. Não tinham muitos turistas além de nós dois o que fez com que chamássemos muito a atenção.

Depois entendi que os turistas chegam mais por Moyogalpa, do outro lado do vulcão Concepción. Os turistas chegam lá não só de barco, mas de avião também. Então se você tiver receio de pegar um barco, dá pra ir pra lá voando. No final do post coloquei as informações detalhadas sobre isso.

Bem, o ônibus seguiu caminho, comecei a ver os vulcões mais de perto…lindíssimos! E então chegamos numa praça em Altagracia e o rapaz disse que tínhamos passado do ponto onde era a pousada.

Então descemos e pegamos outro ônibus. Não é fácil se perder por lá, nós que comemos bola e não falamos exatamente onde iríamos ficar. Se você disser pro motorista do ônibus: vou pra pousada/hotel tal, ele vai te deixar lá sem problemas.

E foi o que aconteceu, depois de dizer o nome da pousada, o motorista nos deixou bem em frente.

Onde ficamos em Ometepe

Em Ometepe nem me dei ao trabalho de procurar um Airbnb. Fui direto atrás de um hotel ou pousada. Achei uma no Booking que parecia bem bacana. Chama Hotel Finca El Chipote. Descemos no meio da estrada e parece que não tinha nada, então do outro lado estava o portão da entrada. E do portão até a pousada mesmo era 1Km andando…rs

Mas era tranquilo. E depois de andar essa parte da entrada, chegamos na pousada e era bem bacana lá! Ampla, com uma piscina grande à direita e uma parte coberta à esquerda onde tinha um mirador com vista pro lago e um dos vulcões. Incrível.

Os quartos ficavam num prédio ao fundo da pousada, que era uma fazenda da família do dono.

Conhecemos um canadense gente boa que trabalha com arquitetura+turismo e estava por lá há alguns meses trabalhando na pousada e estava quebrando a cabeça como iria trazer a noiva pra casar com ele na Nicarágua.

A pousada é um pouco afastada da parte mais central, então acabamos jantando lá todos os dias. E não me arrependo nem um pouco disso. A comida que a moça preparava pra gente era simplesmente deliciosa. Comida caseira das boas, sabe?

Eu queria ter ficado mais tempo em Ometepe. Acabamos ficando só dois dias. Estávamos no impasse de onde passaria meu aniversário e antes de ir pra Ometepe, já tínhamos fechado um lugar em San Juan del Sur. Então, a passagem por Ometepe foi bem curta…o que não nos deu tempo de fazer muita coisa.

Piscina com degraus na frente e mata ao fundo
A piscina do hotel
Mirador com duas cadeiras
Pra relaxar e apreciar a vista

 

O que fazer em Ometepe

Como a ilha não é pequena, andar é algo que exige coragem e determinação. Existem alguns lugares espalhados pela ilha onde dá pra alugar quadriciclos ou scooters (aquelas motos pequenas, sabe?)

Então é muito comum ver todo mundo andando em um desses meios de transporte. Isso porque os ônibus que circulam pela ilha não são exatamente práticos. Eles demoram a passar. Demoram muuuuito. Teve um dos dias que saímos pra explorar a ilha e ficamos sentados na praça esperando um ônibus que iria pra outra ponta e foram mais de 30 minutos esperando.

É um outro ritmo de vida. O tempo passa bem mais lento. E isso não é ruim, só diferente. Pra gente que estava com dias contados por lá, não era o melhor dos mundos. Mas era o que tinha.

Pensamos em alugar uma dessas scooters, mas desistimos. Acabamos saindo pra explorar o que dava a pé. Um trecho acabamos fazendo de Tuk Tuk.




Seguimos da praça principal de Altagracia até a praia Santo Domingo numa Tuk Tuk. Paramos pra almoçar por lá. A praia estava cheia de crianças. Descobrimos que era por causa de um senhor americano que fazia um trabalho voluntário e tinha levado o grupo de crianças para conhecer Ometepe. =)

Depois do almoço, um peixe enorme, resolvemos voltar a pé. Andamos, andamos e no meio do caminho estava um dos pontos turísticos da ilha, El Ojo de Agua (O Olho D’água). Resolvemos entrar para conhecer.

Da estrada até o Ojo De Agua são quase 1 Km. Chegando lá, pagamos 15 córdobas de entrada. O lugar nada mais é que um parque com uma piscina natural. Algumas mesas na borda, um restaurante principal e algumas barracas de artesanato.

Como saímos sem saber pra onde íamos, estava sem biquini. Chegamos lá e sentamos pra descansar um pouco. De repente olho pro lado e mais na frente quem eu vejo? Três das meninas que fizeram o passeio de veleiro com a gente da Colômbia pro Panamá. rs

Ela estavam por lá há alguns dias e iam pra León dali mais um pouco. Um dos casais holandeses do barco mora em León e elas vão visitar os dois. =)

Ficamos um pouco por lá até recuperar as energias e seguimos caminho de volta pra pousada. Quando estávamos indo embora as três passaram por nós usando scooters..rs

O Ojo de Agua
O Ojo de Agua, lá no fundo está a piscina

Como eu disse não fizemos muita coisa em Ometepe. Acabou sendo uma passagem muito rápida e mais para descansar. Mesmo assim, me encantei pelo lugar. Existem muitas coisas pra fazer. Inclusive subir no vulcão pra tomar banho numa lagoa…mas depois de La Fortuna, tô tranquila. Quem viu um, viu todos! hahaha

Ometepe é um daqueles lugares que você vai cair de amores e levar na memória. Falei sério quando disse que preciso voltar lá. Se você se interessou, é melhor não ponderar muito e ir na primeira oportunidade.

O Edu já tinha passado por lá há alguns anos atrás. Quando ele foi, simplesmente não existia internet. A pousada em que ficamos tinha uma conexão ótima! E também, aumentou o número de hotéis e pousadas desde que ele visitou Ometepe.

A ilha está correndo risco de mudar ainda mais drasticamente nos próximos anos. Há alguns anos têm se falado sobre a construção do Canal de Nicarágua, que ligaria o Oceano Pacífico com o Atlântico.

Só que se isso realmente sair do papel, pode mexer muito com o ecossistema da ilha e tudo que vemos por lá hoje, deixaria de existir como conhecemos. Além de interferir na economia local e possivelmente afetar a cultura dos habitantes.

Existem registro de a ilha ser habitada desde 2000 A.C e em alguns passeios turísticos é possível ver registros dos antigos povos indígenas. Já imaginou se isso se perde?

Eu vi que a China tava entrando no projeto do canal, depois vi que a Rússia também estava interessada. O Ortega mesmo não fala muito sobre isso, então parece que por enquanto está tudo meio à deriva.

Enfim, vamos aguardar. Espero que se rolar, não interfira de forma negativa em Ometepe.

 Próxima parada : San Juan del Sur. OU…como meu aniversário começou errado!

Informações úteis para quem quer conhecer Ometepe

Como chegar?

De avião:

Existe um aeroporto na ilha. Então, tem como chegar por avião. Pra voar pra lá existe uma companhia aérea chamada La Costeña Airlines. Os voos não são todos os dias. Os preços variam de acordo com o aeroporto de saída. São três possibilidades:

Manágua – Saídas quintas e domingos às 12h00 e chegada 12h20. Valor $65.
San Carlos – Saídas aos domingos às 14hh15 e chegada 14h35. Valor $55.
San Juan de Nicaragua – Saídas aos domingos às 13h35 e chegada 14h35. Valor $100.

Dá pra se programar melhor pelo site deles https://lacostena.online.com.ni

De barco:

Se você quer ter a emoção de ir de barco dá pra chegar tranquilamente, existem dois postos: Mérida ou Moyogalpa. Antigamente também tinham barcos que iam para San Jose del Sur. Hoje em dia não existe mais.

Mas antes de pegar o barco, você precisa chegar em algum dos portos, certo. No nosso caso, saímos de Granada e fomos pra Rivas para de lá seguir até São Jorge, onde pegaríamos o barco até Mérida.

  • Ônibus de Granada até Rivas:  40 córdobas (com bagagem), 20 córdobas (sem bagagem). 1h30 de viagem aproximadamente.
  • Táxi de Rivas até São Jorge, foram 60 córdobas de táxi.
  • Barco de São Jorge até Mérida custou 50 córdobas para cada.
  • Chegando em Mérida, o ônibus do porto até Altagracia custou 20 córdobas pra cada um.

Locomoção pela ilha

Existem algumas opções para andar pela ilha:

  • Ônibus local: vai demorar a passar, mas vai te levar onde você precisa. Os preços variam de 15 a 30 córdobas. Vai depender do local onde você pega e onde você desce.
  • Aluguel de bicicletas: entre $10 e $15 por dia. É uma ótima opção, só precisa ter pique, porque a ilha não é pequena. 😉
  • Aluguel de scooter: Por dia custa $20, mas acho que pra quem vai ficar mais tempo por lá, é uma das melhores opções. Até pra negociar o preço dessa diária.

Onde ficar

Recomendo fortemente o hotel em que ficamos: Finca El Chipote. Muito tranquilo e ótimo para relaxar. Ele não é no meio do “fervo”, mas para curtir a tranquilidade do hotel e as coisas que tem pra fazer na ilha, basta alugar uma scooter ou quadriciclo. O aluguel diário de uma scooter custa $20.

A diária do nosso quarto, que cabia 4 pessoas em duas confortáveis camas de casal e tinha ar-condicionado custou R$169. Eles aceitam pagamento em cartão sem problemas. O jantar custou 90 córdobas (seriam $4,5 ou R$15). Justíssimo!

A diária tinha café da manhã incluído. Para quem quiser dar uma olhada com mais calma na pousada, só acessar aqui.

Quando custa 1 córdoba?

Para você ter ideia, nessa época em que estivemos por lá (Janeiro/2017) a cotação que estava sendo praticada na ilha era de 30 córdobas por 1 dólar.

O que fazer?

Existem muitas coisas pra fazer por lá, por isso preciso voltar. Dá pra escalar os vulcões e ver a lagoa na cratera. Tem cachoeira. Tem El Ojo de Agua. As praias. O pôr do sol em Moyogalpa.

Enfim, mil coisas. Pode ir despreocupado que você não cairá no tédio! =)

Ficou com alguma dúvida? Se eu puder ajudar, deixe um comentário por aqui que respondo com o maior prazer.

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    Margot

    Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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