León, a capital da Revolução Sandinista
Nicarágua Cidade histórica

León, a capital da Revolução Sandinista

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León, a primeira capital da Nicarágua

León foi a primeira capital da Nicarágua, em 1821, e foi palco da Revolução Sandinista. Estava curiosa para conhecer a cidade, pois um casal de holandeses que viajou conosco no veleiro da Colômbia pro Panamá, estava morando lá e falaram super bem do lugar.

Saímos de San Juan del Sur e chegamos em León por terra, num shuttle que durou umas 4 horas. Nada muito sofrido.

Tentamos descobrir algum ônibus, mas todos desaconselharam, e na verdade, não haviam muitos mesmo. Estão nos rendemos ao shuttle, que nos custou $25 (por bunda).

Como não ficaríamos muitos dias e a cidade era bem pequena, acabei optando por um hotel mesmo. O shuttle nos deixou na porta do hotel.

O que é muito bacana da arquitetura espanhola é que por fora as casas têm uma fachada pequena e quando você entra…são enormes! Com pátios centrais e tudo funcionando ao redor.

E o hotel em que ficamos, tinha uma história bem interessante.

A Pousada Fuente Castalia

Ao chegar na pousada, há poucas quadras da Iglesia de la Recoleccion, fomos recebidos por uma senhora super falante e muito amigável.

Ela disse que estava nos esperando, nos levou até o quarto, explicou tudo e disse que tinham brasileiros hospedados por lá e que ela queria muito nos apresentar pra eles. Bem, não tinha entendido muito a empolgação toda dela com isso…rs

A pousada era bem ampla por dentro, com um pátio central e um grande chafariz. Os quartos eram simples, mas honestos.

Área aberta com sofá, poltronas e mesa de centro
Uma das áreas em comum da pousada.

A dona me contou a história de lá. A casa era da família dela há muitos anos. Uma das filhas dela, que trabalha na pousada ajudando-a, dizia: aquele ali era meu quarto, aquele lá era da minha mãe…e por aí vai.

Ela me contou que a casa era dela e servia de residência. Ela era professora de história e uma questão de doença fez ela repensar as coisas e então ela transformou a casa em pousada. Como ela disse, a casa sempre esteve cheia de pessoas (filhos, amigos dos filhos etc) e ela gostava de receber as pessoas.

Então, ela me disse que a pousada tinha uma importante participação na Revolução. Antes de sua família a casa pertencia a outras pessoas e chegou a servir de república para uma das universidades da cidade.

Os estudantes faziam reuniões clandestinas lá com algumas figuras bem importantes do movimento. Para não serem descobertos pela polícia, um menino ficava na porta da casa (do lado de fora) com uma bandeja de tortillas na cabeça e quando a polícia se aproximava, ele começava a gritar “vendendo” as tortillas.

Esse era o código para que a reunião acabasse e quem não pudesse ser pego, fugisse.

E aí está a parte ainda mais interessante, as casa eram conectadas por túneis, então eles fugiam de uma casa pra outra por essas redes de túneis.

Ela acabou fechando o túnel, que fica em um dos quartos da parte de baixo.

Achei muito bacana saber dessa parte histórica. E fiquei impressionada com o tamanho do lugar!!

O café da manhã é preparado pela filha da dona e o marido dela também trabalha na pousada. Todos simpáticos e gostavam bastante de conversar. =)

A única coisa negativa é que o Wi-Fi não pegava no nosso quarto, que ficava no andar de cima, mas descemos com o computador e conseguimos trabalhar perfeitamente.

Brasileiros na Nicarágua, o que fazem? Onde vivem?
O que comem? Hoje, no Diva Repórter!

Na primeira noite em que estávamos por lá, quando saímos pra jantar, a dona da pousada nos apresentou pros brasileiros. Nos cumprimentamos, eles disseram que eram do Paraná e foi isso. Até então.

Em outro dia, no fim da tarde, eles chegaram na pousada e como estávamos trabalhando na parte em comum, eles nos ofereceram uma cerveja e engatamos um papo.

Eram três brasileiros, homens, todos do Paraná. Todos gente boa e divertidos. Nos contaram que já estavam há alguns meses por lá. Eles viajaram a trabalho, pra montar uma fábrica de fécula de mandioca.

Eles montariam e teriam que ficar por lá até terminar tudo e entregar a fábrica funcionando. Isso deve ter terminado no mês passado, março. Não era o primeiro país que visitam a trabalho. Já tinha passado por outros lugares montando fábricas.

E então, a empresa fechou com a pousada e eles estavam morando lá. A própria pousada fazia as refeições deles: café da manhã, almoço e jantar. E eles nos contaram sobre suas famílias e o que estavam achando de León.

Acho que nós concordamos com eles, apesar das lindas igrejas (e existem muitas) a cidade não é bonita. Talvez pelo que a Milu (que viajou conosco) tenha dito eu acabei criando muita expectativa. Será?

Bem, eles eram três caras muito animados e acabavam saindo pra beber toda a noite. Em uma delas, nos convidaram pra ir junto e lá fomos nós.

Eles nos levaram num bar perto da praça central onde rolava música e o mais velho dos três (um senhor pra lá dos seus 60 anos) gosta de ir pra dançar.

A noite seguiu muito bem, bebemos, conversamos e então eles disseram que estavam morrendo de saudade de tempero brasileiro. Que a comida que a pousada fazia pra eles não era ruim, mas tinha um tempero diferente e era pouca.

Nessas, me ofereci então pra fazer o jantar no dia seguinte e eles escolherem macarrão com frango. rs

No dia seguinte saímos pra passear pela cidade, passamos pelos mercados de rua que tinham e comprei os ingredientes. Não existe supermercado em León, existem diversos mercados de rua. Há uma área mais afastada que tem uma feira de rua enorme pelas vias principais.

E então lá fui pra cozinha fazer espaguete com frango desfiado. Eles gostaram e cada um comeu uns três pratos…mas é como dizem: a fome é o melhor tempero! hahaha

Depois do jantar eles se despediram e saíram de novo para noitada. Era sábado, então eles iriam longe. Nós partiríamos na madrugada, por isso não acompanhamos nessa segunda vez.

Três figuras bacanas e super simpáticas. Contaram sobre o festival do porco no rolete e fiquei com muita água na boca…rs

A essa altura eles já devem estar de volta no Brasil, ou na estrada de novo para um novo trabalho.

O que fazer em León

Como comentei mais acima, León é uma cidade com muitas, muitas igrejas. Basta ir andando sem rumo pela cidade e você verá uma igreja.

A leste existe o vulcão Momotombo e é possível vê-lo da cidade. Ao pé deste vulcão está León Viejo, onde existem algumas ruínas preservadas.

Na praça central da cidade está localizada a Catedral. Ela foi nomeada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 2011 e é tão bonita que consta nas notas de 100 córdobas.

Nota de 100 córdobas com imagem da Catedral de León
A nota de 100 córdobas com a Catedral

É uma arquitetura impressionante e vale ser visitada.

Cada igreja guarda alguma pequena peculiaridade e falar de todas seria dar muito spoiler. Visitar León é se perder por suas igrejas.

A cidade possui cinco mercados: o central, atrás da Catedral, El Mayoreo, o do Terminal de Ônibus e o que está na antiga estação de trem e o de Sutiaba. Passamos por quase todos, faltou o da estação de ônibus e o Sutiaba. Esses mercados são centros que diariamente recebem comerciantes oferecendo roupas, peixes, frutas, doces, sapatos, chapéus, eletrodomésticos…tem de tudo. É quase uma Feira de Acari.

Nesses mercados os preços são bem em conta e o pessoal está sempre disposta a negociar. É uma esperiência interessantes, são muitos sabores, cores e sons diferentes que tornam esses mercados lugares interessantes de serem vistos.

Não espere nada organizado ou luxuoso. A bagunça e confusão é que dá charme ao mercado.

Além dos mercados existem coisas para serem vistas pelas ruas. Uma noite saímos pra jantar e paramos em um restaurante na Praça Central, então uma dupla de rapazes com um pequeno espetáculo circense se apresentou para todos.

León é uma cidade que não é exatamente bonita, mas tem seu charme e alegria. Gostei de ter conhecido e acabou nos reservando boas surpresa com os três brasileiros que estavam por lá.

Foi uma passagem bem divertida. Fiz um pequeno vídeo pra você conhecer um pouquinho de León. =)

 Próxima parada:  El Tunco (El Salvador).

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Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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