Flores e a gastronomia maia
Guatemala Gastronomia

Flores e a gastronomia maia

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A cozinha maia e os encantos de Flores

Chegamos em Flores numa noite quente e tranquila. Flores (El Petén) é uma cidade da Guatemala localizada no lago Petén Itzá, logo…Flores é uma ilha. Ela está ligada ao continente por uma via que sai de uma pequena vila.

É do lado do continente que está a rodoviária e foi por lá que chegamos. De lá pegamos um táxi que conseguiu se perder em Flores…que só tem uma rua! rs

E foi assim que começou nossa aventura por Flores, nos perdendo de táxi com um motorista mal humorado que só.

Onde ficar em Flores

A ilha é bem pequena, então dá pra andar de ponta a ponta em uns 10 minutos. Sérião.

Busquei opções de hotel e Airbnb, acabei optando por um Airbnb que ainda era novo e no fim ficava dentro de uma pousada.

Chegando lá o dono nos recebeu super bem. O quarto não era dos melhores não, mas ele era muito gente boa. Tão gente boa que acabamos relevando o quarto em si. rs

Ele é alemão e casou com uma guatemalteca. Há alguns anos ele está por lá com a pousada, que no café da manhã tem o mel orgânico produzido na fazenda do sogro. Ele disse que a grande paixão dele é a gastronomia e com o tempo ele quer transformar todo o menu da pousada com ingredientes cultivados por ele mesmo.

Achei bacana. E a pousada é de frente para o lago, então o pôr-do-sol é um espetáculo à parte.

Pôr do sol sobre lago
O pôr do sol de Flores

Existem diversas pousada de frente pro lago e existe um grande Ramada no outro lado da ilha, mas lá você verá o nascer do sol. Acordar cedo não é comigo, não sei você…hehehe

O que fazer em Flores

Como eu disse, dá pra andar pela ilha toda por menos de 10 minutos, é bem pequena mesmo. Existem muitos restaurantes e bares e mais para o “fundo” da ilha mais cheia ela fica a noite.

Já é possível comer tacos por lá, mas nenhum restaurante é muito marcante. No geral você vai encontrar pizzas e coisas mais padronizadas.

Do outro lado do lago existe uma pequena vila que é possível chegar em 5 minutos de barco. De carro teríamos que dar a volta pelo continente e demoraria quase 1h.

Pegamos um pequeno barco e seguimos para lá. Subimos até um mirador que tinha na parte mais alta e de lá dá pra ter uma visão um pouco mais ampla dos arredores. Mas o interessante mesmo foi que uma menina pegou carona no barco.

Ela era de Águas Calientes (México), ou seja, ela é hidrocálida! rs Concordo com o Edu, é o melhor gentílico de todos. E bem, ela estava viajando sem documentos desde lá, cada hora se juntando há um grupo diferente de pessoas…uma hippie genuína.

Depois de visitar o mirador, passeamos pela pequena vila que tinha lá. Não há nada para se fazer ali, são apenas casas residenciais. Existe um restaurante, mas só funciona à noite.

Fora esses pequenos passeios, existe pouco a ser feito. No hotel, o dono me mostrou um folheto com diversas oficinas. Era uma parceria que ele tinha feito com um grupo de índias que davam essas oficinas maias.

Algumas das oficinas são:

  • Calendário Astral: Uma oficina sobre o calendário maia e como eles enxergavam a vida através dos astros. No final você sai com um calendário personalizado. Dura 2h e custa 396 quetzales.
  • Óleo de abacate: Oficina que ensina a fazer óleo de abacate. Dura 2h, custa 95 quetzales e você sai de lá com o seu óleo.
  • Chocolate: Faça chocolate como os maias faziam. Diz-se que o chocolate maia tem três vezes mais antioxidantes. Dura 2h e custa 150 quetzales.
  • Óleo de coco: Esse é um óleo que está super em alta. Minha vó, quando meus tios eram crianças, disse que usava banha de coco para cozinhar. Dizem que é um dos óleos mais saudáveis para cozinhar. A oficina ensina a fazer o óleo e dura 2h pelo custo de 170 quetzales.
  • Cozinha Maia: Você vai aprender um prato tradicional da culinária maia. Dura 2h e custa 120 quetzales.
  • Redes: Nessa oficina você vai aprender a fazer uma rede, como os maias faziam. No fim, você leva sua rede com você. Dura 2h e custa 200 quetzales.
  • Plantas medicinais: Nessa oficina você vai aprender sobre as dezenas de plantas medicinais que os maias usavam. Vai aprender também sobre a deusa Ixchel, guardiã das matas. Além disso, você sairá de lá com uma seleção de plantas medicinais e também uma “poção do amor”, que dizem que realmente funciona. rs Dura 2h e custa 195 quetzales.
  • Sobrevivência na selva: Aprenda técnicas de sobrevivência na selva com os nativos especialistas nas técnicas maia. Você vai visitar uma mata maia antiga com pirâmides, estelas etc. Durante a oficina você aprende como conseguir água, tratar mordidas de cobra, que frutas são comestíveis e muito mais. É uma ótima preparação para quem pretende fazer a trilha de La Danta. Dura 4h e custa 295 quetzales.

A trilha de La Danta parece ser incrível, mas não é para principiantes. A Grande Pirâmide e La Danta, ou Grande Pirâmide de Petén, é do período pré-clássico e se encontra em El Mirador, um departamento de Petén.

É uma pirâmide inacreditável, só que está no meio da selva. Por isso a trilha é mais puxada e você precisa dormir alguns dias no meio da mata antes de chegar lá. A menina hidrocálida que citei lá em cima, tinha feito essa trilha e disse que demorou uma semana, mas que no fim, compensou muito chegar até a pirâmide.

De lá pra cá a associação ainda criou algumas oficinas novas, agora eles também oferecem oficina de escrita maia, sobre cogumelos, um jogo chamado “patolli” e outras mais. Se você quiser se informar melhor, só acessar aqui.

A verdade é que fiquei interessada em todas as oficinas, mesmo! Mas por questão de tempo e grana, acabei optando por fazer a oficina de culinária maia. Combinei com o dono do hotel, e no dia da oficina um rapaz de tuk-tuk veio me buscar.

Duas pousada depois ele buscou duas meninas, canadenses, que também fariam a oficina. Chegando lá fomos recebidas por uma simpática senhora. Ela nos explicou que iríamos aprender a fazer “Tamales de Chaya”.

Tamales são uma espécie de massa de milho que são cozidas em folhas de bananeira. E chaya é uma planta local que eles usam para várias coisas. É extremamente rica em nutrientes e usam o chá para tratar anemia.

Ela nos mostrou a planta, explicou as questões medicinais e lá partimos nós pra ação. A massa do tamale está pré-feita. É preciso cozinhar o milho (com cal) por algumas horas, depois debulhar e moer.

Eles fazem tamales de diversas formas, alguns com carne, outros são com vegetais. É um prato bem versátil. O que fizemos era com chaya, então cortamos os ingredientes, misturamos na massa e era isso.

Pra cozinhar, tivemos que enrolar em folha de bananeira. Antes de cortar as folhas, passamos a mesmo no fogo para soltar um pouco de água e não dar gosto ao tamale. Daí é enrolar feito um burrito e cozinhar por cima de uma cama de folhas de bananeira em um panela.

Tudo feito em fogão a lenha. Além disso, fizemos a salsa (molho) com tomate, cebola, cilantro e pimenta. E voilá:

Prato de comida vermelho com tampões verdes

O tamale por si só não é tão gostoso, o que dá o toque é o molho. Acabou rendendo muito e nós três (eu e as canadenses) levaram vários tamales conosco no final. rs

Adorei fazer a oficina. Fiquei com pena de não ter feito outras, a de óleo de coco então….

Flores é um lugar em que os turistas param para ir a Tikal. De fato a ilha é pequena e não há muita coisa para fazer, mas essas oficinas são realmente interessantes e vale o custo.

Próxima visita: Tikal!

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Margot

Quando minha vida saiu dos trilhos percebi que podia ir pra qualquer lugar. Virei mochileira depois dos 30 e criei o blog pra contar sobre essa aventura.

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